O que fazer com a AfD?
Até aqui, a estratégia dos partidos mainstream europeus de isolar a direita radical para impedir que ela chegue ao poder tem experimentado sucesso relativo. Exemplos desse mecanismo de "cordon sanitaire" incluem a eleição presidencial portuguesa de fevereiro, quando o ultradireitista André Ventura , do Chega, foi derrotado, e as duas vezes, 2017 e 2022, em que sua congênere francesa, Marine Le Pen , perdeu o segundo turno do pleito para Emmanuel Macron . Leia mais (09/11/2026 - 12h34)

Jornalista, foi editor de Opinião. É autor de "Pensando Bem…"
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Até aqui, a estratégia dos partidos mainstream europeus de isolar a direita radical para impedir que ela chegue ao poder tem experimentado sucesso relativo. Exemplos desse mecanismo de "cordon sanitaire" incluem a eleição presidencial portuguesa de fevereiro, quando o ultradireitista André Ventura , do Chega, foi derrotado, e as duas vezes, 2017 e 2022, em que sua congênere francesa, Marine Le Pen , perdeu o segundo turno do pleito para Emmanuel Macron .
O "Brandmauer" (porta corta-fogo), que é a versão alemã do cordão sanitário, poderá funcionar agora e evitar que o partido extremista AfD (Alternativa para a Alemanha ) comande o estado da Saxônia-Anhalt, apesar de ter obtido 44% dos votos e ter ficado a três cadeiras da maioria que lhe permitiria governar sem depender de ninguém.
O ponto é que essa estratégia não funcionará para sempre. Le Pen já figura como favorita para o pleito presidencial francês de 2027, e a AfD tem crescido rapidamente na preferência dos alemães. Se o "cordon sanitaire" tem a virtude de evitar que representantes de uma ideologia perigosa assumam postos de comando do Estado, também carrega o ônus de conceder a esses partidos o duplo benefício de poderem posar de vítimas do sistema, o que tem apelo eleitoral, e de poupá-los do desgaste do poder, que tem sido inclemente com governantes. Se a direita radical continuar crescendo, não restará outro caminho às forças democráticas que não o abandonar a estratégia do isolamento e tentar reduzir a virulência dessas legendas , mesmo que ao preço de negociar com elas. Não é impossível. Marine Le Pen já ficou menos radical que seu pai, o fundador do movimento. A italiana Giorgia Meloni, eleita por um partido com origens fascistas, faz um governo institucionalmente bem-comportado. Até se afastou de Vladimir Putin para estreitar a ligação com a UE (o sistema).

O avanço da ultradireita é um pouco como a mudança climática . Precisamos tentar agir tanto sobre as causas (mitigação) como sobre os efeitos (adaptação).
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/helioschwartsman/2026/09/o-que-fazer-com-a-afd.shtml.

Ulrich Siegmund, cotado para ser o primeiro governador da AfD na Alemanha, faz selfie ao fim de uma entrevista coletiva em Berlim, na segunda (7) - Fabrizio Bensch/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo
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