O nome do jogo na Defesa é previsibilidade orçamentária
Na convenção que oficializou sua candidatura à reeleição (PT), o presidente Lula defendeu novos investimentos na Defesa e chamou atenção para a proteção de reservas de terras raras e minerais críticos, hoje disputadas por China e Estados Unidos. Já o candidato Flávio Bolsonaro ( PL ) defendeu que as Forças Armadas recebam financiamento condizente com o papel do Brasil e voltado ao enfrentamento de desafios globais. Leia mais (09/02/2026 - 22h00)

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Coordenador do Grupo de Trabalho de Segurança Pública e Defesa do Instituto Brasileiro de Política e Economia (IBPE)
Na convenção que oficializou sua candidatura à reeleição (PT), o presidente Lula defendeu novos investimentos na Defesa e chamou atenção para a proteção de reservas de terras raras e minerais críticos, hoje disputadas por China e Estados Unidos. Já o candidato Flávio Bolsonaro ( PL ) defendeu que as Forças Armadas recebam financiamento condizente com o papel do Brasil e voltado ao enfrentamento de desafios globais.
O cenário lá fora impressiona. A Casa Branca propõe elevar no próximo ano o orçamento de defesa em 40%, para nível não visto desde a Segunda Guerra Mundial. Na Europa, o aumento de investimento já saltou para a casa dos dois dígitos. A China tem mantido no setor militar ritmo de incremento superior ao de seu PIB.

Não se trata aqui de defender que o Brasil se aventure numa corrida armamentista. O que o país pode e deve entregar, porém, é previsibilidade . Programas de longo prazo, como o desenvolvimento de aeronaves, sistemas navais e capacidades cibernéticas, só avançam quando há continuidade de investimento . Do lado do Congresso Nacional , há um esforço para avançar em mecanismos que ampliem o espaço fiscal. O que acontecerá em 2027, entretanto, ainda carrega enorme parcela de incógnita.
Os números do próprio Ministério da Defesa confirmam essa fragilidade. Corrigida pelo IPCA, a dotação inicial caiu de R$ 143,5 bilhões em 2021 para R$ 132 bilhões em 2025, uma perda real que o reajuste nominal de R$ 9 bilhões anunciado para 2026 está longe de recompor. O dado mais revelador, porém, está no investimento, item que sustenta a modernização da capacidade operacional das Forças. Em valores corrigidos, ele recuou de R$ 10,3 bilhões em 2022 para R$ 8 bilhões em 2026, fazendo sua fatia dentro da dotação total cair de 7,5% para 5,6%.
O orçamento cresce em valor nominal, portanto, mas encolhe exatamente onde deveria crescer. Não é imprevisibilidade o que esses números revelam, mas uma trajetória previsível de escassez, em que o valor anunciado na Lei Orçamentária Anual raramente se converte, de fato, em capacidade entregue.

Um orçamento previsível fomenta vigilância nas fronteiras e na Amazônia . A faixa de fronteira brasileira soma mais de 16 mil quilômetros, exigindo monitoramento contínuo por satélites, radares e sensores. A Amazônia Azul, nossa vasta área marítima rica em recursos energéticos e minerais, e a Amazônia terrestre, com sua biodiversidade, demandam presença estatal constante, algo que operações vêm reforçando ano após ano, ampliando a capacidade de resposta.
Essa vigilância é decisiva também no combate ao crime organizado . As ações do Exército na faixa de fronteira têm causado prejuízos às organizações criminosas ligadas ao narcotráfico e ao garimpo ilegal.
Defesa forte, soberania protegida, fronteiras vigiadas e crime organizado enfraquecido são, todos, efeitos de uma mesma causa: a previsibilidade orçamentária. É esse compromisso de longo prazo, mais do que qualquer decisão isolada, que permitirá ao Brasil consolidar o papel que lhe cabe no cenário geopolítico global, protegendo seu território, seus recursos e sua população com autonomia.

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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/09/o-nome-do-jogo-na-defesa-e-previsibilidade-orcamentaria.shtml.

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