O Grande Debate: Como Lulinha e “Dark Horse” afetam a eleição?
Comentaristas debatem impacto político das investigações sobre o filho de Lula e o filme ligado a Flávio Bolsonaro na corrida eleitoral

Os comentaristas da CNN José Eduardo Cardozo e Vinicius Poit debateram, na segunda-feira (24), em O Grande Debate (de segunda a sexta-feira, às 23h), sobre "como os casos envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e o filme 'Dark Horse' afetam a eleição".
Enquanto a PF (Polícia Federal) avança na apuração sobre possíveis irregularidades no financiamento da produção, a oposição tenta transformar o caso do filho de Lula (PT) em uma nova frente de desgaste contra o governo.
Para Poit, os dois casos afetam politicamente a disputa, mas não seriam decisivos para definir o resultado das urnas. O comentarista ressaltou que os dois casos têm naturezas distintas. De um lado, há um candidato à Presidência questionado sobre a origem dos recursos para financiar o filme, sem provas de ilícito até o momento.

De outro, há o filho de um candidato investigado por tráfico de influência dentro do próprio governo de seu pai. "Não estou falando que um é pior que o outro, mas de um lado a gente está falando de um candidato à Presidência que está sendo questionado, não tem prova nenhuma de ilícito", pontuou.
Cardozo concordou que ambos os casos serão utilizados como instrumentos de ataque político pelas campanhas. Segundo ele, a racionalidade tende a ceder espaço ao discurso político em períodos eleitorais.
O comentarista chamou atenção para suspeitas graves em relação ao caso do "Dark Horse": "Era um financiamento para um filme. Por que tanto dinheiro para aquele filme?", questionou, referindo-se à possibilidade de que recursos inicialmente privados possam ter origem pública.

Pesquisas eleitorais divulgadas após o início da campanha oficial, como Datafolha e Nexus, apontam alta rejeição tanto para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quanto para Flávio Bolsonaro (PL) . Para Poit, essa rejeição não representa uma barreira intransponível ao voto útil, mas impõe dificuldades distintas aos dois candidatos.
"Eu vejo uma dificuldade muito maior para o Lula, que tem seu voto mais consolidado e que, além de candidato, é o incumbente, sendo avaliado com metade da população desaprovando o seu governo ", argumentou. Já a votação de Flávio seria mais elástica, com maior potencial de atrair votos no segundo turno, levando a um empate técnico nas projeções .
Cardozo, por sua vez, avaliou que a polarização favorece o voto útil , já que eleitores tendem a escolher o candidato que consideram o "mal menor". Ele concluiu que a eleição será definida por quem errar menos.

"Eu acho que quem vai definir essa eleição é quem errar menos, objetivamente. Porque todos conhecem os dois candidatos", disse.
Um ponto adicional do debate foi a declaração de Lula sobre Lulinha, em que afirmou que o filho teria que provar sua inocência . Poit questionou a afirmação sob o ponto de vista jurídico: "Que história é essa de que o Lulinha vai ter que provar que ele é inocente? As pessoas são inocentes até que se prove a culpa".
Cardozo, no entanto, interpretou a fala de forma diferente, considerando-a como uma postura de rigor paterno: "Se ele abriu mão da presunção de inocência para dizer que o filho tem que provar que é inocente, é um pai rigoroso dizendo: filho, prove que você é inocente, não vá se valer da presunção de inocência", argumentou.



Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/eleicoes/o-grande-debate-como-lulinha-e-dark-horse-afetam-a-eleicao/.

Aliados de Lula veem decisão sobre Dark Horse como munição contra Flávio — Foto: CNN Brasil
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