Brasil

    O gênio das eleições

    O eventual eleitor institucionalista em busca de argumentos para não votar em Lula deparou-se com vários no último par de semanas. Como a lista é longa, concentro-me nos dois casos mais gritantes de populismo eleitoreiro . Leia mais (09/29/2026 - 12h00)

    Folha de S.Paulo
    29 de setembro de 2026 às 15:00
    O gênio das eleições
    Homem idoso com barba e chapéu claro fala ao microfone, vestindo camisa jeans azul. Ao fundo, duas pessoas desfocadas e uma bandeira verde. — Foto: Folha de S.Paulo

    Jornalista, foi editor de Opinião. É autor de "Pensando Bem…"

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    O presidente Lula (PT) participa em Brasília de cerimônia de sanção de projeto de lei que prevê o desenvolvimento do futebol feminino no país - Pedro Ladeira - 28.set.26/Folhapress
    O presidente Lula (PT) participa em Brasília de cerimônia de sanção de projeto de lei que prevê o desenvolvimento do futebol feminino no país - Pedro Ladeira - 28.set.26/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O eventual eleitor institucionalista em busca de argumentos para não votar em Lula deparou-se com vários no último par de semanas. Como a lista é longa, concentro-me nos dois casos mais gritantes de populismo eleitoreiro .

    O primeiro foi o reajuste de 15% nos benefícios do Bolsa Família , decretado a apenas 17 dias do primeiro turno. O problema aqui não é o conteúdo, mas o timing. Compensar o programa pelas perdas inflacionárias dos últimos anos sempre teve sentido, mas o governo Lula, por boas ou más razões, havia preferido não fazê-lo. O reajuste não constava da proposta de Orçamento para 2027 enviada ao Congresso pouco antes. Mas bastaram as pesquisas o colocarem num quadro eleitoralmente desafiador para ele agir.

    Se o reajuste era necessário, o presidente errou ao esperar até quase o final de seu mandato para decretá-lo. Se o certo era segurar as despesas, então ele foi irresponsável ao incorrer em gasto expressivo de forma atabalhoada.

    Lula na campanha eleitoral de 2026
    Lula na campanha eleitoral de 2026 — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O caso das bets é até pior. Com a proscrição de todas as casas de aposta a nove dias do pleito , Lula implodiu quase quatro anos de esforços de seu próprio governo para regulamentar a matéria. O banimento poderá reduzir o fluxo de apostas, mas não resolverá o problema dos ludopatas, que continuarão jogando em sites irregulares. A medida priva ainda o governo de arrecadação e consolida a percepção de que no Brasil não existe estabilidade jurídica.

    Os dois casos mostram que Lula dá mais importância a assegurar mais quatro anos de poder para si do que a tentar fazer o melhor governo possível no tempo que lhe foi concedido, uma traição à própria ideia de exercício republicano do mandato.

    O eleitor institucionalista pode então tirar o petista do rol de candidatos a considerar? Não é tão simples, e o próprio presidente explica o porquê: "Se vocês tivessem de escolher entre mim e um gênio, é uma coisa. Mas não é isso que está na mesa".

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Lula foi desmesuradamente gentil com Flávio Bolsonaro ao descrevê-lo só como alguém que não atingiu a genialidade .

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/helioschwartsman/2026/09/o-genio-das-eleicoes.shtml.

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    O presidente Lula (PT) participa em Brasília de cerimônia de sanção de projeto de lei que prevê o desenvolvimento do futebol feminino no país - Pedro Ladeira - 28.set.26/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

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