O que cientistas encontraram no DNA de Jonathan, a tartaruga-gigante de 194 anos, pode ajudar a estender a vida humana
Réptil nascido na década de 1880 conheceu várias gerações de monarcas britânicos e teve seu genoma analisado a fundo; resultados foram publicados nesta quinta-feira (8)

Uma tartaruga-gigante-de-aldabra adulta aparece em fotografia em preto e branco tirada em 1886; em registro em sépia ao lado de uma jovem Elizabeth II em 1947 e em vídeos coloridos de alta qualidade publicados no Instagram em 2026.
Em mais de um século de vida, tudo ao seu redor mudou. Mas Jonathan, o animal terrestre mais velho do mundo, continua o mesmo.
Após a confirmação da idade pelo Guinness World Records em julho, um estudo epigenético publicado na Science Advances neste mês tentou desvendar os motivos por trás da longevidade única da tartaruga.

O réptil nasceu no arquipélago de Seicheles, território antes conhecido como Mauritânia e pertencente à Coroa Britânica. Ele foi levado para a ilha de Santa Helena , parte do Reino Unido, como presente para um político que se tornaria governador da área.
Como Jonathan chegou a Santa Helena já adulto, sua idade exata não é conhecida; estima-se que tenha nascido em 1832. Seu aniversário é comemorado no dia 4 de dezembro.
A tartaruga conheceu diversas gerações de monarcas britânicos e acompanhou o passar dos anos desde a impressão do primeiro selo de carta, em 1840, até o lançamento do primeiro website em 1991.

Jonathan ainda vive no gramado da sede do governo de Santa Helena, a Plantation House. Ele foi apelidado de "Jono" pela população local e é frequentemente mimado com festas de aniversário, presentes comestíveis e visitas de turistas, como "embaixador" não oficial do turismo na ilha.
A análise de todo o material genético (genoma) e das marcas químicas presentes no DNA (metiloma) revelou 284 variantes de genes exclusivas a Jonathan, não encontradas nas outras duas tartarugas-gigantes analisadas. Ainda, 41 destes genes apresentam mutações que afetam positivamente a saúde do animal centenário, sendo 12 deles diretamente ligados às características de longevidade.
Ele também apresenta padrões de "desgaste" em 272 genes importantes que se assemelham muito mais a tartarugas filhotes do que a indivíduos próximos à sua idade. Jonathan parece ter "bloqueado" o acúmulo desordenado das marcas químicas – um fenômeno conhecido como "entropia de metilação" e associado ao envelhecimento – em grandes regiões de seu genoma.

Estas particularidades genéticas fazem com que Jono enfrente menos erros de expressão genética, utilizando energia em suas células com menos desperdício. Os processos de edição e tradução do DNA, necessários para produzir proteínas, têm menos falhas; e mesmo no caso de falhas, as células de Jonathan são capazes de consertá-las mais rapidamente.
Em resumo: as células da tartaruga mais velha do mundo conseguem acessar mais energia e reparar falhas com mais facilidade. É como se, enquanto outras "máquinas" enferrujam e perdem velocidade ao longo dos anos, Jono fosse uma invenção de alta tecnologia que permanece bem cuidada, lubrificada e eficiente por muito mais tempo.
As descobertas no material genético da tartaruga-gigante refletem o que cientistas já identificaram em supercentenários humanos: a importância da entropia de metilação no envelhecimento e quais genes têm maior impacto na duração da vida.

A capacidade de Jono de identificar e corrigir falhas nos processos genéticos, encontrar e eliminar células deficientes e manter uma organização das marcas químicas do DNA similar à de filhotes de tartaruga é impressionante, e pode oferecer um "mapa" para desenvolver intervenções para fazer humanos viverem com saúde por mais tempo.



Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/curiosidades/o-que-cientistas-encontraram-no-dna-de-jonathan-a-tartaruga-gigante-de-194-anos-pode-ajudar-a-estender-a-vida-humana/.

Jonathan já adulto em Santa Helena, em 1886; ao lado, em 2026, com sua placa de reconhecimento do Guiness • Wikimedia Commons · • Wikimedia Commons — Foto: CNN Brasil
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