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    O senador cordial

    "Fala meu amor! Muito obrigado por tudo, em especial pelo seu carinho e amizade fraterna!" Assim o senador Davi Alcolumbre respondeu ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro , após ser parabenizado pela conquista da presidência da Casa em fevereiro de 2025. Leia mais (09/27/2026 - 23h00)

    Folha de S.Paulo
    28 de setembro de 2026 às 02:00
    O senador cordial
    Trechos de mensagens trocadas entre Davi Alcolumbre e Daniel Vorcaro em fevereiro e março de 2025. Em fevereiro, Alcolumbre agradece a Vorcaro pelo carinho e amizade após ser eleito para o comando do Senado. Em março, Alcolumbre reafirma a — Foto: Folha de S.Paulo

    Mestre em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina e doutora em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP

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    Montagem com diálogos e fotos de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) e Daniel Vorcaro - Editoria de Arte/Folhapress · Editoria de Arte/Folhapress
    Montagem com diálogos e fotos de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) e Daniel Vorcaro - Editoria de Arte/Folhapress · Editoria de Arte/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "Fala meu amor! Muito obrigado por tudo, em especial pelo seu carinho e amizade fraterna!" Assim o senador Davi Alcolumbre respondeu ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro , após ser parabenizado pela conquista da presidência da Casa em fevereiro de 2025.

    No mês seguinte, escreveu "Sou seu irmão!!! Pra vida toda!!!" numa mensagem ao responsável por uma fraude financeira escandalosa. "E eu seu. A qualquer tempo pra qualquer coisa", agradeceu o mafioso, que ainda acrescentou cinco emojis de coração.

    O material foi extraído do celular de Vorcaro pela Polícia Federal . Sem negar categoricamente a autoria dos textos, uma nota da presidência do Senado diz que se trata de "supostas mensagens de teor pessoal que não indicam ilegalidade alguma".

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Curioso como o tom pessoal —uma obviedade— é usado como argumento para amenizar a gravidade das conversas, quando essa característica é justamente o problema: o titular de uma função pública não manter apartadas duas esferas que deveriam obedecer a lógicas diferentes.

    E esse problema entranhou-se no Estado brasileiro por meio de um traço da cultura política nacional que Sérgio Buarque de Holanda transformou em conceito analítico: o "homem cordial" .

    Cordial, aí, não significa bondoso ou pacífico. O termo vem do latim "cor, cordis" (coração).

    Trata-se de um tipo social marcado pelo predomínio das relações afetivas e íntimas sobre as relações formais e impessoais. Tal homem tende a rejeitar o distanciamento e o formalismo exigidos pela ordem institucional e a transportar para a esfera pública a lógica das conexões familiares e privadas, dificultando a separação entre interesses particulares e funções públicas.

    Claro que Alcolumbre pode ter amigos. A questão é saber se seu vínculo com Vorcaro permaneceu efetivamente privado quando o senador passou a exercer uma prerrogativa pública capaz de afetar os interesses do bandido. Que, desde março, Alcolumbre se recuse a ler o pedido de abertura da CPI do Banco Master já é um indício relevante de cordialidade nefasta.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/lygia-maria/2026/09/o-senador-cordial.shtml.

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