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    O que você precisa saber sobre a guerra civil na Etiópia, o segundo país mais populoso da África

    Rebeldes do norte do país lutam para derrubar o primeiro-ministro vencedor do Nobel da Paz, Abiy Ahmed

    UOL
    14 de outubro de 2026 às 08:00
    O que você precisa saber sobre a guerra civil na Etiópia, o segundo país mais populoso da África
    Quatro soldados em uniformes militares estão sentados na caçamba de uma caminhonete branca parada em uma rua da cidade. Ao fundo, há prédios modernos com fachadas de vidro e vermelho, além de um semáforo e postes. — Foto: UOL

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    Os combates entre as forças armadas da Etiópia e as autoridades da região de Tigré, no norte do país, intensificaram-se drasticamente nos últimos dias, sinalizando o que pode ser o início de uma nova guerra no segundo país mais populoso da África .

    Membros da Força de Paz Tigré (TPF), pró-governo da Etiópia, patrulham as ruas da cidade de Mekelle em uma caminhonete - 4.out.26/AFP · 4.out.26/AFP
    Membros da Força de Paz Tigré (TPF), pró-governo da Etiópia, patrulham as ruas da cidade de Mekelle em uma caminhonete - 4.out.26/AFP · 4.out.26/AFP — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Os dois lados travaram, a partir de 2020, um conflito de dois anos que deixou centenas de milhares de mortos , em meio a relatos de atrocidades generalizadas e violência sexual em massa.

    As novas hostilidades provocaram alarme internacional, diante do temor de que os combates se transformem em um conflito regional e arrastem os países vizinhos do Chifre da África e do Golfo Pérsico.

    O conflito é protagonizado pela Força de Defesa Nacional da Etiópia —o exército do governo federal sediado na capital, Adis Abeba— e a Frente de Libertação do Povo do Tigré (FLPT), no norte.

    Quem é Abiy Ahmed
    Quem é Abiy Ahmed — Foto: UOL · Fonte: UOL

    No mês passado, a FLPT uniu-se a seis grupos armados opositores para formar uma nova coalizão, a Aliança pela Sobrevivência. O objetivo é derrubar o primeiro-ministro do país, Abiy Ahmed , no poder desde 2018, e reformar a Constituição.

    Dois integrantes da aliança rebelde, provenientes das regiões nortistas de Afar e Amhara, também se juntaram ao combate. O governo aliou-se a uma facção dissidente de combatentes do Tigré que recentemente rompeu com a FLPT.

    Os confrontos recentes foram precedidos por meses de ataques de drones em Tigré, embates em partes do norte da Etiópia e uma retórica política agressiva.

    Combatentes da Frente de Libertação do Povo Tigré (FLPT) se preparam para partir em Mekele, capital da região na Etiópia - Yasuyoshi Chiba - 30.jun.21/AFP · Yasuyoshi Chiba - 30.jun.21/AFP
    Combatentes da Frente de Libertação do Povo Tigré (FLPT) se preparam para partir em Mekele, capital da região na Etiópia - Yasuyoshi Chiba - 30.jun.21/AFP · Yasuyoshi Chiba - 30.jun.21/AFP — Foto: UOL · Fonte: UOL

    No primeiro semestre, a FLPT retomou o controle político de Tigré e anunciou que Debretsion Gebremichael, que liderou a região durante a guerra anterior, assumiria a presidência regional.

    Os combates se intensificaram no fim de setembro, quando a FLPT tomou aeroportos sob controle federal na capital de Tigré, Mekelle, assim como nas cidades de Axum e Shire. Os rebeldes afirmaram que o grupo estava "iniciando operações defensivas" em resposta a uma invasão, com ataques de drones e artilharia de Adis Abeba.

    O exército e as milícias aliadas avançaram recentemente em direção a Mekelle. As milícias da Aliança pela Sobrevivência avançaram para o sul, em Amhara, e para o leste, em Afar.

    Guerra do Sudão completa três anos sem vias de cessar-fogo
    Guerra do Sudão completa três anos sem vias de cessar-fogo — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Segundo especialistas, um dos objetivos da aliança é interromper a rodovia que liga a Etiópia a Djibuti. O país não tem saída para o mar, o que torna o porto de Djibuti uma rota vital para o comércio e o transporte de armas.

    Vários países têm interesses econômicos e de segurança na região, mas nenhum mais do que a Eritreia . O país travou uma guerra contra Adis Abeba entre 1998 e 2000, e as relações entre ambos permaneceram hostis por muitos anos.

