Economia

    O que a liderança de Flávio no 1º turno muda para a política externa do Brasil

    Lula e Flávio vertical " data-image-caption=" (Montagem IM = Flavio – Divulgação Vittor Sales/ Lula – Foto: Ricardo Stuckert / PR) " data-large-file="https://www.infomoney.com.br/wp-content/uploads/2026/08/cropped-Lula-e-Flavio-vertical-1-1.jpg?fit=640%2C853&quality=70&strip=all" />Especialistas avaliam que resultado do primeiro turno envia sinal a Washington e pode influenciar temas de comércio, segurança e relações internacionais The post O que a liderança de Flávio no 1º turno muda para a política externa do Brasil appeared first on InfoMoney .

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    6 de outubro de 2026 às 18:00
    O que a liderança de Flávio no 1º turno muda para a política externa do Brasil
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    (Montagem IM = Flavio – Divulgação Vittor Sales/ Lula – Foto: Ricardo Stuckert / PR)

    O primeiro lugar de Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno da eleição presidencial de domingo (4) aproximou o Brasil de uma política externa mais alinhada aos Estados Unidos. Ainda assim, a correlação de forças na América Latina poderá influenciar a disputa eleitoral brasileira nos próximos meses.

    Especialistas em relações internacionais ouvidas pelo InfoMoney afirmam que a eleição deste ano, já marcada por temas globais, tende a ser ainda mais impactada por acontecimentos fora do Brasil.

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    Carolina Pedroso, professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e pesquisadora do Instituto Nacional de Estudos sobre os Estados Unidos (INEU), avalia que o resultado do primeiro turno já sinaliza aos países vizinhos e à Casa Branca que “não será necessária uma pressão externa muito grande para que haja mudança de governo no Brasil”. O senador terminou o primeiro turno com 47% dos votos válidos, contra 45% de Lula.

    Na avaliação de Denilde Oliveira Holzhacker, professora de Relações Internacionais da ESPM, Washington atua em duas frentes.

    “Há um nível que é o do Donald Trump, que tem demonstrado estar acompanhando a eleição no Brasil, e outro que é o do Departamento de Estado, que tem atuado diretamente na relação com o país e até mesmo na disputa narrativa”, afirma.

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    O interesse americano na candidatura de Flávio Bolsonaro está relacionado ao alinhamento ideológico entre a plataforma bolsonarista e a agenda política de Donald Trump.

    No entanto, há também um elemento estratégico em jogo. Para Carolina Pedroso, uma eventual vitória do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro poderia levar o Brasil a aderir ao Escudo das Américas, coalizão de segurança lançada por Trump em março.

    “Muito provavelmente, o Brasil se alinharia e se integraria a essa nova estrutura de cooperação em segurança, que abre espaço para operações conjuntas com as Forças Armadas dos Estados Unidos e outros países sul-americanos”, afirma.

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    Senador teve ampla vantagem no Centro-Oeste, enquanto Lula manteve liderança no Nordeste

    A adesão direta, porém, pode gerar efeitos na relação do Brasil com a China, principal parceiro comercial do país desde 2009. “Como ele [Flávio Bolsonaro] vai equilibrar essa postura de alinhamento com os Estados Unidos diante das pressões que podem vir do próprio Trump para que o Brasil reduza seus laços com a economia chinesa?”, questiona Holzacker.

    O governo Bolsonaro foi marcado por momentos de tensão diplomática com Pequim, embora a solidez da relação econômica e estratégica entre os dois países tenha limitado os impactos dessas divergências.

    Lula e Flávio vertical
    Lula e Flávio vertical — Foto: InfoMoney · Fonte: InfoMoney

    Marco Rubio, secretário de Estado dos Estados Unidos, foi sucinto ao comentar os resultados do primeiro turno no domingo (4) , afirmando que já era esperado que a disputa fosse decidida apenas no segundo turno. Uma eventual vitória, seja de Lula ou de Flávio, poderá ter efeitos sobre as tarifas atualmente impostas a produtos brasileiros.

    Holzhacker não prevê uma redução automática dessas tarifas, mas acredita que as negociações poderiam ser mais fluidas em um governo liderado por Flávio. “Marco Rubio, que hoje é um grande opositor do governo Lula, teria uma relação mais fluida com o próprio Flávio”, afirma.

    Já uma reeleição de Lula manteria a relação marcada por atritos , na avaliação de Pedroso. O petista tem feito da defesa da soberania nacional um dos principais eixos de sua campanha. “Ficaria ainda mais desafiador para Lula manter essa postura e até mesmo esse discurso de defesa da soberania, porque ele teria menos margem para negociar”, diz a pesquisadora.

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    Diante desse cenário, tanto a campanha petista quanto o governo brasileiro, no plano institucional, têm buscado ampliar apoios internacionais para reduzir a dependência em relação aos Estados Unidos. “No caso de Lula, existem limites. Por isso, a estratégia tem sido diversificar os apoios para depender menos do governo americano”, avalia Holzacker.

    Desde o ano passado, o debate público passou a discutir se temas de política externa entrariam de forma mais decisiva na disputa presidencial de 2026.

    Para Pedroso, a pauta da soberania nacional favoreceu Lula em meados de 2025, após o tarifaço, mas perdeu força até a votação. “Política externa nem sempre define voto. Aliás, quase nunca define voto”, afirma.

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    Holzhacker, por sua vez, avalia que o resultado deste domingo mostrou que o eleitorado brasileiro foi mobilizado principalmente por questões econômicas e domésticas.

    “O eleitor olhou para outras questões, principalmente a econômica, o endividamento das famílias, o embate e a posição contra o STF. Isso pesou muito mais do que a questão da política externa”, conclui.

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    Publicado originalmente por InfoMoney. Leia a matéria completa em https://www.infomoney.com.br/mundo/o-que-a-lideranca-de-flavio-no-1o-turno-muda-para-a-politica-externa-do-brasil/.

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