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    Ondas de calor do El Niño podem agravar sintomas de doenças neurológicas, dizem especialistas

    As ondas de calor intensificadas pelo El Niño -fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento das águas do oceano Pacífico - podem piorar os sintomas da esclerose múltipla , as alterações relacionadas à doença de Parkinson e a cognição em pessoas com demência . Leia mais (09/04/2026 - 12h00)

    Folha de S.Paulo
    4 de setembro de 2026 às 15:00
    Ondas de calor do El Niño podem agravar sintomas de doenças neurológicas, dizem especialistas
    Duas mulheres caminham juntas em uma ponte durante dia ensolarado. Uma delas segura um guarda-chuva preto para proteger ambas do sol. Elas carregam sacolas plásticas e vestem roupas leves, com uma usando saia verde e a outra saia azul escur — Foto: Folha de S.Paulo

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    As ondas de calor intensificadas pelo El Niño —fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento das águas do oceano Pacífico — podem piorar os sintomas da esclerose múltipla , as alterações relacionadas à doença de Parkinson e a cognição em pessoas com demência .

    Idosa recebe ajuda para se proteger do sol com uma sombrinha durante onda de calor em Londres, na Inglaterra - Guglielmo Mangiapane - 23.jun.26/Reuters · Guglielmo Mangiapane - 23.jun.26/Reuters
    Idosa recebe ajuda para se proteger do sol com uma sombrinha durante onda de calor em Londres, na Inglaterra - Guglielmo Mangiapane - 23.jun.26/Reuters · Guglielmo Mangiapane - 23.jun.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O forte calor também favorece o AVC (acidente vascular cerebral), as crises epilépticas e os episódios de confusão mental .

    Segundo a Noaa (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica) dos Estados Unidos , o evento climático está em patamar forte e deverá evoluir para muito forte ( super El Niño ) a partir deste mês.

    Segundo Maurício Hoshino, neurologista do Hospital Santa Catarina - Paulista, para pessoas com Parkinson , as altas temperaturas levam a um cenário de maior risco. O calor extremo funciona como uma sobrecarga cardiovascular. Em dias muito quentes , a pressão tende a cair e os batimentos cardíacos aceleram.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Como o Parkinson já prejudica o controle fino que o corpo faz da pressão arterial , o organismo não consegue se adaptar. Esse controle é a capacidade do sistema nervoso central de fazer microajustes automáticos e imediatos na força com que o sangue corre pelas artérias. Podem ocorrer quedas bruscas de pressão, tonturas, desmaios e piora acentuada no desequilíbrio e na mobilidade.

    Na esclerose múltipla , o indivíduo tem cicatrizes de lesões neurológicas inflamatórias de repetição causadas pela própria doença. Embora o organismo consiga se recuperar, o tecido lesionado permanece vulnerável.

    Diante do forte calor , a cicatriz no sistema nervoso sofre uma espécie de sobrecarga temporária, e os sintomas que já haviam sido superados e reabilitados voltam a se manifestar na mesma região do corpo.

    "Por exemplo, uma perna que havia melhorado bastante começa a se arrastar de novo, ou um formigamento que volta. Fica a preocupação: será que a doença está voltando? Não. A temperatura facilita que você tenha sintomas dos quais já havia melhorado e recuperado, e você passa a senti-los novamente. Não sabemos a causa para isso, mas acontece e é muito comum", explica Hoshino.

    O calor extremo impacta, ainda, a saúde de pacientes com Alzheimer e outras demências. As temperaturas altas podem causar desidratação , o que agrava os quadros de confusão mental e acelera o declínio cognitivo temporário. O problema é que muitos idosos com essas patologias têm dificuldade para comunicar mal-estar ou pedir água. Assim, ficam mais expostos aos efeitos térmicos.

    O especialista em doenças autoimunes do sistema nervoso Roger Santana de Araújo, neurologista da Clínica EVCiti, em São Paulo , avalia que o cenário reflete no sistema de saúde, porque gera aumento expressivo nas internações durante os meses mais quentes do ano.

    "É bem relatado em alguns estudos que o calor aumenta muito as internações, principalmente de quem tem Alzheimer . Eles ficam mais confusos, desidratam com mais facilidade", diz Araújo.

    "Pacientes com demência já têm a reserva encefálica baixa. Qualquer mudança de rotina e qualquer coisa que aconteça pode piorar o comportamento, a memória, o andar, o como conversar. O calor também está dentro dessa situação. É uma agressão ambiental, que muda a rotina e secundariamente a cabeça fica pior", explica Araújo.

    O tempo quente causa a privação do sono , que é um fator de risco para crises de epilepsia em pessoas propensas ou que já têm a condição. "Principalmente porque é uma privação de sono crônica. Muitas vezes, é a semana inteira que não se dorme bem por não ter uma temperatura mais adequada no quarto ou até pelo barulho do ventilador", comenta Hoshino.

    O neurologista do Hospital Santa Catarina argumenta que o sono inadequado, somado a um ambiente desconfortável, também atua como um gatilho para quem sofre de enxaqueca .

    O cérebro do paciente enxaquecoso é hiper-responsivo a estímulos externos. Por essa razão, a exposição a ambientes intensos — marcados por excesso de luz ou barulho — facilita o desencadeamento das crises.

    Quem é saudável também sofre com as consequências das altas temperaturas, segundo o neurologista Roger Santana de Araújo. O indivíduo fica mais lento e desatento e, portanto, mais propenso a cometer erros.

    O cansaço do corpo e da mente é outro efeito nocivo dos dias muito quentes.

    O forte calor é um gatilho para a síncope vasovagal —principal causa de desmaios que ocorrem devido a uma súbita diminuição da pressão arterial e da frequência cardíaca, que a estimulação do nervo vago desencadeia (décimo nervo craniano).

    Tontura, fraqueza, dor de cabeça , náuseas, cãibras, palpitações, falta de ar e queda da pressão são sinais de que o organismo pode estar em desequilíbrio com o calor.

    Confusão mental aguda, sonolência excessiva, convulsões, desmaio, dor de cabeça intensa e persistente, alteração da fala, perda de força, dor no peito ou falta de ar importante exigem avaliação médica imediata.

    O projeto Saúde Pública tem apoio da Umane, associação civil que tem como objetivo auxiliar iniciativas voltadas à promoção da saúde.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2026/09/ondas-de-calor-do-el-nino-podem-agravar-sintomas-de-doencas-neurologicas-dizem-especialistas.shtml.

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    Idosa recebe ajuda para se proteger do sol com uma sombrinha durante onda de calor em Londres, na Inglaterra - Guglielmo Mangiapane - 23.jun.26/Reuters · Guglielmo Mangiapane - 23.jun.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo

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