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    O que aconteceu com a democracia liberal?

    O liberalismo é versátil. É compatível tanto com visões de mundo conservadoras, como a das democracias cristãs da Europa continental e a dos "tories" britânicos, quanto com políticas mais à esquerda, como a das social-democracias dos países nórdicos. Leia mais (09/26/2026 - 13h00)

    Folha de S.Paulo
    26 de setembro de 2026 às 16:00
    O que aconteceu com a democracia liberal?
    Balança antiga com dois pratos: um com cinco pessoas de diferentes idades e etnias, outro com dois adultos, pilhas de moedas e dois robôs, indicando desequilíbrio. — Foto: Folha de S.Paulo

    Jornalista, foi editor de Opinião. É autor de "Pensando Bem…"

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    Ilustração para coluna de Hélio Schwartsman - Annette Schwartsman · Annette Schwartsman
    Ilustração para coluna de Hélio Schwartsman - Annette Schwartsman · Annette Schwartsman — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O liberalismo é versátil. É compatível tanto com visões de mundo conservadoras, como a das democracias cristãs da Europa continental e a dos "tories" britânicos, quanto com políticas mais à esquerda, como a das social-democracias dos países nórdicos.

    Embora os dois polos até consigam concordar em relação a princípios básicos que caracterizariam o liberalismo, como o respeito às liberdades básicas, à propriedade privada e ao império da lei, eles frequentemente se desentendem sobre os detalhes. "What Happened to Liberal Democracy?", de Daron Acemoglu , é um bom exemplo dessa tensão.

    Para o autor, o liberalismo nos serviu bem enquanto foi capaz de promover uma prosperidade que, em vários países, foi partilhada entre diferentes classes sociais. Em algum momento, porém, ele deixou de fazer isso. Mudanças tecnológicas, globalização e outras disrupções fizeram com que uma elite se apropriasse de nacos cada vez maiores da riqueza, gerando uma perda de confiança nas instituições com reflexos na política.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Acemoglu acha que é possível salvar o liberalismo adotando um modelo que reequilibre os pratos da balança a favor do trabalhador. Ele chama isso de "working class liberalism".

    Como previsível, o livro foi copiosamente elogiado por representantes da esquerda universitária, como Thomas Piketty, e duramente criticado pela ala dos liberais mais alérgica a intervenções do Estado, notadamente a revista The Economist.

    O real divisor de águas aqui, me parece, são as expectativas em relação à tecnologia . Para os otimistas, ela trará tantos ganhos de produtividade que inaugurará uma era de abundância para todos. Para os pessimistas, ela só agravará as desigualdades, tornando a regulação urgente, sob pena de ver o planeta sucumbir ao fascismo.

    De minha parte, reservo-me o direito ao agnosticismo. Simplesmente não sei qual será o impacto da IA e outras tecnologias em 20 ou 30 anos. Mas sei que, para chegar a esses horizontes mais dilatados, precisamos antes sobreviver às crises que já se avistam.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/helioschwartsman/2026/09/o-que-aconteceu-com-a-democracia-liberal.shtml.

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