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    O maestro da barulheira no Supremo chama-se Daniel Vorcaro

    Moraes e Mendonça se engalfinham enquanto a turma do banqueiro busca a nulidade do processo

    UOL
    6 de setembro de 2026 às 03:00
    O maestro da barulheira no Supremo chama-se Daniel Vorcaro
    Dois homens vestindo terno e gravata estão em ambiente interno com parede de fundo neutra. Homem à frente é calvo e olha diretamente para a câmera, enquanto o homem ao fundo está desfocado. — Foto: UOL

    Jornalista, autor de cinco volumes sobre a história do regime militar, entre eles "A Ditadura Encurralada"

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    Ministros do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, à dir., e André Mendonça durante sessão plenária do STF em Brasília - Mateus Bonomi - 2.set.26/Folhapress · Mateus Bonomi - 2.set.26/Folhapress
    Ministros do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, à dir., e André Mendonça durante sessão plenária do STF em Brasília - Mateus Bonomi - 2.set.26/Folhapress · Mateus Bonomi - 2.set.26/Folhapress — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Os dez ministros do Supremo precisam olhar para a estatueta da Justiça que enfeita seus gabinetes. Ela é cega.

    O presidente do tribunal, Edson Fachin , sabe que a estratégia da turma do Vorcaro é obter a nulidade de todo o processo e de suas provas.

    Afinal, o banqueiro quebrado ameaçou várias vezes contar "toda a história" do Master.

    Avião de Vorcaro, do Banco Master, apreendido no Paraguai chega a Brasília
    Avião de Vorcaro, do Banco Master, apreendido no Paraguai chega a Brasília — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Preso, está conseguindo mais do que supunha. Os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça engalfinharam-se. Um (Mendonça) quer que os diálogos de Moraes com Vorcaro em poder da Polícia Federal venham a público.

    Trata-se da aplicação da lei do juiz americano Louis Brandeis: "A luz do sol é o melhor desinfetante".

    O outro, Moraes, quer investigar iniciativas ilegais de Mendonça.

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    Foto: UOL · Fonte: UOL

    No meio, clarividente, está o presidente do tribunal, Edson Fachin, vendo que a estratégia da defesa de Vorcaro e de sua turma é a busca da nulidade. Assim, a maior fraude financeira da história iria para baixo das togas. Quais? Todas, como se deu com a Lava Jato.

    Isso está claro desde o tempo em que a relatoria do caso estava sob o ferrolho do ministro Dias Toffoli.

    Como ensinaria Chico Buarque, "chamem o banqueiro".

    O ministro André Mendonça deve estar amargamente arrependido de ter criado o Iter, uma instituição privada de ensino nascida em 2024. Ela se apresenta como um lugar onde "autoridades vivem o que ensinam". O sujeito dessa frase é a autoridade, não necessariamente o saber.

    Mendonça encabeça o plantel do Iter e é seguido por um "membro da Câmara Nacional de Licitações e Contratos da Advocacia-Geral da União" e por um "assessor de ministro do Supremo Tribunal Federal". O instituto anuncia: "No Instituto Iter você aprende com quem faz".

    Em dois anos, o instituto recebeu R$ 11,5 milhões em verbas públicas em 68 contratos sem licitação com órgãos de 15 estados.

    Mendonça criou o Iter depois de ser nomeado para o Supremo Tribunal, mas não foi ele quem inventou essa fonte de conhecimento. A iniciativa de maior sucesso nessa área é o IDP, Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa, criado pelo ministro Gilmar Mendes há mais de 20 anos, antes de ser indicado para o STF , quando ele era advogado-geral da União. Estendendo suas atividades a Portugal, o IDP promove ciclos de palestras chamadas de "Gilmarpalooza" que reúnem em Lisboa magistrados, ministros, parlamentares e empresários.

    O atual procurador-geral da República, Paulo Gonet, foi um dos fundadores do IDP.

    O IDP se apresenta como "conhecimento que conecta, comunidade que transforma" e convida: "Formamos os nomes por trás das grandes decisões. Agora é a sua vez!"

    A lei permite que magistrados lecionem. Cada ministro do Supremo recebe R$ 46.366,19, mais automóvel e escolta, no Brasil e no Ultramar.

    Em tese, os servidores não podem receber mais que os vencimentos dos juízes do STF . Na vida real, o Brasil tem dois tipos de sem-teto.

    O primeiro tipo não tem onde morar. São cerca de 365 mil pessoas que vivem na rua. O segundo tipo é o dos servidores públicos cujos contracheques ultrapassam o teto constitucional. Eles seriam 53 mil. São magistrados, procuradores, militares, professores e sabe-se lá quem mais. Estima-se que 65% dos magistrados brasileiros recebam a cada mês valores acima do teto. Seis dos dez ministros do STF furam o teto. Como o Supremo está na chuva, vale mencionar os ministros que vivem livres desses penduricalhos: Edson Fachin, Cármen Lúcia, Dias Toffoli e Cristiano Zanin.

    O caso Master jogou luz sobre a presença de delegados da Polícia Federal em gabinetes de ministros do Supremo. Tudo bem, esse magnetismo é velho e universal.

    Em abril de 1964, o marechal Castello Branco nomeou seu colega Juarez Távora (1898-1975) ministro da Viação e Obras Públicas, que ficava no centro do Rio. Juarez começou a trabalhar e percebeu que sempre havia um PM na porta do seu gabinete. Intrigado, o marechal quis saber o que o PM fazia ali.

    Demorou, mas veio a informação. Fazia tempo, o ministro da ocasião mandou pintar a porta de sua sala. Com a tinta fresca, algumas pessoas sujaram seus ternos e seu chefe de gabinete mandou que o PM postado à entrada do prédio (no sol) fosse realocado para garantir que ninguém esbarrasse na porta (refrigerada).

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/colunas/eliogaspari/2026/09/o-maestro-da-barulheira-no-supremo-chama-se-daniel-vorcaro.shtml.

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    Ministros do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, à dir., e André Mendonça durante sessão plenária do STF em Brasília - Mateus Bonomi - 2.set.26/Folhapress · Mateus Bonomi - 2.set.26/Folhapress — Foto: UOL

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