Brasil

    O que aconteceu com os jovens?

    Uma das possíveis explicações para o mau desempenho de Lula ( PT ) no primeiro turno é que ele perdeu apoio entre os eleitores mais jovens . Pesquisas mostraram que o petista, que antes mantinha confortável vantagem sobre Flávio Bolsonaro ( PL ) nas faixas de 16 a 34 anos, viu sua dianteira estreitar-se mais perto do pleito. Numa disputa acirrada, esses votos fizeram diferença. Leia mais (10/09/2026 - 13h06)

    Folha de S.Paulo
    9 de outubro de 2026 às 16:06
    O que aconteceu com os jovens?
    À esquerda, jovem com camiseta preta e bandeira colorida nos ombros, com pessoas ao fundo. À direita, jovem com camiseta amarela segurando microfone, falando em evento ao ar livre. — Foto: Folha de S.Paulo

    Jornalista, foi editor de Opinião. É autor de "Pensando Bem…"

    Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

    Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

    Montagem com os dois deputados federais mais votados do país, ambos de direita e com mais de 3 milhões de votos: Lucas Pavanato (PL-SP), à esquerda, e Nikolas Ferreira (PL-MG) - Allison Sales/Folhapress
    Montagem com os dois deputados federais mais votados do país, ambos de direita e com mais de 3 milhões de votos: Lucas Pavanato (PL-SP), à esquerda, e Nikolas Ferreira (PL-MG) - Allison Sales/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Uma das possíveis explicações para o mau desempenho de Lula ( PT ) no primeiro turno é que ele perdeu apoio entre os eleitores mais jovens . Pesquisas mostraram que o petista, que antes mantinha confortável vantagem sobre Flávio Bolsonaro ( PL ) nas faixas de 16 a 34 anos, viu sua dianteira estreitar-se mais perto do pleito. Numa disputa acirrada, esses votos fizeram diferença.

    Não é só no Brasil. Jovens, notadamente homens , abraçando posições da direita radical foram um fator relevante para as eleições de Javier Milei na Argentina e de José Antonio Kast no Chile . Não é só na América Latina . Jovens também passaram a engrossar as fileiras da ultradireita nos EUA, França, Alemanha, Espanha etc. Até duas décadas atrás, jovens eram, no Ocidente, um público quase cativo da esquerda. O que aconteceu?

    Há várias hipóteses, que vão de uma frustração com o "statu quo" econômico (eles já não querem as vagas de emprego tradicionais) até o advento das redes sociais (influenciadores de direita parecem ser mais eficazes que os de esquerda). Haveria inclusive uma dimensão estética, já que a esquerda, até por ter emplacado várias de suas bandeiras, se fossilizou, deixando para a direita o papel de movimento de contestação à ordem, que casa tão bem com os instintos de rebeldia da juventude.

    Imagem da matéria
    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Outro elemento relevante é que a mais poderosa das vacinas contra a radicalização, que é a memória, tem prazo de validade. Os horrores do nazifascismo e das tiranias comunistas estão todos nos livros de história. Mas isso não basta. Para atuar como imunizantes, essas memórias precisam vir com uma carga afetiva que vai se apagando com a passagem do tempo. Eu ainda lembro das histórias de meus avós sobre as perseguições a judeus na Europa e me recordo bem dos amigos de meus pais que foram torturados e de um que foi assassinado na ditadura. Meus filhos conhecem esses casos, mas só de forma abstrata e muito menos vívida.

    Talvez a humanidade precise mesmo de crises periódicas para atualizar as bússolas morais das pessoas.

    LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

    Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!

    Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?

    Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.

    Na página Colunas da Folha você encontra opinião e crônicas de colunistas como Mônica Bergamo , Elio Gaspari , Djamila Ribeiro , Tati Bernardi , Dora Kramer , Ruy Castro , Muniz Sodré , Txai Suruí , José Simão , Thiago Amparo , Antonio Prata e muito mais.

    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/helioschwartsman/2026/10/o-que-aconteceu-com-os-jovens.shtml.

    Imagem 1
    1 / 2

    Montagem com os dois deputados federais mais votados do país, ambos de direita e com mais de 3 milhões de votos: Lucas Pavanato (PL-SP), à esquerda, e Nikolas Ferreira (PL-MG) - Allison Sales/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)