O Grande Debate: Contra-ataque de Moraes a Mendonça é defesa ou vingança?
Magistrado usou o inquérito das Fake News para acusar colega de três crimes; Fachin deu cinco dias para manifestações

Ana Amélia Lemos , jornalista e ex-senadora, e a advogada Soraia Mendes debateram, na quinta-feira (3), em O Grande Debate (de segunda a sexta-feira, às 23h), sobre o "contra-ataque de Moraes a Mendonça: Defesa ou vingança?"
O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), utilizou o inquérito das Fake News para acusar o colega de corte André Mendonça de crimes, em decisão assinada na noite de quinta-feira. No documento, Moraes enumera três suspeitas contra Mendonça: usurpação da direção das investigações, condução irregular de tratativas de delação premiada e direcionamento de investigação contra o próprio magistrado.
O movimento ocorre após Mendonça ter apresentado um pedido de investigação contra Moraes. Em resposta à escalada do conflito, o presidente da corte, Edson Fachin , determinou um prazo de cinco dias para que os envolvidos — incluindo os dois magistrados, um delegado da PF (Polícia Federal) e o Procurador-Geral da República — se manifestem sobre o caso.

Para a jornalista Ana Amélia Lemos, a ação de Moraes configura claramente uma vingança. "É claramente uma vingança, uma reação inusitada do ministro, que preferiu aplicar uma regra que pode valer para o futebol, mas não para a área jurídica", afirmou.
Segundo ela, Moraes teria optado por atacar Mendonça em vez de dar explicações sobre supostas relações com o banqueiro Daniel Vorcaro , dono do Banco Master, que está sob liquidação, e que, segundo Ana Amélia, encontra-se preso. "O ministro decide atacar o seu colega e outras instituições, como a Polícia Federal", disse.
Ana Amélia avaliou que a situação agrava a crise institucional do Supremo Tribunal Federal e que a reação de Moraes aprofunda uma perplexidade "nunca vista na história do país". Para ela, é urgente que Fachin tome uma atitude que contemple a defesa da instituição, sem blindar ninguém.

"Quem tiver culpa em cartório, que pague por ela. Doa em quem doer. Não há outro caminho", declarou.
Já a advogada Soraia Mendes propôs uma leitura diferente, recusando tanto a classificação de defesa quanto a de vingança. Para ela, as decisões não têm caráter jurídico, mas sim político.
"Nós estamos vendo uma das mais profundas, se não a mais profunda crise que nós poderíamos enfrentar", afirmou, acrescentando que a situação precisa ser analisada sob a perspectiva da ciência política, e não do direito.

Soraia Mendes sugeriu ainda que Moraes não teria incluído os nomes de outros ministros em sua decisão sem ter, de alguma forma, a anuência deles, o que indicaria uma "reação política de um grupo".
Ela avaliou que, quando a questão chegar ao plenário, não o fará sem articulações feitas nos bastidores. "Eu acredito que nós vamos ter muitas outras novidades ao longo dessa semana."



Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/politica/o-grande-debate-contra-ataque-de-moraes-a-mendonca-e-defesa-ou-vinganca/.

Waack: Decisão de Moraes põe em xeque o futuro do Supremo — Foto: CNN Brasil
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