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    O ginecologista que me fez perder o preconceito

    Na quarta-feira (16), às 15h, peguei um Uber para ir ao ginecologista. Estava com uma bolsa lotada de exames e o resultado de um deles tinha me deixado bastante preocupada. Leia mais (09/21/2026 - 23h00)

    Folha de S.Paulo
    22 de setembro de 2026 às 02:00
    O ginecologista que me fez perder o preconceito
    Figura estilizada com dois perfis humanos integrados: um rosto feminino à esquerda com lábios rosa e um olho grande, e um rosto masculino à direita com barba azul. Fundo amarelo e roupa com listras roxas e rosas. — Foto: Folha de S.Paulo

    Antropóloga e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, é autora de "A Invenção de uma Bela Velhice"

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    Cláudia Liz/Folhapress · Cláudia Liz/Folhapress
    Cláudia Liz/Folhapress · Cláudia Liz/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Na quarta-feira (16), às 15h, peguei um Uber para ir ao ginecologista. Estava com uma bolsa lotada de exames e o resultado de um deles tinha me deixado bastante preocupada.

    Antes da consulta, pesquisei na internet quem era o médico Bruno Luis Gryner Franco.

    "Médico, ginecologista, atuando na área da Saúde da Mulher há 15 anos. Apaixonado por tecnologia me especializei em cirurgia minimamente invasiva para trazer mais qualidade de vida, conforto e segurança para as pacientes", dizia o site que encontrei.

    O que saber sobre calcinhas para cuidar da saúde íntima
    O que saber sobre calcinhas para cuidar da saúde íntima — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Em seguida, li dezenas de avaliações sobre o seu atendimento, todas com cinco estrelas. Uma delas me chamou a atenção, porque pela primeira vez eu iria me consultar com um ginecologista homem .

    "Nunca me consultei com um ginecologista homem por vergonha, mas o doutor Bruno me deixou super à vontade. Excelente profissional, pontual, atencioso, explica com clareza as opções e deixa a decisão para a paciente. Explicou tudo direitinho, com toda a paciência do mundo. Muito inteligente! Adorei!"

    Logo que cheguei ao consultório, tive uma surpresa agradável. Ele me atendeu no horário marcado, coisa raríssima quando vou a médicos. Já esperei mais de três horas para ser atendida.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Antes de olhar meus exames, ele perguntou como eu estava me sentindo. E, durante 1h 20, respondeu, com muita atenção, clareza e segurança a todas as minhas perguntas.

    Ao final da consulta, eu disse que estava muito feliz de ter encontrado um ginecologista tão atencioso e competente. Foi então que lhe perguntei: "Por que não lhe consultei antes?"

    "Porque eu sou homem", ele respondeu com um sorriso.

    Na mosca. Ele havia sido super-recomendado por uma amiga e eu demorei a marcar a consulta por um único motivo: porque era um homem.

    "Por que escolheu essa especialidade?", perguntei.

    No início, ele havia escolhido a cirurgia geral, mas, como gosta muito de escutar, conversar e conhecer seus pacientes, se especializou também em ginecologia .

    Ele disse que as mulheres mais velhas têm menos receio do que as jovens, porque antigamente a maior parte dos médicos era homem, inclusive na ginecologia. Hoje, a maioria é mulher.

    Ele ainda disse algo curioso: algumas mulheres têm receio de se consultar com um ginecologista homem, mas preferem fazer a cirurgia com ele justamente por ser homem.

    Há dois anos, tive uma péssima experiência com um cardiologista que, após cinco minutos de consulta, me diagnosticou: "carro velho precisa de manutenção de um mecânico de confiança três vezes ao ano para não pifar".

    Agora, encontrei um médico que ganhou minha admiração e confiança, justamente porque, em vez de me tratar como um carro velho, soube me escutar, me respeitar e me cuidar com muito profissionalismo, empatia e sensibilidade.

    Até conhecer meu novo médico, achava que só conseguiria falar sobre meus problemas ginecológicos e minhas intimidades sexuais com mulheres. Como eu, que há décadas pesquiso e escrevo sobre os estereótipos de gênero, não percebi que reproduzia esses preconceitos ao acreditar que determinadas profissões só podem ser exercidas por mulheres?

    Ainda bem que, depois de velha, tive a chance de mudar de ideia, experimentar algo completamente novo e me livrar de um preconceito que eu mesma carregava. Mas precisava demorar tanto?

    Discussões, notícias e reflexões pensadas para mulheres

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/miriangoldenberg/2026/09/o-ginecologista-que-me-fez-perder-o-preconceito.shtml.

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