O isolamento de Flávio
Flávio Bolsonaro ( PL ) tem um terço das intenções de voto no primeiro turno, muito adiante de seus adversários no espectro político de direita. No segundo turno, é também o que mais se aproxima do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ( PT ), com quem já esteve empatado nas pesquisas. Leia mais (08/07/2026 - 22h00)

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Flávio Bolsonaro ( PL ) tem um terço das intenções de voto no primeiro turno, muito adiante de seus adversários no espectro político de direita. No segundo turno, é também o que mais se aproxima do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ( PT ), com quem já esteve empatado nas pesquisas.
Para parte do eleitorado, é tido como a alternativa mais viável para a implementação de mudanças. Mas não conseguiu apoios partidários formais; sua inclinação e sua competência reformista são colocadas em dúvida.
O aumento do poder do Congresso sobre o Orçamento, entre outros fatores, explica em parte o isolamento de Flávio. Emendas, fundos de financiamento partidário e eleitoral, posições em cargos com mandato definido e o domínio de governos estaduais incentivam partidos a priorizar o reforço desse poder , que depende do tamanho das bancadas.

A associação a um candidato a presidente não pode, portanto, colocar em risco a manutenção dessas vantagens. A recusa de se aliar a Flávio indica que os partidos veem custos maiores do que benefícios na coligação.
Não era assim com a pré-candidatura de Tarcísio de Freitas ( Republicanos ), governador de São Paulo, que teve manifesto interesse do centrão à direita. Flávio tem, pois, suas peculiaridades.
Seu histórico judicial, a associação às asneiras americanas do irmão Eduardo e as conexões com Daniel Vorcaro suscitam o receio de derrota e o de contaminação de candidaturas parlamentares por escândalos. Flávio repete, ainda, o golpismo do pai ao atacar as urnas eletrônicas.

Ao impor um candidato só pelo sobrenome, a família Bolsonaro expõe sua fraqueza política. O estilo autoritário afasta aliados e barra alianças. Sem conseguir indicar uma mulher, restou-lhes nomear como vice Alfredo Gaspar (PL-AL), acusado de estupro pela oposição —o que ele nega.
Antigos possíveis aliados dizem que o filho de Jair Bolsonaro (PL) não transfere votos como o pai e carece de experiência e capacidade de mobilização, como demonstra o improviso da escolha tardia de seu vice. Por fim, as alianças regionais, a votação de Lula em alguns estados e o poder da máquina federal dificultaram arranjos nacionais.
Como se não bastasse, Flávio suscita desânimo entre aqueles que o viam como capaz de realizar reformas estruturantes.
O candidato recusa-se a assumir a defesa de diretrizes de mudanças institucionais e de um programa de conserto fiscal, mesmo em linhas gerais, limitando-se a declarações demagógicas, além de incongruentes em termos técnicos —o que demonstraria desconhecimento do assunto. Também nisso, repete o comportamento do pai no governo.
O histórico dos Bolsonaros e a postura ambígua de Flávio sustentam seu isolamento e geram desconfiança na oposição. Em suma, sua força eleitoral vem do antilulismo, e não de virtudes políticas ou de uma agenda sólida.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/08/o-isolamento-de-flavio.shtml.

Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República - Evaristo Sá - 5.ago.26/AFP · Evaristo Sá - 5.ago.26/AFP — Foto: Folha de S.Paulo
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