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    O 'método Sheinbaum' para lidar com Trump

    Na noite de 15 de setembro, diante de uma multidão no Zócalo, no centro da capital mexicana, a presidente Claudia Sheinbaum encerrou o tradicional "Grito da Independência" com uma defesa particularmente enfática: "Viva o México livre, independente e soberano". Leia mais (09/19/2026 - 15h55)

    Folha de S.Paulo
    19 de setembro de 2026 às 18:55
    O 'método Sheinbaum' para lidar com Trump
    A presidente Claudia Sheinbaum segura bandeira mexicana durante 'Grito de Independência', na Cidade do México — Foto: Folha de S.Paulo

    Historiadora e jornalista especializada em América Latina, foi correspondente da Folha em Londres e em Buenos Aires

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    A presidente Claudia Sheinbaum segura bandeira mexicana durante 'Grito de Independência', na Cidade do México - Franyeli Garcia - 15.set.26/AFP · Franyeli Garcia - 15.set.26/AFP
    A presidente Claudia Sheinbaum segura bandeira mexicana durante 'Grito de Independência', na Cidade do México - Franyeli Garcia - 15.set.26/AFP · Franyeli Garcia - 15.set.26/AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Na noite de 15 de setembro, diante de uma multidão no Zócalo, no centro da capital mexicana, a presidente Claudia Sheinbaum encerrou o tradicional "Grito da Independência" com uma defesa particularmente enfática: "Viva o México livre, independente e soberano".

    Soberania tornou-se uma das palavras preferidas da presidente enquanto seu governo faz concessões importantes aos Estados Unidos . E há outra data marcada no calendário de Sheinbaum: 3 de novembro. Até as eleições legislativas americanas, México e EUA correm para tentar fechar um acordo que reduza tarifas sobre setores importantes da economia mexicana.

    A negociação ajuda a entender o delicado equilíbrio construído por uma presidente de esquerda que mantém 69% de aprovação. Dentro de casa, Sheinbaum preserva e amplia programas sociais. Para fora, aliou-se aos grandes empresários mexicanos na defesa de seus interesses diante de Washington.

    Mexicanos vão às urnas eleger 1ª mulher presidente
    Mexicanos vão às urnas eleger 1ª mulher presidente — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    E cedeu bastante a Trump. Reforçou a fronteira com milhares de integrantes da Guarda Nacional, ampliou a cooperação contra o narcotráfico e interrompeu o envio de petróleo a Cuba . Seu governo também transferiu 92 chefes do narcotráfico aos EUA por uma via extraordinária, fora dos procedimentos convencionais de extradição.

    Existe, então, um "método Sheinbaum" para lidar com Trump?

    A newsletter da Folha sobre América Latina, editada pela historiadora e jornalista Sylvia Colombo

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Jorge Castañeda, ex-chanceler mexicano, responde com ironia. O método, diz, consiste em fazer praticamente tudo o que Washington pede, mas preservar para o público interno o discurso da soberania.

    A dependência é desigual. Mais de 80% das exportações mexicanas têm os EUA como destino. Mas Washington também precisa do México, hoje seu principal parceiro comercial em bens. À economia somam-se mais de 3.000 km de fronteira, narcotráfico, imigração e dezenas de milhões de pessoas de origem mexicana vivendo em território americano.

    É por isso que Trump não pode tratar o México como trata a Colômbia , o Equador , o Peru ou mesmo o Brasil. Para Washington, o México não é apenas América Latina . É parte de sua política doméstica.

    A relação passa por canais diferentes daqueles usados pelo secretário de Estado, Marco Rubio, em suas recentes viagens pela América do Sul . Comércio, migração, fronteira, inteligência e segurança mobilizam distintas áreas dos dois governos. Sheinbaum fala com Trump enquanto seus ministros negociam com autoridades e empresários americanos.

    Talvez sua habilidade esteja menos em ter descoberto uma fórmula para enfrentar Trump do que em saber jogar as cartas excepcionais que o México possui. Cede onde considera necessário, preserva algumas linhas vermelhas e transforma a soberania em elemento central do seu discurso interno.

    Até aqui, funciona. A mesma pesquisa que lhe dá 69% de aprovação mostra que 65% dos mexicanos avaliam de forma positiva sua condução da relação com os EUA.

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    Castañeda chama isso de concessão embrulhada em soberania. Raúl Benítez Manaut, do Observatório da Relação Binacional México-EUA da UNAM, vê pragmatismo numa relação de interdependência. As duas coisas talvez coexistam.

    Trump tem 3 de novembro no calendário. Sheinbaum ainda tem quatro anos de mandato pela frente. O desafio será continuar fazendo caber no mesmo governo uma agenda social de esquerda, os interesses do empresariado, as exigências de Washington e aquele México "livre, independente e soberano" que ela acaba de proclamar diante do Zócalo.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/sylvia-colombo/2026/09/o-metodo-sheinbaum-para-lidar-com-trump.shtml.

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    A presidente Claudia Sheinbaum segura bandeira mexicana durante 'Grito de Independência', na Cidade do México - Franyeli Garcia - 15.set.26/AFP · Franyeli Garcia - 15.set.26/AFP — Foto: Folha de S.Paulo

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