O que aconteceu com os jovens?
Uma das possíveis explicações para o mau desempenho de Lula ( PT ) no primeiro turno é que ele perdeu apoio entre os eleitores mais jovens . Pesquisas mostraram que o petista, que antes mantinha confortável vantagem sobre Flávio Bolsonaro ( PL ) nas faixas de 16 a 34 anos, viu sua dianteira estreitar-se mais perto do pleito. Numa disputa acirrada, esses votos fizeram diferença. Leia mais (10/09/2026 - 13h06)

Jornalista, foi editor de Opinião. É autor de "Pensando Bem…"
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Uma das possíveis explicações para o mau desempenho de Lula ( PT ) no primeiro turno é que ele perdeu apoio entre os eleitores mais jovens . Pesquisas mostraram que o petista, que antes mantinha confortável vantagem sobre Flávio Bolsonaro ( PL ) nas faixas de 16 a 34 anos, viu sua dianteira estreitar-se mais perto do pleito. Numa disputa acirrada, esses votos fizeram diferença.
Não é só no Brasil. Jovens, notadamente homens , abraçando posições da direita radical foram um fator relevante para as eleições de Javier Milei na Argentina e de José Antonio Kast no Chile . Não é só na América Latina . Jovens também passaram a engrossar as fileiras da ultradireita nos EUA, França, Alemanha, Espanha etc. Até duas décadas atrás, jovens eram, no Ocidente, um público quase cativo da esquerda. O que aconteceu?
Há várias hipóteses, que vão de uma frustração com o "statu quo" econômico (eles já não querem as vagas de emprego tradicionais) até o advento das redes sociais (influenciadores de direita parecem ser mais eficazes que os de esquerda). Haveria inclusive uma dimensão estética, já que a esquerda, até por ter emplacado várias de suas bandeiras, se fossilizou, deixando para a direita o papel de movimento de contestação à ordem, que casa tão bem com os instintos de rebeldia da juventude.

Outro elemento relevante é que a mais poderosa das vacinas contra a radicalização, que é a memória, tem prazo de validade. Os horrores do nazifascismo e das tiranias comunistas estão todos nos livros de história. Mas isso não basta. Para atuar como imunizantes, essas memórias precisam vir com uma carga afetiva que vai se apagando com a passagem do tempo. Eu ainda lembro das histórias de meus avós sobre as perseguições a judeus na Europa e me recordo bem dos amigos de meus pais que foram torturados e de um que foi assassinado na ditadura. Meus filhos conhecem esses casos, mas só de forma abstrata e muito menos vívida.
Talvez a humanidade precise mesmo de crises periódicas para atualizar as bússolas morais das pessoas.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/helioschwartsman/2026/10/o-que-aconteceu-com-os-jovens.shtml.

Montagem com os dois deputados federais mais votados do país, ambos de direita e com mais de 3 milhões de votos: Lucas Pavanato (PL-SP), à esquerda, e Nikolas Ferreira (PL-MG) - Allison Sales/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo
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