    Em 2020, após uma reaproximação que rendeu a Abiy o Prêmio Nobel da Paz , a Eritreia combateu ao lado do governo federal na guerra contra Tigré. Grupos de direitos humanos acusaram o país de cometer atrocidades no conflito.

    O ex-presidente da Nigéria, Olusegun Obasanjo, discursa no lançamento de um relatório sobre o processo de paz em Tigré, durante a 38ª Cúpula da União Africana em Adis Abeba - Amanuel Sileshi - 16.fev.25/AFP · Amanuel Sileshi - 16.fev.25/AFP
    O ex-presidente da Nigéria, Olusegun Obasanjo, discursa no lançamento de um relatório sobre o processo de paz em Tigré, durante a 38ª Cúpula da União Africana em Adis Abeba - Amanuel Sileshi - 16.fev.25/AFP · Amanuel Sileshi - 16.fev.25/AFP — Foto: UOL · Fonte: UOL

    A Eritreia aproximou-se recentemente dos líderes da região etíope, em parte porque Tigré funciona como um porto seguro contra a ambição declarada da Etiópia de garantir acesso ao Mar Vermelho —perdido quando a Eritreia se tornou independente, na década de 1990. O porto eritreu de Assab fica a apenas 65 km da fronteira do norte etíope.

    Com o aumento das tensões, os dois países anunciaram na quinta-feira (1º) que fechariam suas respectivas embaixadas e expulsariam seus diplomatas. O Ministério das Relações Exteriores da Etiópia acusou a Eritreia de "atos de hostilidade", enquanto a Eritreia afirmou que Adis Abeba praticava uma "hostilidade incessante" em sua busca por um porto.

    Ainda não está claro se as forças eritreias se envolverão diretamente nos combates, disseram analistas.

    Homem armado com fuzil e munição na cabeça lidera grupo de combatentes em praça com palmeiras e monumento ao fundo. Bandeira vermelha com estrela amarela é exibida por um dos integrantes.
    Homem armado com fuzil e munição na cabeça lidera grupo de combatentes em praça com palmeiras e monumento ao fundo. Bandeira vermelha com estrela amarela é exibida por um dos integrantes. — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Entre os aliados da Eritreia está o Egito , que criticou publicamente a Etiópia pela construção de uma enorme represa no rio Nilo . Outros aliados eritreus incluem as Forças Armadas Sudanesas e a Arábia Saudita .

    A Etiópia mantém laços estreitos com os Emirados Árabes Unidos , um dos principais investidores no país. Os emiratis são amplamente acusados de apoiar as Forças de Apoio Rápido , um grupo paramilitar que combate o exército sudanês em uma "guerra esquecida" que dura três anos e já matou dezenas de milhares .

    Analistas alertam que um novo conflito na Etiópia pode, na prática, fundir-se à guerra civil no Sudão ao longo da fronteira, com interesses de potências estrangeiras disputando influência por meio de forças aliadas.

    Homem idoso usando óculos e traje tradicional nigeriano azul escuro com bordados claros, incluindo um chapéu típico, fala diante de um microfone em ambiente interno.
    Homem idoso usando óculos e traje tradicional nigeriano azul escuro com bordados claros, incluindo um chapéu típico, fala diante de um microfone em ambiente interno. — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Vários líderes mundiais, incluindo o papa, pediram mediação, e seis senadores democratas solicitaram ao secretário de Estado dos Estados Unidos , Marco Rubio , que intervenha.

    O ex-presidente da Nigéria , Olusegun Obasanjo, um dos mais relevantes diplomatas africanos, lidera uma iniciativa de mediação em nome da União Africana. Mas os líderes do Tigré criticam a organização, cuja sede fica em Adis Abeba, sob acusações de que ela favorece o governo federal.

    Como resultado, segundo analistas, não há um mediador de destaque que conte com a confiança de todos os lados.

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    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background.
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    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background. Foto: Mario / adobe stock — Foto: UOL · Fonte: UOL

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/10/o-que-voce-precisa-saber-sobre-a-guerra-civil-na-etiopia-o-segundo-pais-mais-populoso-da-africa.shtml.

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    Membros da Força de Paz Tigré (TPF), pró-governo da Etiópia, patrulham as ruas da cidade de Mekelle em uma caminhonete - 4.out.26/AFP · 4.out.26/AFP — Foto: UOL

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