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    O que é a peste e como se transmite? Microbiologista explica caso da Rússia

    Informações conflitantes sobre a morte de uma funcionária de um laboratório em um instituto de pesquisa da peste na Rússia alimentaram receios sobre a possibilidade de proliferação da peste pneumônica. Leia mais (10/07/2026 - 14h43)

    Folha de S.Paulo
    7 de outubro de 2026 às 17:43
    O que é a peste e como se transmite? Microbiologista explica caso da Rússia
    Dois profissionais com trajes brancos de proteção, máscaras e luvas trabalham em ambiente controlado de laboratório, manipulando amostras dentro de uma cabine de segurança com vidro transparente. — Foto: Folha de S.Paulo

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    Professor Sênior de Microbiologia na Western Sydney University (Austrália)

    Equipe do Instituto de Pesquisa Anti-Peste de Irkutsk realiza ações antiepidêmicas na Universíade de Inverno de 2019, em Krasnoyarsk. - Divulgação Irkutsk Antiplague Research Institute/AFP · Divulgação Irkutsk Antiplague Research Institute/
    Equipe do Instituto de Pesquisa Anti-Peste de Irkutsk realiza ações antiepidêmicas na Universíade de Inverno de 2019, em Krasnoyarsk. - Divulgação Irkutsk Antiplague Research Institute/AFP · Divulgação Irkutsk Antiplague Research Institute/ — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Informações conflitantes sobre a morte de uma funcionária de um laboratório em um instituto de pesquisa da peste na Rússia alimentaram receios sobre a possibilidade de proliferação da peste pneumônica.

    Quase 200 pessoas estão em quarentena na Sibéria depois que Darya Shipilova, de 28 anos, adoeceu no trabalho e posteriormente morreu em 2 de outubro.

    As circunstâncias exatas da morte são desconhecidas . Uma alta autoridade russa publicou nas redes sociais na semana passada que Shipilova "havia morrido de peste" —antes de editar a publicação para adicionar "possivelmente".

    Primeira epidemia de peste aconteceu há 5.500 anos
    Primeira epidemia de peste aconteceu há 5.500 anos — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Desde então, o órgão de vigilância sanitária da Rússia declarou que ela morreu de "pneumonia de etiologia desconhecida".

    Relatos da mídia local sugeriram que ela foi infectada após um acidente no laboratório onde trabalhava, o Instituto de Pesquisa Anti-Peste de Irkutsk da Sibéria e do Extremo Oriente. No entanto, essas informações não foram confirmadas.

    Afinal, o que é a peste e como ela se espalha? Devemos nos preocupar?

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A peste é causada pela bactéria Yersinia pestis . A bactéria geralmente vive em roedores de hábitos subterrâneos ou terrestres, como ratos e cães-da-pradaria, mas também pode infectar humanos.

    A mesma bactéria Y. pestis pode causar três tipos diferentes de peste. A peste bubônica é transmitida de animais para humanos por pulgas e causa inchaço (chamado de bubões) nos linfonodos. Outros sintomas incluem febre, dor de cabeça, calafrios e fraqueza.

    A peste bubônica pode matar em poucos dias se antibióticos não forem utilizados. Entre 30% e 60% das pessoas que contraem essa forma da peste morrem.

    A peste septicêmica ocorre quando a peste bubônica não é tratada, ou pode ocorrer diretamente se a doença entrar na corrente sanguínea. A peste septicêmica causa sangramento nos órgãos; o nome refere-se à infecção grave no sangue, a septicemia, que essa forma da doença pode causar.

    A peste pneumônica —a causa suspeita, mas não confirmada, da morte de Shipilova na Sibéria– pode ocorrer quando a peste bubônica se espalha para os pulmões. Porém, a peste pneumônica também pode se espalhar de pessoa para pessoa por meio de gotículas respiratórias microscópicas.

    A peste pneumônica é a forma mais rara, porém mais grave. A taxa de mortalidade chega a 100% se não for tratada.

    Além dos outros sintomas, a peste pneumônica também inclui pneumonia grave —uma infecção nos pulmões, neste caso causada por bactérias.

    A peste bubônica foi responsável pela morte de dezenas de milhões de pessoas no Mediterrâneo ocidental entre 541 e 750 d.C. (a Peste de Justiniano) e matou até metade da população da Europa na Idade Média (a Peste Negra).

    Contudo, ocorreram surtos desde os tempos medievais. Uma terceira pandemia , que se estendeu do final do século 19 ao início do século 20, matou até 12 milhões de pessoas.

    A peste ainda é endêmica na Ásia Central, África, Américas e Sibéria, onde a funcionária do laboratório russo morreu na semana passada. Isso significa que ela está presente nesses locais em um nível estável e constante.

    Os casos costumam ocorrer em áreas rurais e agrícolas, o que torna incomum um potencial vazamento de laboratório em uma área urbana.

    Sim. Um ciclo de 10 a 14 dias de antibióticos (seja por via oral ou intravenosa) trata a peste —desde que sejam administrados logo após a infecção.

    No entanto, desde 1995, várias cepas resistentes a antibióticos foram detectadas na natureza. Na década de 1980, cientistas da União Soviética também desenvolveram cepas resistentes —esse histórico forma a base de cenários hipotéticos envolvendo guerra biológica.

    Apesar disso, não há evidências de que a cepa que supostamente matou Shipilova não possa ser tratada com antibióticos ou de que o laboratório esteja pesquisando armas biológicas .

    Houve apenas um grande surto documentado de peste pneumônica, na década de 1910, na China .

    Ainda não sabemos muito sobre o caso na Sibéria. Mas, neste estágio, há poucas evidências que causem preocupação quanto ao potencial para uma epidemia (que é localizada) ou uma pandemia (que envolve múltiplos países).

    Em um comunicado na segunda-feira, a OMS (Organização Mundial da Saúde ) declarou estar ciente dos relatos de que uma funcionária de laboratório em Irkutsk havia "morrido de pneumonia grave", mas que nenhuma causa da morte foi confirmada oficialmente.

    O comunicado da OMS também afirmou: "Com base nas informações não oficiais disponíveis, o risco à saúde pública para a população em geral parece ser baixo. A avaliação de risco será atualizada assim que houver mais informações disponíveis."

    Para avaliar esse risco, o acesso a informações transparentes sobre como Shipilova adoeceu e morreu será essencial.

    Este texto foi publicado no The Conversation . Clique aqui para ler a versão original.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2026/10/o-que-e-a-peste-e-como-se-transmite-microbiologista-explica-caso-da-russia.shtml.

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    Equipe do Instituto de Pesquisa Anti-Peste de Irkutsk realiza ações antiepidêmicas na Universíade de Inverno de 2019, em Krasnoyarsk. - Divulgação Irkutsk Antiplague Research Institute/AFP · Divulgação Irkutsk Antiplague Research Institute/ — Foto: Folha de S.Paulo

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