Brasil

    O que impede o Brasil de melhorar

    Qual é o principal problema do país? Faço aqui a minha aposta. Nos últimos tempos, atribuí nossas mazelas à polarização política e ao enfraquecimento do centro democrático . Continuo convencido de que são questões prementes. Basta lembrar que, em outubro , pela terceira vez, o Brasil optará entre dois candidatos rejeitados igualmente por metade dos eleitores . Mas o beco ao qual o populismo nos conduziu é consequência, não causa. Leia mais (09/08/2026 - 22h00)

    Folha de S.Paulo
    9 de setembro de 2026 às 01:00
    O que impede o Brasil de melhorar
    A imagem mostra uma vista panorâmica da Esplanada dos Ministérios em Brasília, com a bandeira do Brasil em primeiro plano. Ao fundo, destacam-se os edifícios do Congresso Nacional e o Palácio da Alvorada, além de uma ampla área verde e ruas — Foto: Folha de S.Paulo

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    Imagem aérea feita por drone mostra a praça dos Três Poderes, com destaque para o Congresso Nacional ao centro, o Palácio do Planalto à esquerda e o Supremo Tribunal Federal à direita - Pedro Ladeira - 31.jan.25/Folhapress
    Imagem aérea feita por drone mostra a praça dos Três Poderes, com destaque para o Congresso Nacional ao centro, o Palácio do Planalto à esquerda e o Supremo Tribunal Federal à direita - Pedro Ladeira - 31.jan.25/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Consultor de posicionamento organizacional e membro de conselhos; fundador da Significa, foi sócio e CEO da Edelman Brasil

    Qual é o principal problema do país? Faço aqui a minha aposta. Nos últimos tempos, atribuí nossas mazelas à polarização política e ao enfraquecimento do centro democrático . Continuo convencido de que são questões prementes. Basta lembrar que, em outubro , pela terceira vez, o Brasil optará entre dois candidatos rejeitados igualmente por metade dos eleitores . Mas o beco ao qual o populismo nos conduziu é consequência, não causa.

    Entendo que o entrave central é a degradação da capacidade de representação, mediação e construção de consensos da nossa democracia. Vivemos uma grave crise de governança, que trava a implementação das melhorias que o país demanda.

    Polarização política
    Polarização política — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Sem capacidade de representar os diferentes interesses da sociedade, arbitrar conflitos, estabelecer prioridades e articular maiorias políticas, o país permanecerá abaixo do seu potencial.

    Nossas instituições e mecanismos políticos responsáveis por construir projetos coletivos para a evolução socioeconômica perderam força, legitimidade e eficiência. E, nesse vazio, entre outras mazelas, emergiu ainda mais o populismo, que se alimenta de ilusão e maniqueísmo.

    Há convergência entre especialistas: o Brasil só ingressará em uma trajetória sustentada de prosperidade se conseguir realizar um conjunto de reformas estruturais e melhorias incrementais na economia, na gestão pública, no sistema político, na educação, na saúde, na segurança e na agenda climática.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    As medidas capazes de produzir transformações estruturais são, em essência, antipopulistas: exigem escolhas difíceis, impõem custos e não oferecem benefícios no presente para gerar resultados efetivos no futuro.

    Não faltam diagnósticos nem proposições embasadas para o Brasil evoluir. Ao contrário. Ocupando vazios deixados por governos e partidos políticos, organizações da sociedade civil vêm produzindo estudos e formulando políticas de Estado com base científica para os nossos principais desafios.

    Sabemos o que precisa ser feito. O que nos falta é capacidade política para transformar conhecimento em ação, interesses dispersos em objetivos comuns e iniciativas pontuais em estratégias de longo prazo.

    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha
    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Não conseguimos rever privilégios perpetuados, reorganizar as contas públicas, enfrentar interesses corporativos, aprimorar o Estado. Conhecemos as soluções, mas não temos capacidade para implementá-las e sustentá-las.

    Vivemos sob o império do improviso, da recompensa instantânea, do conflito permanente, da fragmentação.

    Precisamos reconstruir as condições que permitam à nossa democracia funcionar melhor e entregar melhores resultados.

    Há amplo espaço e necessidade de a sociedade civil também assumir o protagonismo no aperfeiçoamento dos nossos mecanismos de representação política e organização democrática. Nada indica que esse movimento virá da atual estrutura de poder.

    Temos boas propostas em segmentos dessa frente. O que falta é uma iniciativa capaz de conectá-las, orquestrar uma agenda comum e transformar conhecimento e ação dispersos em incidência potente sobre o sistema político.

    Precisamos de uma organização civil estratégica que promova uma coalizão entre as demais organizações que trabalham em políticas públicas, com a missão de recriar as condições necessárias para o Brasil tomar as decisões difíceis e realizar transformações estruturais de que tanto carece.

    Uma plataforma que consolide conhecimentos, diagnósticos e propostas, mobilize atores-chave e articule a implementação de mudanças, atuando de forma estratégica, persistente, suprapartidária e apartidária para aperfeiçoar o funcionamento da democracia brasileira e da governança do país.

    Uma organização dedicada ao aperfeiçoamento da infraestrutura institucional para que o sistema democrático priorize o interesse público.

    Se fortalecermos nossa capacidade de representação, mediação e coordenação política para a construção de consensos, estaremos mais aptos a definir prioridades para enfrentar nossas pragas históricas: a desigualdade estrutural, o patrimonialismo, o corporativismo e o clientelismo.

    Uma democracia funcional, capaz de colocar o Brasil no rumo da prosperidade, inclusão, sustentabilidade e estabilidade institucional, é o melhor antídoto contra a sedução dos atalhos autoritários. TENDÊNCIAS / DEBATES Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/09/o-que-impede-o-brasil-de-melhorar.shtml.

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    Imagem aérea feita por drone mostra a praça dos Três Poderes, com destaque para o Congresso Nacional ao centro, o Palácio do Planalto à esquerda e o Supremo Tribunal Federal à direita - Pedro Ladeira - 31.jan.25/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

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