“Oceano mais quente que já medimos”: Agência da ONU alerta para um dos El Niño mais fortes da história
Organização aponta para o pico do fenômeno e temperaturas recordes em dezembro de 2026, com efeitos intensificados até fevereiro de 2027

A OMM (Organização Mundial Meteorológica) divulgou nesta quinta-feira (8) que o planeta pode enfrentar o mais forte El Niño desde 1950 . De acordo com o relatório, as águas nunca estiveram tão quentes, e o fenômeno deve durar até fevereiro .
O secretário-geral da OMM, Celeste Saulo, destacou que a probabilidade disso acontecer é de quase 100%, segundo consenso entre treze centros nacionais e internacionais.
“O oceano de onde ele está extraindo calor é o mais quente que já medimos”, afirmou.

O El Niño é um fenômeno climático causado pelo aquecimento anormal das águas do oceano pacífico equatorial.
Ele acontece de forma cíclica, em um intervalo de 2 a 7 anos e de maneira intercalada com períodos neutros e sob o efeito do La Niña, o resfriamento acima da média das águas.
Com o El Niño, o calor excedente das águas é liberado, e as correntes de vento e fluxos e níveis de chuva mudam no mundo todo.

Seus principais efeitos acontecem na América do Sul e Central, segundo a OMM. No Brasil, os mais severos são especialmente chuvas intensas na região Sul e secas prolongadas no Norte e Nordeste.
O relatório da OMM destaca que a temperatura do oceano pacífico na região equatorial saltou de 1,6ªC para 2,5ºC entre junho e agosto de 2026.
Nos meses finais do ano a previsão é que a temperatura chegue ao seu pico com 3,7ºC acima da média. O valor será o mais alto da série histórica.

Segundo Saulo isso resulta em temperaturas na superfície recordes no mundo todo, lembrando que o El Niño não adiciona calor ao planeta, mas apenas libera o que o oceano já tem armazenado.
“Isso não significa que todos os locais estarão mais quentes do que a média todos os dias, mas indica um forte sinal sazonal que aumenta a probabilidade de ondas de calor extremas e impactos relacionados ao calor”, alerta a organização.
Evento no Rio reúne lideranças para discussão ambiental | LIVE CNN

De acordo com relatório mensal do Serviço Climático Copernicus da União Europeia, da NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA), e da NASA, o mês de agosto deste ano foi o mais quente da história .
A temperatura registrada ficou 1,65ºC acima da média, ultrapassando o nível de alerta de 1,5ºC estabelecido pelo acordo de Paris.
As principais causas para isso, segundo a ONU (Organização das Nações Unidas) é a emissão cada vez maior de CO2 na atmosfera, com destaque para a queima de combustíveis fósseis e desmatamento.

A OMM alerta que, com o fortalecimento do El Niño, é esperada chuva acima da média no Pacífico equatorial central e oriental, afetando países da Oceania e sudeste da América do Sul. Também são esperados mais umidade na África e Ásia, além de partes da América do Norte.
Na contramão, há alertas de secas mais intensas no noroeste da América do Sul, partes da América Central e Caribe, e na Índia.
Esses efeitos até fevereiro de 2027 resultarão em cerca de 451 mil mortes no mundo , segundo estudo do Laboratório de Impacto Climático da Universidade de Chicago.

Os mais afetados serão países do chamado Sul Global, com o Brasil aparecendo em quinto lugar, atrás de Índia, Sudão, Indonésia e Nigéria. Estima-se que 13,3 mil pessoas morreram devido ao El Niño e eventos climáticos extremos como tempestades, tornados e secas prolongadas.
A CNN Brasil entrou em contato com o Ministério do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas do Brasil sobre o fenômeno. O espaço segue aberto.
Atuação do La Niña? Como será o clima no Brasil em novembro


Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/ciencia/oceano-mais-quente-que-ja-medimos-agencia-da-onu-alerta-para-um-dos-el-nino-mais-fortes-da-historia/.

Aumento nas temperaturas e eventos climáticos extremos são esperados com a intensificação do El Niño • CNN Brasil · • CNN Brasil — Foto: CNN Brasil
Compartilhe
Espalhe essa notícia

