Brasil

    O mundo dos censores não era divertido como parece

    Miguel de Almeida recupera o jogo de gato e rato entre artistas e censores no livro

    UOL
    6 de setembro de 2026 às 03:00
    O mundo dos censores não era divertido como parece
    Homem de meia-idade com camisa vermelha de colarinho observa algo fora do quadro, com expressão neutra. Fundo desfocado com parede de textura rústica e parte de objeto azul à direita. — Foto: UOL

    Jornalista, autor de cinco volumes sobre a história do regime militar, entre eles "A Ditadura Encurralada"

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    O jornalista Miguel de Almeida, autor de 'Chame o Ladrão' - Mathilde Missioneiro - 13.jul.19/Folhapress · Mathilde Missioneiro - 13.jul.19/Folhapress
    O jornalista Miguel de Almeida, autor de 'Chame o Ladrão' - Mathilde Missioneiro - 13.jul.19/Folhapress · Mathilde Missioneiro - 13.jul.19/Folhapress — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Está nas livrarias "Chame o Ladrão - Como os Artistas Driblaram a Censura do Governo Militar", do repórter Miguel de Almeida. Em 182 páginas, ele traça um panorama do jogo de gato e rato entre artistas e censores durante a ditadura . O caso mais conhecido é o de Chico Buarque , que virou Julinho da Adelaide para escapar da censura que cortava tudo o que ele assinava. Mas há outros. Luiz Carlos Barreto resgatou "Dona Flor e seus Dois Maridos", de seu filho Bruno, com a ajuda de Amália Lucy Geisel, filha do presidente.

    Um censor achava que a atriz Glauce Rocha e o cineasta Glauber Rocha eram a mesma pessoa. Vários censores amoleciam com bebidas, um general recebia as vítimas na garçonnière, mas todos censuravam e mutilavam a cultura nacional. Hilária a cena do Chacrinha enxotando os censores.

    Aquele mundo não era divertido como parece meio século depois. Gilberto Gil, Caetano Veloso e dezenas de artistas foram presos, projetos de filmes, peças e canções morreram no nascedouro por receio da tesoura. Miguel de Almeida pesa muito bem suas escolhas. No seu melhor momento, conta a saga do romancista Ignácio de Loyola Brandão para liberar seu romance "Zero". Em 1973, 13 editoras rejeitaram-no.

    De Chico Buarque a Caetano Veloso, quem foram os artistas censurados pela ditadura militar
    De Chico Buarque a Caetano Veloso, quem foram os artistas censurados pela ditadura militar — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Loyola furou a censura publicando "Zero" pela editora italiana Feltrinelli. Só depois da edição italiana, em 1975, saiu a edição brasileira, logo proibida. Era tarde. 10 mil exemplares haviam sido vendidos e seu "Zero" estava na vitrine da Biblioteca Mário de Andrade.

    "Chame o Ladrão" ecoa um verso de Chico Buarque. Nos primeiros anos da ditadura, o Serviço de Censura de Diversões Públicas era Romero Lago.

    Romero Lago era Hermelindo Ramirez Godoy, mandante de um duplo assassinato, fugido da cadeia, andou pela Argentina e pelo Paraguai, até trocar de identidade, estabelecendo-se no Rio. Optou pelo serviço público e explicou: "Eu queria acima de tudo servir ao meu país, e ter uma vida honrada. Minha principal preocupação era limpar totalmente aquela mancha. Iria trabalhar e mais tarde propor a comprovação da minha inocência".

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    Foto: UOL · Fonte: UOL

    Segundo Romero/Hermelindo, o mandante do crime foi seu irmão.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/colunas/eliogaspari/2026/09/o-mundo-dos-censores-nao-era-divertido-como-parece.shtml.

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    O jornalista Miguel de Almeida, autor de 'Chame o Ladrão' - Mathilde Missioneiro - 13.jul.19/Folhapress · Mathilde Missioneiro - 13.jul.19/Folhapress — Foto: UOL

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