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    O que dizem os preços dos ativos sobre o primeiro turno

    A segunda-feira (5) seguinte ao primeiro turno das eleições entrou para a história dos mercados. Logo na abertura do mercado brasileiro, o real se valorizou 4,5%, com o dólar abaixo dos R$ 5. A Bolsa subiu 8% e superou, pela primeira vez, os 200 mil pontos . Os juros futuros recuaram 110 pontos-base. As ações do Banco do Brasil dispararam 21%, e o EWZ, principal porta de entrada do investidor estrangeiro na Bolsa brasileira, avançou 12% em Nova York . Leia mais (10/06/2026 - 06h00)

    Folha de S.Paulo
    6 de outubro de 2026 às 09:00
    O que dizem os preços dos ativos sobre o primeiro turno
    A imagem mostra uma variedade de notas de dinheiro, incluindo cédulas do Brasil e dos Estados Unidos. As cédulas estão dispostas de forma sobreposta, com destaque para uma nota de 100 reais, uma nota de 20 dólares e outras cédulas de difere — Foto: Folha de S.Paulo

    Economista e CEO da Bradesco Asset Management. Foi secretário especial do Tesouro e Orçamento, secretário do Tesouro Nacional e secretário da Fazenda do Espírito Santo

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    Dólar cai, Bolsa salta e juros recuam com demanda maior por ativos locais - Pedro Affonso/Folhapress · Pedro Affonso/Folhapress
    Dólar cai, Bolsa salta e juros recuam com demanda maior por ativos locais - Pedro Affonso/Folhapress · Pedro Affonso/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A segunda-feira (5) seguinte ao primeiro turno das eleições entrou para a história dos mercados. Logo na abertura do mercado brasileiro, o real se valorizou 4,5%, com o dólar abaixo dos R$ 5. A Bolsa subiu 8% e superou, pela primeira vez, os 200 mil pontos . Os juros futuros recuaram 110 pontos-base. As ações do Banco do Brasil dispararam 21%, e o EWZ, principal porta de entrada do investidor estrangeiro na Bolsa brasileira, avançou 12% em Nova York .

    O que esses preços estão dizendo? Preço nada mais é do que resultado de compras e vendas. Quando sobe dessa forma, revela uma demanda por Brasil muito maior do que a que existia antes da apuração.

    Um movimento dessa magnitude não reflete a certeza de um resultado, que segue em aberto até 25 de outubro. Reflete o valor elevado que os investidores atribuem a um cenário capaz de colocar as contas públicas em ordem e, com elas, a economia como um todo.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Variações assim mostram onde estamos e quanto podemos avançar se a agenda fiscal for, de fato, abraçada. Um prêmio de risco muito alto funciona como uma mola comprimida: basta a hipótese de mudança para destravar muito valor, porque aumenta a chance de um ajuste nas contas. Não por acaso, os maiores ganhos vieram dos ativos mais sensíveis ao risco fiscal: os títulos prefixados do Tesouro, as estatais e a Bolsa como um todo. Todos se beneficiam, em larga escala, da queda dos juros.

    O ponto de partida explica a figura da mola. A dívida bruta do país vem crescendo de forma acelerada e chegou a 82,9% do PIB (Produto Interno Bruto) em agosto, mais de dez pontos percentuais acima do nível do início do atual mandato. Juros reais elevados por anos foram a forma que os investidores encontraram para cobrar por esse crescimento acelerado e pela falta de previsibilidade, depois que a regra fiscal perdeu a capacidade de ancorar expectativas. Uma queda de 110 pontos-base em um único dia mostra quanto desse prêmio é fiscal, e não monetário.

    O diagnóstico não é novo e vem sendo repetido há tempos. O decisivo é a capacidade de liderar essa agenda, ou seja, se o próximo governo apresentará um plano crível, capaz de ser aprovado no Congresso e executado. Estima-se que o ajuste necessário para estabilizar a dívida seja de cerca de 2% do PIB, qualquer que seja o vencedor.

    Por isso, ler o rali apenas como aposta eleitoral é enxergar só metade da história. Todo o ganho já embutido nos preços depende de medidas que ainda precisam ser propostas, aprovadas e executadas. Daí o papel central da composição do novo Congresso.

    Há outra informação embutida nesse movimento. Se os preços reagem tanto à possibilidade de uma possível nova trajetória fiscal, é porque o prêmio cobrado até sexta-feira (2) refletia, em boa medida, as incertezas acumuladas sobre as contas públicas. Os preços desta segunda (5) dizem mais sobre o diagnóstico do presente do que sobre o futuro.

    Esse recado vale para todos que pensam no futuro da política fiscal do país. Os preços mostram quanto valor pode ser destravado a partir de uma boa gestão das contas e uma âncora fiscal crível. O mercado não sabe quem vencerá. O que ele diz é que há muito valor associado a uma política fiscal sustentável e previsível.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/bruno-funchal/2026/10/o-que-dizem-os-precos-dos-ativos-sobre-o-primeiro-turno.shtml.

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    Dólar cai, Bolsa salta e juros recuam com demanda maior por ativos locais - Pedro Affonso/Folhapress · Pedro Affonso/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

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