Brasil

    O modelo Bukele-Fiesp

    A última vez na história em que os industriais aplaudiram de pé o extremismo fascistoide não deu muito certo para a humanidade. Leia mais (09/09/2026 - 21h01)

    Folha de S.Paulo
    10 de setembro de 2026 às 00:01
    O modelo Bukele-Fiesp
    Homem de terno azul fala em microfones com a placa FIESP, cercado por outras pessoas em ambiente interno com iluminação artificial. — Foto: Folha de S.Paulo

    Advogado, é professor de direito internacional e direitos humanos na FGV Direito SP. Doutor pela Central European University (Budapeste), escreve sobre direitos e discriminação

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    Flávio Bolsonaro com Paulo Skaf durante visita à Fiesp - Alexandre Meneghini - 24.ago.26/Reuters · Alexandre Meneghini - 24.ago.26/Reuters
    Flávio Bolsonaro com Paulo Skaf durante visita à Fiesp - Alexandre Meneghini - 24.ago.26/Reuters · Alexandre Meneghini - 24.ago.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A última vez na história em que os industriais aplaudiram de pé o extremismo fascistoide não deu muito certo para a humanidade.

    Em 31 de agosto, Gustavo Villatoro, titular de Segurança Pública e Justiça de El Salvador , foi aplaudido de pé em discurso na Fiesp. Tendo como anfitrião o presidente da federação, Paulo Skaf, por ocasião de um seminário sobre segurança pública (sic), o ministro apresentou o que tem sido denominado de Modelo Bukele, seguindo o nome do presidente salvadorenho. Chamar de modelo põe ar de rigor legal onde não há.

    Não se deve subestimar, no entanto, o poder eleitoral de vender como modelo os feitos de uma nação que, inteira, tem a população da cidade do Rio de Janeiro . O que é o Modelo Bukele, exatamente? Prisões em massa sem mandado judicial, baseadas em tatuagens e denúncias anônimas; estado de exceção prorrogado por mais de 50 vezes; julgamentos coletivos; perseguição a opositores do governo; torturas; desaparecimentos.

    Cecot, a prisão que virou cartão-postal de El Salvador
    Cecot, a prisão que virou cartão-postal de El Salvador — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O que Skaf e cia. não contam é que o tal modelo, além de ilegal, não funcionaria no Brasil.

    PCC e Comando Vermelho já estão presentes em praticamente todos os presídios do país e espalhados territorialmente, não podendo, portanto, ser simplesmente trancafiados, como num passe de mágica. E vagas em presídios federais de segurança máxima não faltam (são 43% essas vagas). O Brasil, na verdade, não prende pouco; prende muito, porém mal. Prende o pequeno traficante e o usuário e deixa soltos os grandes líderes do crime. Prendê-los exigiria investigar mais e melhor e seguir o dinheiro, coisas que dão muito trabalho e são pouco sexy.

    No evento estavam Sergio Moro , que propôs excludente de ilicitude para a polícia matar mais; Guilherme Derrite, que propôs mudança na terminologia da lei penal e mais chacinas como solução para o crime; a campanha de Flávio Bolsonaro, aquele que tem laços históricos com milicianos no Rio de Janeiro.

    Imagem da matéria
    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O modelo Bukele-Fiesp serve apenas para a foto eleitoral. Não menciona os jornalistas perseguidos e os cassetetes enfiados nas partes íntimas dos presos.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/thiago-amparo/2026/09/o-modelo-bukele-fiesp.shtml.

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    Flávio Bolsonaro com Paulo Skaf durante visita à Fiesp - Alexandre Meneghini - 24.ago.26/Reuters · Alexandre Meneghini - 24.ago.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo

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