Brasil

    O que o baixo desemprego esconde

    O Brasil atingiu recordes favoráveis no mercado de trabalho , com mais de 103 milhões de pessoas ocupadas e taxa em torno de 59%, a maior da série do IBGE iniciada em 2012. Mas, a despeito do aumento do emprego, a participação das vagas formais no total ainda deixa a desejar. Leia mais (10/02/2026 - 22h00)

    Folha de S.Paulo
    3 de outubro de 2026 às 01:00
    O que o baixo desemprego esconde
    Um entregador em uma motocicleta vermelha está se movendo rapidamente. Ele usa um capacete e uma jaqueta escura, e carrega uma grande mochila vermelha nas costas. O fundo mostra uma rua com outros veículos em movimento, sugerindo um ambient — Foto: Folha de S.Paulo

    Texto não assinado que expressa a opinião da Folha

    Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

    Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

    Entregador que trabalha por meio de aplicativo circula pela avenida Paulista, em São Paulo (SP) - Danilo Verpa/Folhapress · Danilo Verpa/Folhapress
    Entregador que trabalha por meio de aplicativo circula pela avenida Paulista, em São Paulo (SP) - Danilo Verpa/Folhapress · Danilo Verpa/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O Brasil atingiu recordes favoráveis no mercado de trabalho , com mais de 103 milhões de pessoas ocupadas e taxa em torno de 59%, a maior da série do IBGE iniciada em 2012. Mas, a despeito do aumento do emprego, a participação das vagas formais no total ainda deixa a desejar.

    O debate público costuma tratar emprego e formalização como fenômenos quase equivalentes. Não são. Quando se consideram os empregados no setor privado, exclusive domésticos, a proporção dos com carteira assinada —basicamente, celetistas— sobre o conjunto dos ocupados caiu de 40,3%, em 2014, para 38,5% no ano passado.

    Já a fatia dos sem carteira subiu de 11,4% para 13,2% nas mesmas bases de comparação.

    Imagem da matéria
    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    É verdade que, quando se levam em conta também os funcionários públicos, os domésticos e os autônomos, a informalidade total no mercado caiu no período, situando-se hoje na casa de ainda muito elevados 37% . Mas os números do setor empresarial são particularmente relevantes.

    A formalidade está associada a maior produtividade, acesso ao crédito, treinamento contínuo, contribuição previdenciária e proteção social. Quando o emprego cresce sem que a formalização acompanhe o movimento, parte dos ganhos econômicos de longo prazo deixa de aparecer.

    Há ainda um efeito menos discutido: a mobilidade social. A formalidade não garante prosperidade, porém contribui para uma trajetória mais previsível de crescimento profissional. É por meio dela que muitos trabalhadores ampliam sua capacidade de investimento em educação e formação de patrimônio.

    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha
    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Quando a proporção dos empregados sem carteira assinada é elevada, essas pontes para a ascensão se tornam mais frágeis.

    Deve-se reconhecer que o mercado de trabalho mudou. Profissionais autônomos, microempreendedores e trabalhadores de plataformas digitais frequentemente valorizam flexibilidade e autonomia . Em muitos casos, suas rendas podem superar as de empregos tradicionais.

    Tratar toda informalidade como sinônimo de precariedade, portanto, seria ignorar transformações relevantes da economia .

    Mesmo admitindo isso, os dados indicam que parte importante dos empregos criados surgiu em modalidades com menor proteção social e menor integração aos mecanismos tradicionais de produtividade. O sucesso não deveria ser medido apenas pela quantidade de pessoas trabalhando mas também pela qualidade econômica dessas vagas.

    Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!

    Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?

    Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.

    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/10/o-que-o-baixo-desemprego-esconde.shtml.

    Imagem 1
    1 / 3

    Entregador que trabalha por meio de aplicativo circula pela avenida Paulista, em São Paulo (SP) - Danilo Verpa/Folhapress · Danilo Verpa/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)