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    O que as mulheres ganham com o fim das bets

    Com a medida provisória que proíbe as apostas online , o governo federal respondeu a uma demanda aguda das famílias, vocalizada sobretudo pelas mulheres. Hoje, 54% das brasileiras lidam com as bets de alguma maneira : porque jogam, já jogaram ou arcam com as consequências do jogo de alguém próximo. Para toda a aposta online, uma mulher paga a conta. E, quando a família desmorona , são elas que seguram a casa de pé, financeira e emocionalmente. Leia mais (09/28/2026 - 18h17)

    Folha de S.Paulo
    28 de setembro de 2026 às 21:17
    O que as mulheres ganham com o fim das bets
    Pessoas sentadas em cadeiras assistem a um homem em pé próximo a uma parede com cartaz de Jogadores Anônimos e QR code. A sala tem teto de madeira, ventilador na parede e crucifixo acima do cartaz. — Foto: Folha de S.Paulo

    Expressa as ideias do autor e defende sua interpretação dos fatos​

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    Participantes do grupo Jogadores Anônimos (JA) durante reunião na região central de São Paulo - Allison Sales - 14.ago.26/Folhapress
    Participantes do grupo Jogadores Anônimos (JA) durante reunião na região central de São Paulo - Allison Sales - 14.ago.26/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Idealizadora e codiretora do Instituto Clarice

    Gerente de Democracia para América Latina na Open Society Foundations

    Com a medida provisória que proíbe as apostas online , o governo federal respondeu a uma demanda aguda das famílias, vocalizada sobretudo pelas mulheres. Hoje, 54% das brasileiras lidam com as bets de alguma maneira : porque jogam, já jogaram ou arcam com as consequências do jogo de alguém próximo. Para toda a aposta online, uma mulher paga a conta. E, quando a família desmorona , são elas que seguram a casa de pé, financeira e emocionalmente.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "Eu colocava uma cadeira na porta do quarto dele e o vigiava dormir a noite toda", contou a mãe de um jovem que tentou tirar a própria vida depois de perder tudo no jogo. Relatos assim dão textura ao achado central da pesquisa Mulheres e Bets: 62% das brasileiras apoiam a proibição das bets, e metade dos homens também. A posição contrária às bets é majoritária independente de campo ideológico, com as mulheres puxando a estatística.

    Os ganhos para elas são concretos. O dinheiro volta para casa: mais da metade das brasileiras está endividada. Buscando complementar a renda , as apostadoras entram num jogo desenhado para que percam. A saúde mental é restaurada, e a violência diminui: 23% dos brasileiros já presenciaram cenas de agressividade na família ligada às apostas, número que dobra entre apostadores frequentes. E as crianças ficam mais protegidas: na pesquisa, encontramos menores de idade apostando com CPF de adulto, sem barreira nas plataformas, e até pais e mães que davam aos filhos uma mesada para apostar.

    Para as mulheres, as apostas online viraram promessas de complementação de renda, de autonomia ou de alívio imediato diante de uma vida voltada apenas para as necessidades mais básicas. O jogo chegou como forma de cuidar, mas destruiu justamente o que se cuidava, cobrando uma conta não só financeira, mas também de saúde emocional , dos vínculos afetivos familiares e mesmo de autoimagem.

    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha
    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A proibição dá ao país a chance de restaurar parte de um imaginário de vida digna que foi capturado. As bets encontraram terreno fértil porque ofereceram uma perspectiva poderosa a milhões de brasileiros: a possibilidade de melhorar de vida rapidamente. Conter essa promessa sem ampliar caminhos reais de prosperidade é insuficiente. O país precisa discutir e tomar novas decisões sobre melhoria da renda, redução do endividamento, oportunidades de trabalho e crédito com a mesma seriedade com que enfrentou as apostas.

    Escutar as mulheres foi o começo; proibir as bets, o segundo passo. O terceiro cabe ao Congresso Nacional , que precisa transformar a medida em lei, e ao Estado, que precisa construir com elas o que lhes faltou até aqui: a possibilidade de decidir onde colocar seus recursos, seu tempo e seus sonhos, para cuidar das suas famílias e também de si mesmas.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/09/o-que-as-mulheres-ganham-com-o-fim-das-bets.shtml.

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    Participantes do grupo Jogadores Anônimos (JA) durante reunião na região central de São Paulo - Allison Sales - 14.ago.26/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

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