O universo não tem salvação
A indústria do audiovisual tem muitas especificidades, mas num ponto ela não difere de nenhuma outra fábrica: sua meta principal é manufaturar um produto que agrade o cliente. Pode parecer simples ou fácil, mas não é. Leia mais (09/08/2026 - 16h42)

Jornalista e crítico de TV, autor de "Topa Tudo por Dinheiro". É mestre em sociologia pela USP
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A indústria do audiovisual tem muitas especificidades, mas num ponto ela não difere de nenhuma outra fábrica: sua meta principal é manufaturar um produto que agrade o cliente. Pode parecer simples ou fácil, mas não é.
Um indicador da dificuldade de acertar o que o público deseja assistir é a taxa de cancelamentos de séries após uma única temporada. Dados conservadores indicam que 20% dos lançamentos não ganham uma segunda temporada. Dependendo da fonte, esse percentual sobe para 40% ou até 50%.
Nesse concorrido mercado, um criador, um showrunner ou um roteirista que consiga, em toda a carreira, emplacar o seu nome no alto dos créditos de uma ou duas séries de sucesso pode se considerar realizado. É um feito e tanto. São poucos os que registram tantos êxitos no currículo ou que conseguem permanecer no topo por muitos anos.

No terreno da comédia, Chuck Lorre está entre estes raros mestres na arte de acertar o alvo. Chamado por alguns de "rei da sitcom", Lorre assina como criador ou showrunner de mais de uma dezena de séries, entre as quais "Dharma & Greg" (1997-2002), "Two and a Half Men" (2003-2015), "The Big Bang Theory" (2007-2019) e " O Método Kominsky " (2018-2021).
Difícil dizer qual é a melhor. "The Big Bang Theory" teve tantas temporadas, 12, quanto "Two and a Half Men", mas foi possivelmente a produção mais influente entre todas para a cultura pop.
Centrada em jovens nerds, que moram na Califórnia, todos socialmente desajeitados, e uma jovem garçonete loira que sonha ser atriz, "The Big Bang Theory" virou franquia e já gerou três novas séries.

Duas delas são sitcom convencionais. A primeira, e mais bem-sucedida, foi " Young Sheldon " (2017-2024), um prequel focado na juventude do mais divertido personagem, Sheldon Cooper. Em 2024, Lorre lançou "Georgie & Mandy’s First Marriage", uma história que acompanha o irmão mais velho de Sheldon e sua mulher. Está na segunda temporada e já foi renovada para a terceira.
A grande novidade na carreira de Lorre é a recém-lançada " Stuart Não Consegue Salvar o Universo ". Protagonizada por personagens secundários de "The Big Bang Theory", é uma produção que não segue o modelo rígido da sitcom, com quatro câmeras, ambientes fechados e a presença de plateia.
A nova série é uma ficção científica que explora mundos imaginários e abusa de efeitos especiais e computação gráfica, fato incomum na trajetória de Lorre. O protagonista é Stuart Bloom , o tímido e cômico dono da loja de histórias em quadrinhos da série-mãe, vivido por Kevin Sussman.

A nova produção foi lançada pela HBO Max em julho. Sete dos dez episódios estão disponíveis. Uma segunda temporada já foi encomendada.
Stuart Bloom é encarregado de evitar o "Armagedom do multiverso". Para isso, ele, sua ex-namorada e dois amigos, a cada episódio, recorrem a um dispositivo mágico que os leva a uma realidade alternativa e tentam entender como se adaptar a ela.
Num deles, o universo é controlado por uma inteligência artificial que obriga todo mundo a ser bonzinho. Em outro, a civilização se tornou tribal e adota um estilo de vida coletivo, até que Stuart e seus companheiros envenenam o ambiente.

Fãs de "The Big Bang Theory" vão amar as infinitas referências e piadas internas escondidas em "Stuart Não Consegue Salvar o Universo". Alguns episódios são mais engraçados do que outros, mas o conjunto é recompensador.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/mauriciostycer/2026/09/o-universo-nao-tem-salvacao.shtml.

11 curiosidades sobre Big Bang Theory — Foto: Folha de S.Paulo
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