O que faz uma startup ser uma startup? Entenda o que diferencia esse modelo de negócio
Startups são construídas em um processo de testes, validação e busca por um modelo de negócio capaz de crescer NexAtlas Qual é a diferença entre uma empresa tradicional e uma startup? Ao contrário do que muita gente imagina, a resposta vai além da criação de produtos ou serviços inéditos. Com mais de 26 mil startups mapeadas no Brasil em 2026, saber o que caracteriza esse modelo de negócio ajuda a compreender a trajetória de milhares de empreendedores. Para Cristina Mieko, gestora de startups do Sebrae Nacional, a diferença começa na forma como esses negócios são construídos. Enquanto empresas
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Startups são construídas em um processo de testes, validação e busca por um modelo de negócio capaz de crescer — Foto: NexAtlas
Qual é a diferença entre uma empresa tradicional e uma startup? Ao contrário do que muita gente imagina, a resposta vai além da criação de produtos ou serviços inéditos. Com mais de 26 mil startups mapeadas no Brasil em 2026, saber o que caracteriza esse modelo de negócio ajuda a compreender a trajetória de milhares de empreendedores.
Para Cristina Mieko, gestora de startups do Sebrae Nacional, a diferença começa na forma como esses negócios são construídos. Enquanto empresas tradicionais costumam partir de mercados já consolidados, startups surgem em cenários de incerteza, seguindo uma lógica própria para transformar uma ideia em um negócio, a partir de um problema identificado.

Essa dinâmica explica por que algumas iniciativas conseguem crescer rapidamente, enquanto outras ficam pelo caminho.
Uma startup surge para responder a um problema comum e relevante cuja solução e forma de operar ainda precisam ser descobertos. Embora o principal ramo de atuação das startups brasileiras seja o de Tecnologia da Informação (15,7%), em que predominam softwares comercializados por assinatura (Software as a Service), startup não é sinônimo de aplicativo ou empresa digital.
"Quando falamos de startups, muitas pessoas associam imediatamente a aplicativos e empresas de software. Mas a tecnologia é, muitas vezes, apenas o meio. Temos startups desenvolvendo soluções para aumentar a produtividade no agronegócio, melhorar o acesso à saúde, transformar a educação, apoiar a sustentabilidade e resolver desafios de diversos setores. O que caracteriza uma startup não é apenas ser digital, mas sua capacidade de inovar para solucionar problemas reais de forma escalável", explica Cristina Mieko.
"Startup é uma empresa nascente de base tecnológica com um produto repetível e escalável, com um modelo de negócio inovador, em um ambiente de extrema incerteza. Mas eu gosto de enxergar as startups como empresas que conseguem resolver problemas de forma inovadora, com muito mais velocidade. Acho que esse é seu grande diferencial frente às empresas tradicionais", afirma Ana Raquel Calháu Pereira, CEO da NexAtlas.
Mineira, de 31 anos e formada em Sistemas de Informação pela Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI), Ana lidera uma startup que busca elevar o padrão de segurança na aviação e reduzir a alta carga cognitiva enfrentada por pilotos de helicópteros e de aviões de pequeno e médio porte.
Entre os diferenciais da NexAtlas mais elogiados, Ana destaca a interface intuitiva, o atendimento e a expertise no espaço aéreo brasileiro — Foto: NexAtlas
"Diferentemente das linhas aéreas, nosso público precisa lidar com o planejamento, a navegação, a manutenção da aeronave, a limpeza do banheiro e até com a alimentação. São muitas decisões para tomar, às vezes em um curto espaço de tempo", resume a CEO.
Diante desses desafios, a NexAtlas desenvolveu a primeira plataforma brasileira de planejamento e navegação aérea. Idealizada em 2011 pelo piloto Vinícius dos Anjos, primo de Ana, a plataforma é especializada no céu brasileiro, funciona como um "GPS da aviação" e centraliza todas as informações que um piloto precisa de forma detalhada.
Um exemplo é a disponibilidade de dados sobre todos os aeródromos do país, o que oferece suporte de pouso onde sistemas globais não entregam precisão, como pistas de terra batida em fazendas no Mato Grosso ou clareiras na região amazônica.
A disposição para entender profundamente um problema faz parte da mentalidade de um empreendedor de startups. Essa sensibilidade, aliás, já guiava Ana Raquel muito antes da faculdade. Filha de empresários do setor de laticínios, ela acompanhava os pais em visitas a clientes. Em uma dessas idas, observou uma funcionária sobrecarregada com tarefas manuais e desenvolveu uma planilha automatizada para organizar pedidos e emitir notas fiscais. Essa solução resolveu uma grande dor da empresa e, mais tarde, a levou a comandar sua primeira startup.
Nessa época, Ana teve um de seus maiores aprendizados ao passar 20 horas em um caminhão de coleta de leite, entendendo a jornada de operação de um cliente. A vivência “mão na massa” reforçou uma convicção que levaria no futuro para a NexAtlas: soluções dificilmente nascem longe da realidade de quem enfrenta o desafio todos os dias.
"Startups existem para resolver problemas, e a gente só consegue fazer isso quando exercita empatia com quem convive com aquela situação", destaca. Para a empreendedora, interdisciplinaridade e atenção aos detalhes complementam essa equação. O exercício da escuta ativa encontra eco nas palavras da especialista do Sebrae, que defende que o empreendedor deve apaixonar-se pelo problema antes de se apegar à solução.
O relato de Ana, inclusive, explica o entrave que a maioria das startups brasileiras enfrenta. Segundo o Sebrae Startups Report Brasil 2025, 62,8% dos negócios ainda estão nas primeiras fases, ideação e validação, respectivamente. Poucas startups conseguem avançar para os estágios seguintes de maturidade: tração (23,7%), crescimento (11%) e escala (2,4%).
Segundo Mieko, a maior dor dos empreendedores de startup hoje é a tração, isto é, fazer a solução chegar ao público certo e conquistar clientes. Não por acaso, os desafios também aparecem na sobrevivência e na receita. De acordo com o mesmo relatório, nove em cada dez startups encerram suas atividades nos primeiros anos de busca por um modelo de negócio. Já o Observatório Sebrae Startups 2026 aponta que 57,6% das startups no país ainda não possuem faturamento.
Resiliência e ousadia fazem parte da jornada
Em face de tantos obstáculos na jornada de quem empreende uma startup, Ana evidencia a resiliência, enquanto Cristina Mieko, a ousadia e o comprometimento. Essas virtudes fazem parte da trajetória de Arthur Sendas, de Arapiraca (AL). Desde a infância, o empreendedor convive com a acromatopsia, condição visual que causa cegueira para cores, baixa visão e crises de enxaqueca que afetam temporariamente sua capacidade de enxergar. Diante das dificuldades financeiras da família, aos 13 anos, Arthur encontrou no empreendedorismo uma saída.
Em 2022, a mesma persistência e a paixão pela tecnologia o levaram a fundar a See U App, startup que desenvolve soluções de acessibilidade para pessoas com diferentes graus de deficiência visual. Com o uso de inteligência artificial, o aplicativo interpreta sinais do ambiente e os converte em comandos sonoros, auxiliando na locomoção e na interação dos usuários com o mundo. Assista à história!
Publicado originalmente por G1. Leia a matéria completa em https://g1.globo.com/empreendedorismo/pegn/especial-publicitario/empreenda-com-sebrae/noticia/2026/08/18/o-que-faz-uma-startup-ser-uma-startup-entenda-o-que-diferencia-esse-modelo-de-negocio.ghtml.

See U App, uma das dez startups mais promissoras do país em 2025 — Foto: G1
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