O primeiro ouro a gente nunca esquece
Dez anos atrás, em 20 de agosto de 2016, eu estava no Rio de Janeiro. Era, ao lado do boa-praça Fabio Brisolla, coordenador da equipe da Folha nas Olimpíadas na Cidade Maravilhosa. Leia mais (08/20/2026 - 12h12)

Luís Curro fala sobre as seleções, clubes, competições e jogadores do esporte mais popular do planeta
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18 heróis: brasileiros comemoram no Maracanã a 1ª medalha de ouro no futebol olímpico, em 2016 - Vanderlei Almeida - 20.ago.2016 / AFP
Dez anos atrás, em 20 de agosto de 2016, eu estava no Rio de Janeiro. Era, ao lado do boa-praça Fabio Brisolla, coordenador da equipe da Folha nas Olimpíadas na Cidade Maravilhosa.
Preso à mesa da sala de imprensa, somente uma vez saí para trabalhar em um evento: dirigi-me ao Maracanã para Brasil x Alemanha, a decisão do futebol masculino .

Prata quatro anos antes, batido pelo México de Peralta em Londres, o Brasil tinha nova oportunidade, dessa vez em casa, de pela primeira vez subir ao topo do pódio olímpico no esporte em que era penta mundial.
Do grupo que quase chegou lá na terra da rainha (hoje do rei), Neymar era o único remanescente.
Havia um sentimento de revanche diante dos alemães, pois o 7 a 1 da Copa de 2014, na semifinal no Mineirão, estava entalado. Uma vitória não apagaria o vexame, porém era questão de honra não perder de novo dos germânicos.

Os milhares de brasileiros no Maraca confiavam. Neymar, fora do 7 a 1 devido a lesão, estava aos 24 anos no auge técnico, brilhando no Barcelona.
O camisa 10 teve de escolher entre Olimpíadas ou Copa América Centenário (nos EUA), pois o Barça não permitiu a ida às duas. Neymar quis o Rio.
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Da minha parte, havia temor. Impossível não vir à mente o Maracanazo, a queda na decisão da Copa de 1950, ante o Uruguai. O adversário era de respeito, e aquela sentença do inglês Gary Lineker teimava em me perturbar: " Futebol é simples: 22 correm atrás de uma bola durante 90 minutos e, no fim, os alemães ganham".
Ademais, era minha primeira vez no templo do futebol carioca para ver futebol (antes tinha ido a um show), e logo em uma final de relevância extrema. Se não desse Brasil, me classificaria eternamente como um pé-frio, "o responsável" pelo revés: "Por que raios saí da sala de imprensa?".
Rola a bola. Neymar faz de falta no primeiro tempo. Max Meyer empata no segundo. Eu estava atrás da meta em que saíram os gols.

Fim de jogo. Prorrogação. Nada de bola na rede. Pênaltis, no gol do outro lado. Tensão. Equilíbrio. Até que Weverton defende batida de Petersen. Neymar decidiria. Vivenciando, nas próprias palavras, "os cinco segundos mais longos da minha vida", o capitão do time converte.
Arduíssimo, mas deu Brasil . Festa no Maraca, choro de alegria dos campeões, medalhas áureas no peito.
Em meio ao transe do triunfo, veio-me um flash de Los Angeles-1984, primeiros Jogos Olímpicos que acompanhei, garoto, pela TV. Um brasileiro de pernas longas corria, com a voz inconfundível de Álvaro José na narração, para superar o britânico Sebastian Coe e cruzar na frente os 800 m. Joaquim Cruz.
O primeiro ouro, como o primeiro beijo, a gente nunca esquece.
Assim, vale recordar e celebrar um por um do time dourado da Rio-2016. Goleiros: Weverton e Uilson. Defesa: Zeca, Marquinhos (capitão do Brasil na Copa deste ano ), Rodrigo Caio, Douglas Santos, William e Luan Garcia. Meio-campo: Walace, Renato Augusto, Luan, Rodrigo Dourado, Thiago Maia, Rafinha Alcântara e Felipe Anderson. Ataque: Gabriel Jesus, Gabigol e Neymar. Técnico: Rogério Micale.
13 dos 18 campeões em 2016 ainda estão em atividades
Joga no PSG (França), esteve na Copa de 2026
Joga no Zenit (Rússia), esteve na Copa de 2026
Romário tentou ganhar Jogos Olímpicos e não conseguiu (prata em 1988), Ronaldo Fenômeno , idem (bronze em 1996), Ronaldinho Gaúcho , também, duas vezes (nada em 2000, bronze em 2008).
Esses 18, sim. Os primeiros. Para não esquecermos.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/blogs/o-mundo-e-uma-bola/2026/08/o-primeiro-ouro-a-gente-nunca-esquece.shtml.

18 heróis: brasileiros comemoram no Maracanã a 1ª medalha de ouro no futebol olímpico, em 2016 - Vanderlei Almeida - 20.ago.2016 / AFP · Vanderlei Almeida - 20.ago.2016 / — Foto: Folha de S.Paulo
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