O que não contam sobre Bukele
Em 2015, Nayib Bukele foi eleito prefeito da capital de El Salvador, San Salvador, pela Frente Farabundo Martí para a Libertação Nacional, a FMLN, antiga guerrilha transformada em partido depois da guerra civil. Antes disso, em 2012, também pelo partido de esquerda, havia sido prefeito de Nuevo Cuscatlán. Leia mais (09/06/2026 - 23h00)

Doutora em ciência da informação, mestra em educação e jornalista. Autora de "Quando me Descobri Negra"
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Em 2015, Nayib Bukele foi eleito prefeito da capital de El Salvador, San Salvador, pela Frente Farabundo Martí para a Libertação Nacional, a FMLN, antiga guerrilha transformada em partido depois da guerra civil. Antes disso, em 2012, também pelo partido de esquerda, havia sido prefeito de Nuevo Cuscatlán.
Jovem empresário do ramo da publicidade, Bukele levou a sério a pesquisa de 2018 indicando que mais de 75% da população de El Salvador concordava que nem Arena nem FMLN deveriam voltar a governar. Melhor que ser de esquerda ou de direita era ser novidade.
Expulso da FMLN em 2017, depois de conflitos sucessivos com a direção partidária, criou o movimento Novas Ideias, posteriormente transformado em partido. Como a legenda foi registrada tarde demais para lançar sua candidatura presidencial em 2019, Bukele tentou primeiro concorrer pelo Mudança Democrática, partido de centro-esquerda, e, frustrada essa possibilidade, filiou-se à Gana, partido de direita.

Naquele momento, Bukele se apresentou como o homem que poderia romper com o bipartidarismo. Fez campanha contra "os de sempre", atacou a corrupção nas redes sociais e apresentou a juventude que o segue como contraponto às elites políticas tradicionais. Ganhou no primeiro turno, com cerca de 53% dos votos.
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A identidade de líder, de herói salvador, somou-se à diminuição intencional da identificação partidária e colocou no centro de sua atuação o que 58,6% dos entrevistados de uma importante pesquisa apontavam como o problema mais grave do país: a insegurança.

Se você não sabia de tudo isso e não está acreditando, cheque. E aproveite também para buscar informações sobre as numerosas evidências de negociações clandestinas entre representantes de seu governo e as principais facções.
Sim, a história oficial que associa o sucesso de Bukele contra os homicídios ao encarceramento em massa esconde que a queda começou antes do regime de exceção e das prisões massivas iniciadas em 2022 .
Documentos penitenciários analisados pelo jornal El Faro registram reuniões de funcionários do governo com líderes da MS-13 desde os primeiros meses da administração. As conversas tratavam da redução dos homicídios, de benefícios penitenciários às facções e da colaboração eleitoral com o Novas Ideias.
Em 2021, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos impôs sanções a dois funcionários salvadorenhos e declarou que representantes do governo haviam oferecido incentivos financeiros e privilégios ao crime organizado, especificamente ao MS-13 e Barrio 18, em troca da redução da violência e de apoio político.
Trago outro conjunto de informações para você checar. As gangues que Bukele diz ter derrotado não nasceram nas ruas de El Salvador. A Barrio 18 surgiu em Los Angeles na década de 1960, e a MS-13 foi formada nos anos 1980, entre jovens salvadorenhos que haviam chegado aos Estados Unidos durante a guerra civil. As políticas americanas de deportação dos anos 1990 ajudaram a transportar essas estruturas para uma sociedade recém-saída da guerra.
Já em El Salvador, sucessivas políticas de encarceramento encheram as prisões de jovens identificados como membros de gangues e separaram os presos segundo sua filiação. As cadeias se consolidaram como espaços de recrutamento, organização e comando das próprias gangues. Sabemos bem como acontece.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/bianca-santana/2026/09/o-que-nao-contam-sobre-bukele.shtml.

O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, gesticula durante pronunciamento em San Salvador. - Jose Cabezas/REUTERS · Jose Cabezas/REUTERS — Foto: Folha de S.Paulo
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