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    O que a mãe come na amamentação faz diferença no ganho de peso do bebê?

    Pesquisa acompanha 30 mulheres em aleitamento materno exclusivo

    UOL
    23 de agosto de 2026 às 17:00
    O que a mãe come na amamentação faz diferença no ganho de peso do bebê?
    mãe alimenta bebê — Foto: UOL

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    A alimentação da mãe durante a amamentação pode influenciar não apenas sua recuperação pós-parto , mas também a qualidade do leite materno e até o ganho de peso do bebê.

    A produção de leite materno depende principalmente da frequência e da eficiência das mamadas - Picasa 2.0 - 10.jul.18/MurielleB - stock.adobe.com · Picasa 2.0 - 10.jul.18/MurielleB - stock.adobe.com
    A produção de leite materno depende principalmente da frequência e da eficiência das mamadas - Picasa 2.0 - 10.jul.18/MurielleB - stock.adobe.com · Picasa 2.0 - 10.jul.18/MurielleB - stock.adobe.com — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Embora a sucção frequente continue sendo o principal estímulo para a produção de leite, uma dieta equilibrada, rica em nutrientes e calorias adequadas, ajuda o organismo materno a sustentar esse processo.

    Para entender essa relação, pesquisadores da UFC (Universidade Federal do Ceará) em Sobral acompanharam 30 mulheres em aleitamento materno exclusivo, com bebês saudáveis, nascidos a termo e com idade entre 30 e 120 dias.

    Publicado no Journal of Tropical Pediatrics, o trabalho tinha como objetivo investigar os impactos do consumo de cuscuz de milho, alimento tradicional da culinária das regiões Norte e Nordeste , durante o período de amamentação .

    Bancos de Leite Humano de São Paulo
    Bancos de Leite Humano de São Paulo — Foto: UOL · Fonte: UOL

    A ideia partiu da observação clínica por parte dos pesquisadores. "Na prática pediátrica, era muito comum mães relatarem aumento na produção de leite quando consumiam cuscuz. Então surgiu a inquietação de provar esse fato à luz da ciência", conta o pediatra Francisco Plácido Arcanjo, professor titular da UFC em Sobral e um dos autores do estudo.

    Como não era possível medir diretamente a quantidade de leite produzida, a equipe avaliou o principal resultado da amamentação : o ganho de peso dos bebês.

    "O aumento do volume do leite não pode ser medido diretamente por questões éticas e logísticas. Então usamos o ganho de peso das crianças como medida indireta", explica Arcanjo.

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    Foto: UOL · Fonte: UOL

    As voluntárias foram divididas em dois grupos de 15 mulheres. Para garantir que todas consumissem a mesma quantidade do alimento, a equipe forneceu cuscuzeiras e porções individuais diárias de cuscuz.

    No primeiro grupo, as mães ingeriram 70 gramas diariamente, durante 20 dias, e depois passaram outros 20 dias sem consumir o produto de milho.

    O segundo grupo fez o caminho inverso: começou o estudo sem o alimento e passou a consumi-lo após os primeiros 20 dias. Os bebês foram pesados antes do início da intervenção, após o período com consumo diário de cuscuz e ao fim da fase sem o alimento.

    Os resultados mostraram que os bebês das mães que consumiram 70 gramas de cuscuz diariamente ganharam, em média, 33,7 gramas por dia (cerca de 1 quilo por mês). Já no período em que essas mesmas mulheres não ingeriram o alimento, o ganho médio foi de 24,6 gramas diárias, aproximadamente 738 gramas no mês. A diferença representa um aumento de 37% no ganho de peso dos pequenos.

    Além do acompanhamento do peso das crianças, os pesquisadores também perguntaram às mães sobre a percepção em relação à produção de leite: 60% delas afirmaram que o leite "aumentou muito" durante o consumo de cuscuz, enquanto 33% relataram aumento moderado. "São 93% de respostas favoráveis ao aumento do leite materno", destaca o pesquisador.

    A produção de leite materno depende principalmente da frequência e da eficiência das mamadas. "Quanto mais o bebê mama , maior tende a ser o estímulo hormonal para produção de leite. A alimentação [materna] entra como suporte para que o organismo consiga sustentar esse processo fisiológico", explica o ginecologista e obstetra Rômulo Negrini, do Einstein Hospital Israelita.

    Embora o corpo tenha mecanismos eficientes para preservar a lactação diante de uma alimentação insuficiente, o que a mulher coloca no prato importa. Dietas muito restritivas, jejuns prolongados, desidratação e baixa ingestão calórica podem comprometer o bem-estar materno e dificultar a manutenção da amamentação ao longo do tempo.

    Além do volume, a dieta da mãe também influencia a composição nutricional do leite oferecido ao bebê. Proteína, ferro, cálcio , vitamina B12, vitamina D e ômega-3 estão entre os nutrientes mais importantes nessa fase.

    "Uma alimentação equilibrada ajuda na energia, recuperação pós-parto e saúde geral da mãe, fatores que indiretamente favorecem a amamentação", afirma Negrini.

    E isso pode explicar os resultados do estudo cearense com o cuscuz. Rico em carboidratos , ele pode ter funcionado como fonte adicional de energia para mães com ingestão calórica insuficiente.

    "Como a lactação aumenta muito o gasto energético do organismo, qualquer melhora no consumo alimentar pode potencialmente favorecer a amamentação", analisa o obstetra do Einstein.

    Os possíveis mecanismos biológicos envolvidos na dieta materna e na produção de leite ainda são desconhecidos. Entre os alimentos já associados a um possível estímulo da lactação estão aveia , sementes, vegetais verde-escuros e castanhas , além de boa ingestão hídrica.

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    Em diferentes culturas também existem relatos envolvendo feno-grego, cevada e erva-doce. Mas nada de consumir esses ingredientes em excesso e por conta própria.

    "Não existe um alimento milagroso para aumentar o leite materno e nenhum alimento substitui a sucção frequente do bebê", frisa Romulo Negrini.

    Entre os hábitos que podem atrapalhar a amamentação estão consumo excessivo de ultraprocessados , consumo exagerado de álcoo l, dietas radicais e excesso de cafeína, que em alguns casos pode deixar o bebê mais irritado e alterar o sono.

    Apesar dos resultados promissores envolvendo o cuscuz, uma alimentação equilibrada e variada, associada a descanso, hidratação e apoio adequado à amamentação, continua sendo a melhor estratégia para sustentar a produção de leite e a saúde do bebê.

    "O conhecimento tradicional tem grande importância, mas deve ser avaliado à luz da ciência. Essa integração deve ser estimulada", afirma Francisco Arcanjo.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/equilibrio/2026/08/o-que-a-mae-come-na-amamentacao-faz-diferenca-no-ganho-de-peso-do-bebe.shtml.

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