O que a inteligência artificial ainda não consegue comprar é a confiança
A inteligência artificial inaugura uma nova era na gestão empresarial. Ela acelera decisões, amplia a capacidade analítica e desafia modelos de negócio consolidados. Mas é justamente quando a tecnologia ganha protagonismo que vale a pena parar para refletir sobre o que continua sendo o maior patrimônio de uma empresa: a confiança. Leia mais (09/16/2026 - 08h00)

A inteligência artificial inaugura uma nova era na gestão empresarial. Ela acelera decisões, amplia a capacidade analítica e desafia modelos de negócio consolidados. Mas é justamente quando a tecnologia ganha protagonismo que vale a pena parar para refletir sobre o que continua sendo o maior patrimônio de uma empresa: a confiança.
Não por acaso, estamos em um período do ano em que o setor comercial, industrial e de serviço aguarda com atenção a publicação da Folha Top of Mind , resultado da maior pesquisa sobre lembrança de marcas feita no país. Um momento oportuno para essa reflexão.
A Casa Flora , por exemplo, nasceu numa época em que os negócios se construíam essencialmente entre pessoas. E transformou esse valor em uma trajetória de mais de cinco décadas. O desafio, hoje, não é escolher entre inovação e relacionamento. É garantir que um fortaleça o outro.

A principal ferramenta de inovação disponível para as empresas atualmente é, sem dúvida, a inteligência artificial. Seu potencial é enorme: permite antecipar tendências, comparar mercados, aprimorar o relacionamento com clientes, apoiar decisões estratégicas e ganhar eficiência operacional. Mas a tecnologia, isoladamente, não cria vantagem competitiva.
O diferencial segue sendo a capacidade das lideranças de fazer as perguntas certas e de usar essas ferramentas onde elas realmente geram valor para o negócio.
Há, porém, algo que nenhum algoritmo substitui: a relação de confiança construída ao longo de décadas com parceiros, clientes e fornecedores. No nosso segmento, muitos desses vínculos atravessam gerações e transformam a Casa Flora em mais do que uma distribuidora, fazem dela uma parceira.

Essa reputação, erguida com seriedade, consistência e qualidade de serviço, é o que nos diferencia e sustenta nossa posição no mercado.
Por isso, preservar a essência da empresa é inegociável. Nenhum processo de evolução pode colocar essa confiança em risco. Pelo contrário: toda inovação precisa ser comunicada com transparência e implementada para fortalecer, e não enfraquecer, o atendimento a parceiros e clientes.
Trabalhar em função deles sempre foi nossa essência, e esse compromisso não muda conforme as ferramentas que adotamos. A tecnologia deve servir aos nossos valores, nunca substituí-los.

Nesse cenário, cabe também ao CEO conduzir a empresa a uma nova etapa de crescimento sem perder de vista a cultura que a trouxe até aqui.
Evoluir exige novas visões, novos processos, uma gestão cada vez mais profissional, mas exige também respeito à história da organização e aos valores que construíram sua credibilidade. Transformação não é romper com o passado: é preparar a empresa para o futuro preservando o que a tornou relevante.
Os hábitos de consumo vão continuar mudando, assim como o ambiente de negócios. Permanecerão relevantes, entretanto, as empresas capazes de entregar excelência em serviço, gerar valor real para seus clientes, corresponder às expectativas de seus parceiros e manter postura constante de aprendizado.

A IA será, certamente, uma das maiores transformações na história recente dos negócios. Mas o futuro não pertencerá a quem simplesmente adotar novas tecnologias. Pertencerá a quem souber usá-las sem perder de vista o que nenhuma inovação constrói em poucos meses: confiança.
* Paulo Andrade é CEO da Casa Flora Importadora
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://top-of-mind.folha.uol.com.br/2026/09/o-que-a-inteligencia-artificial-ainda-nao-consegue-comprar-e-a-confianca.shtml.

Paulo Andrade, CEO da Casa Flora Importadora - Adriano Vizoni/Divulgação · Adriano Vizoni/Divulgação — Foto: Folha de S.Paulo
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