Economia

    O que falta para crescimento da Argentina? Para analistas, recuperação segue frágil

    Uma vista aérea por drone mostra a estação de trem Retiro durante greve de 24 horas contra a reforma trabalhista proposta pelo governo do presidente Javier Milei – 19/02/2026 (Foto: REUTERS/Agustin Marcarian) " data-large-file="https://www.infomoney.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Argentina_Greve.jpg?fit=1280%2C926&quality=70&strip=all" />Mesmo com comércio exterior e disciplina fiscal, mercado de trabalho e demanda ainda parecem fracos The post O que falta para crescimento da Argentina? Para analistas, recuperação segue frágil appeared first on InfoMoney .

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    23 de agosto de 2026 às 09:00
    O que falta para crescimento da Argentina? Para analistas, recuperação segue frágil
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    Uma vista aérea por drone mostra a estação de trem Retiro durante greve de 24 horas contra a reforma trabalhista proposta pelo governo do presidente Javier Milei – 19/02/2026 (Foto: REUTERS/Agustin Marcarian)

    A economia da Argentina segue apresentando sinais mistos de recuperação, combinando melhora recente de alguns indicadores com fraqueza persistente na demanda doméstica, no mercado de trabalho e no consumo.

    Relatórios divulgados pelo Itaú BBA e pelo Bradesco BBI apontam que o país mantém fundamentos positivos em áreas como comércio exterior e disciplina fiscal, mas ainda enfrenta desafios para consolidar um ciclo mais robusto de crescimento.

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    Segundo o Itaú BBA, a atividade econômica argentina registrou alta de 0,8% em junho ante maio, considerando dados com ajuste sazonal. O resultado medido pelo EMAE, indicador mensal que funciona como uma prévia do PIB, interrompeu duas quedas consecutivas observadas anteriormente.

    Apesar do avanço mensal, a economia encolheu 0,9% no segundo trimestre de 2026 em relação ao trimestre imediatamente anterior. O resultado representa uma reversão da expansão de 0,7% registrada nos três primeiros meses do ano.

    Na comparação anual, contudo, o EMAE apresentou crescimento de 2,7% em junho, superando tanto a mediana das projeções de mercado quanto a estimativa do próprio Itaú BBA. Ainda assim, o crescimento médio do segundo trimestre desacelerou para 1,3%, abaixo dos 2,3% registrados no primeiro trimestre.

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    A leitura dos diferentes setores da economia também reforça a percepção de uma recuperação pouco homogênea. As atividades primárias cresceram 9,1% na comparação anual, beneficiadas por uma forte safra agrícola, embora em ritmo inferior ao observado nos primeiros meses do ano.

    A construção civil também continuou avançando, mas mostrou desaceleração. O setor registrou expansão de 1,8% em relação ao mesmo período do ano anterior, abaixo dos 2,5% observados no trimestre precedente.

    Por outro lado, a indústria de transformação recuou 2,1% na comparação anual. De acordo com o Itaú BBA, o desempenho está alinhado à fraqueza nas importações de bens de capital e de insumos intermediários.

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    O setor de serviços, incluindo o comércio, também apresentou perda de dinamismo. A atividade caiu 0,1% em relação ao mesmo período de 2025, após ter avançado 1,1% no primeiro trimestre.

    Os dados do mercado de trabalho ajudam a explicar esse cenário. Os salários reais do setor privado recuaram 2,8% no segundo trimestre, enquanto o emprego formal registrou retração anual de 0,9% em maio, marcando a 24ª queda consecutiva do indicador.

    Os sinais mais recentes de demanda seguem apontando cautela. A confiança do consumidor caiu 1,1% em agosto, para 40,2 pontos, após já ter registrado retração de 4,8% em julho. O componente relacionado à intenção de compra de bens duráveis e imóveis foi o que apresentou maior deterioração.

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    Para o Itaú BBA, esses indicadores reforçam que a recuperação permanece frágil. O banco manteve sua projeção de crescimento de 2,8% para o PIB argentino em 2026, mas ressaltou que os riscos continuam inclinados para baixo em razão da demanda ainda enfraquecida.

    Enquanto a atividade doméstica segue mostrando limitações, o setor externo continua oferecendo suporte importante à economia. Em julho, a Argentina registrou superávit comercial de US$ 2,1 bilhões, acima dos US$ 900 milhões observados um ano antes.

    Com isso, o superávit acumulado em 12 meses alcançou US$ 23,7 bilhões, ante US$ 22,5 bilhões em junho. O resultado ficou ligeiramente abaixo das expectativas do mercado, mas confirmou a continuidade do forte desempenho da balança comercial.

    As exportações continuam sendo o principal motor desse movimento. No trimestre encerrado em julho, as vendas externas avançaram 24,5% na comparação anual, sustentadas tanto pelo agronegócio quanto por outros segmentos industriais.

    O destaque ficou para o setor energético. O superávit acumulado em 12 meses da balança de energia atingiu US$ 10,8 bilhões em julho, acima dos US$ 10 bilhões registrados no mês anterior. As exportações do segmento cresceram 89,5% na comparação anual, impulsionadas pelos preços mais elevados do petróleo.

    Segundo o Itaú BBA, a combinação entre exportações resilientes e importações relativamente fracas deverá permitir que o Banco Central da Argentina continue acumulando reservas internacionais. A instituição mantém projeção de superávit comercial de US$ 24 bilhões para 2026.

    A avaliação do Bradesco BBI após uma série de reuniões em Buenos Aires reforça a percepção de que o ambiente político permanece relativamente favorável ao presidente Javier Milei. De acordo com o banco, a tese de reeleição do mandatário segue amplamente preservada, embora hoje dependa mais da fragmentação da oposição do que de uma aceleração consistente da atividade econômica.

    O BBI também identificou sinais de estabilização no ciclo de crédito do país. Bancos ouvidos pela instituição indicaram que a inadimplência pode atingir seu pico entre o segundo e o terceiro trimestre deste ano, enquanto a demanda por crédito corporativo começa a apresentar sinais iniciais de recuperação.

    Ainda assim, o banco mantém recomendação Underweight para ações argentinas, especialmente do setor financeiro, por considerar prematuro assumir uma postura mais otimista sem evidências mais claras de crescimento sustentável do crédito e melhora da rentabilidade. Dentro do mercado argentino, as preferências do BBI continuam sendo Vista Energy, Pampa Energía, TGS, Banco Macro e IRSA.

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