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    O que causou as grandes secas no fim da Idade do Bronze?

    Estudo ajuda a explicar o clima da época em que se passa o mito de Odisseu e aponta o papel do Oceano Atlântico nas grandes secas da Idade do Bronze O post O que causou as grandes secas no fim da Idade do Bronze? apareceu primeiro em Olhar Digital .

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    3 de setembro de 2026 às 08:30
    O que causou as grandes secas no fim da Idade do Bronze?
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    O blockbuster de Christopher Nolan, Odisseia (2026), baseado nos poemas de “Homero”, conta sobre o retorno de Odisseu à sua família e reino após a Guerra de Troia . A história mitológica se passa no final do período conhecido como Idade do Bronze, que já se encontrava em colapso . O principal motivo dessa queda é apontado por uma grande seca nas regiões , mas a causa da falta de água ainda é desconhecida.

    Entre as explicações mais aceitas estão as mudanças climáticas e a “aridificação ” das regiões do Mediterrâneo, onde o clima se tornou muito seco. Agora, um estudo da Universidade de Estocolmo , na Suécia, publicado na revista Science Advances , aponta que oscilações do Oceano Atlântico podem ter contribuído para intensificar esse processo . O trabalho foi conduzido pelas pesquisadoras Katherine Power e Qiong Zhang, do Departamento de Geografia Física da instituição.

    O Mediterrâneo Oriental passou por um processo gradual de aridificação . A região ficou progressivamente mais seca, e esse processo não aconteceu de forma repentina. Segundo o estudo, a tendência esteve ligada a mudanças na quantidade de radiação solar recebida durante o verão no Hemisfério Norte.

    Kleftiko Bay na Ilha de Milos, na Grécia – Imagem: proslgn/Shutterstock
    Kleftiko Bay na Ilha de Milos, na Grécia – Imagem: proslgn/Shutterstock — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    A redução da insolação enfraqueceu os sistemas de monções do Hemisfério Norte e contribuiu para um deslocamento para o sul da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), uma faixa próxima ao Equador marcada pela concentração de nuvens e chuvas. Com isso, menos umidade era transportada da África tropical para o Mediterrâneo . Ao mesmo tempo, a trajetória das tempestades de inverno mudou para o norte, reduzindo a quantidade de chuva que chegava à região.

    Mas as mudanças climáticas não ocorreram da mesma maneira em todas as áreas analisadas no estudo. Enquanto o Levante, região que abrange áreas da atual Palestina, Líbano, Síria e Jordânia , apresentou condições climáticas mais áridas, partes dos Bálcãs, no sudeste da Europa, e da Anatólia, região que corresponde à maior parte da atual Turquia , seguiram uma direção diferente.

    Nessas áreas, houve aumento da umidade associada ao resfriamento das temperaturas e à redução da evapotranspiração, processo pelo qual a água volta à atmosfera pela evaporação e pela vegetação. Assim, embora o Mediterrâneo Oriental tenha apresentado uma tendência de aridificação, as mudanças climáticas tiveram efeitos diferentes em outras regiões.

    Águas do Atlântico – Crédito: Johan Holmdahl/Shutterstock
    Águas do Atlântico – Crédito: Johan Holmdahl/Shutterstock — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    A análise indica que as oscilações do Atlântico conseguiram amplificar a tendência de secagem que já existia no Mediterrâneo Oriental. Em outras palavras, o oceano pode ter funcionado como um fator capaz de transformar uma condição climática cada vez mais seca em episódios de seca muito mais intensos.

    O estudo destaca que essa influência está relacionada a diferentes padrões de mudança no Atlântico , incluindo alterações na temperatura da superfície do Atlântico Norte e na circulação oceânica . As pesquisadoras identificaram relações entre essas oscilações e as condições de umidade do Mediterrâneo em diferentes escalas de tempo.

    Para elas, os resultados mostram que mudanças no comportamento do oceano podem provocar alterações rápidas no clima , principalmente quando uma região já enfrenta condições ambientais e climáticas desfavoráveis. No caso do fim da Idade do Bronze, o estudo sugere que a combinação entre um clima que já estava ficando mais seco e as mudanças nas condições do Atlântico pode ter contribuído para as grandes secas registradas naquele período .

    Kleftiko Bay na Ilha de Milos, na Grécia
    Kleftiko Bay na Ilha de Milos, na Grécia — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Enzo Monteiro é redator no Olhar Digital.

    Layse Ventura é editora de SEO no Olhar Digital e mestre pela UFSC.

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    atlântico — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital
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    Águas do Atlântico – Crédito: Johan Holmdahl/Shutterstock
    Águas do Atlântico – Crédito: Johan Holmdahl/Shutterstock — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Publicado originalmente por Olhar Digital. Leia a matéria completa em https://olhardigital.com.br/2026/09/03/ciencia-e-espaco/o-que-causou-as-grandes-secas-no-fim-da-idade-do-bronze/.

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