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    O novo copiloto dos assessores de investimentos

    Com o auxílio da tecnologia, os profissionais dispõem de mais tempo com os clientes

    Metrópoles
    11 de agosto de 2026 às 13:55
    O novo copiloto dos assessores de investimentos
    Foto: Metrópoles

    Às 8h, antes mesmo do primeiro café, um assessor de investimentos já pode ter dezenas de alertas na tela: um cliente recebeu o vencimento de uma aplicação, outro deixou dinheiro parado na conta, um terceiro acessou a área de seguros do aplicativo, o quarto está há meses sem uma revisão da carteira.

    Há alguns anos, organizar tudo isso dependia de planilhas, anotações e uma boa memória. Hoje, está disponível para os escritórios de investimentos cada vez mais ferramentas que auxiliam essa gestão do dia a dia, uma combinação de CRM (Customer Relationship Management) e inteligência artificial , que funciona como um verdadeiro “copiloto” da operação.

    A mudança parece técnica, mas o impacto é fundamentalmente humano: o objetivo não é substituir o assessor, e sim fazer com que ele passe menos tempo gerenciando informações e mais tempo conversando com o cliente .

    Fábio Vieira/Metrópoles
    Fábio Vieira/Metrópoles — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    A transformação ganhou escala dentro da XP. Segundo a empresa, 70% dos assessores já utilizam a ferramenta, e os usuários mais engajados passaram de 24% para 32% da rede .

    A automação também devolve cerca de 30 minutos por dia para cada assessor, tempo que deixa de ser gasto com tarefas operacionais e passa a ser direcionado para planejamento e relacionamento.

    Gabriel Ozanne, banker de alta renda da XP Investimentos, descreve o CRM como o “centro nervoso” da rotina do assessor. É por ele que passam os históricos de relacionamento, os lembretes de follow-up e os alertas de oportunidades.

    “Hoje o sistema documenta cada conversa, ligação, decisão e objeção do cliente. Isso libera tempo para interações de maior valor”, resume Gabriel Ozanne, banker de alta renda da XP Investimentos
    “Hoje o sistema documenta cada conversa, ligação, decisão e objeção do cliente. Isso libera tempo para interações de maior valor”, resume Gabriel Ozanne, banker de alta renda da XP Investimentos — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Na prática, a ferramenta indica com quem falar, quando falar e qual assunto priorizar. Se um investimento vence, por exemplo, o sistema alerta o assessor.

    É como trocar uma agenda de papel por uma torre de controle. “Antes meu tempo ia para lembrar onde cada relacionamento estava. Hoje o sistema organiza isso para mim”, afirma Ozanne.

    O assessor explica que a tecnologia não cria recomendações do zero. Ela cruza informações do perfil do investidor com análises produzidas pelas equipes de research e estratégia da XP , entregando sugestões já contextualizadas para o profissional avaliar.

    “O CRM organiza a jornada do assessor e garante constância no relacionamento”, frisa Diogo Barreto, sócio-fundador e assessor comercial da Pequod
    “O CRM organiza a jornada do assessor e garante constância no relacionamento”, frisa Diogo Barreto, sócio-fundador e assessor comercial da Pequod — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Já para Diogo Barreto, sócio-fundador e assessor comercial da Pequod, o grande avanço não está apenas em receber informações, mas em saber o que fazer com elas.

    “O sistema já consegue identificar que um cliente tem dinheiro parado, que houve um vencimento ou uma nova transferência. A questão é: qual será a próxima ação do assessor?”, explica.

    Barreto conta que possui um cliente que gosta de receber, todo dia 10, um lembrete para transferir recursos e pagar a fatura do cartão. O alerta fica registrado no CRM. “É impossível lembrar disso para dezenas ou centenas de clientes sem uma ferramenta.”

    “Os dados passam por processos de anonimização e seguem as diretrizes da LGPD”, pondera Gabriel Santos, vice-presidente de tecnologia, dados e inteligência artificial da XP
    “Os dados passam por processos de anonimização e seguem as diretrizes da LGPD”, pondera Gabriel Santos, vice-presidente de tecnologia, dados e inteligência artificial da XP — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Depois de passar dois anos em uma função executiva, sem atender clientes diretamente, Diogo Barreto voltou para a assessoria comercial em outubro de 2023. Em menos de um ciclo completo, entrou para o Top 50 da XP, ranking dos assessores de maior desempenho da rede.

    “Sempre saía da reunião com uma próxima ação marcada no CRM. Isso mudou completamente minha organização”, acrescenta.

    Se o CRM organiza o relacionamento, a inteligência artificial começa a atuar como um assistente em tempo real.

    São Paulo (SP) - 27/10/2021 - Painel de cotação de ações da B3 em SP - Painel de cotação de ações da B3, na rua XV de Novembro, região central de São Paulo, nesta quarta-feira, 27.
    São Paulo (SP) - 27/10/2021 - Painel de cotação de ações da B3 em SP - Painel de cotação de ações da B3, na rua XV de Novembro, região central de São Paulo, nesta quarta-feira, 27. — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Durante uma reunião, a tecnologia consegue capturar os principais pontos da conversa, resumir informações e registrar automaticamente temas importantes no histórico do cliente.

    Gabriel Santos, vice-presidente de tecnologia, dados e inteligência artificial da XP, afirma que o avanço recente dos modelos de linguagem tornou esse processo muito mais eficiente. “Antes muitos detalhes dependiam da memória do assessor para serem registrados. Agora conseguimos capturar e estruturar essas informações em tempo real.”

    Segundo ele, a IA está sendo aplicada em três frentes: produtividade individual dos colaboradores, automação de processos internos e desenvolvimento de funcionalidades voltadas diretamente para os clientes.

    Uma das preocupações mais frequentes dos investidores é o uso dos dados pessoais.

    Santos afirma que a XP bloqueou o uso de ferramentas públicas de IA para informações internas e opera em ambientes restritos, sem compartilhamento de dados com plataformas abertas e sem utilização dessas informações para treinar modelos externos.

    A pergunta aparece em praticamente toda discussão sobre inteligência artificial: afinal, o assessor de investimentos corre o risco de ser substituído?

    Ozanne lembra que decisões financeiras envolvem emoções, contexto familiar e objetivos de vida, fatores que não aparecem integralmente em uma planilha.

    A IA pode analisar uma carteira, mas não sabe que o cliente está preocupado com a sucessão patrimonial ou com a saúde da família.

    Barreto reforça que os investidores continuam valorizando a conversa e a confiança construída ao longo do tempo. “O cliente quer saber que existe alguém olhando por ele.”

    Na visão da XP, o profissional do futuro será menos operacional e mais estratégico, atuando quase como um diretor financeiro pessoal do investidor.

    Por isso, talvez a melhor definição para essa nova fase seja a de um assistente invisível.

    Ele não aparece na reunião, não aperta a mão do cliente e não toma a decisão final. Mas, trabalha nos bastidores organizando informações, identificando padrões, antecipando oportunidades e lembrando o assessor de detalhes que poderiam passar despercebidos .

    No fim do dia, a tecnologia não elimina o relacionamento humano, ela tenta evitar que ele se perca no meio do ruído.

    E, em um mercado em que a confiança ainda é a moeda mais valiosa, essa pode ser a diferença entre apenas atender um investidor e realmente acompanhá-lo ao longo da vida financeira.

    Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/conteudo-especial/ia-investidor.

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    Fábio Vieira/Metrópoles — Foto: Metrópoles

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