O futuro político da lata de lixo
O político britânico Nigel Farage disputou uma eleição contra o candidato Cara de Lata de Lixo. Havia duas hipóteses. Leia mais (08/15/2026 - 13h30)

Humorista, membro do coletivo português Gato Fedorento. É autor de “Boca do Inferno”
Texto cômico, geralmente sobre um tema atual
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O político britânico Nigel Farage disputou uma eleição contra o candidato Cara de Lata de Lixo. Havia duas hipóteses.
Uma era péssima, Farage perderia a eleição para o "cara de lata de lixo" . A outra, ao contrário, era apenas muito má, Farage venceria o "cara de lata de lixo". Foi o que acabou por acontecer.

Farage conseguiu vencer o "cara de lata de lixo" , e aprendeu uma dura lição —às vezes, ganhar não é assim tão melhor do que perder.
Neste caso, foi como ganhar uma corrida de cem metros a um caracol —perder seria catastrófico; vencer não é nada de que uma pessoa se possa gabar.
O "cara de lata de lixo" é um candidato satírico. Tem a cabeça enfiada numa lata de lixo, circunstância que justifica o seu nome.
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Não é um candidato muito imaginativo. Mas obteve o melhor resultado de sempre de um candidato satírico, já que 27% do eleitorado foi sensível às suas propostas. O que, ainda assim, é uma derrota feia.
Farage tinha pedido a demissão do cargo de deputado na sequência de notícias segundo as quais teria recebido —e não declarado— 5 milhões de libras, oferecidos por um empresário de criptomoedas.
Vozes maldosas começaram a dizer que receber presentes de 5 milhões de libras não era um bom indicador da seriedade de um político.
Farage ficou indignado, demitiu-se e voltou a candidatar-se, para que fossem os eleitores a decidir se a sua conduta é boa ou má.
No julgamento do tribunal, ele não confia. Os eleitores é que têm a formação jurídica adequada para avaliar a legalidade de um procedimento. Portanto, um político não declara um presente de 5 milhões de libras.
Quando o caso começa a ser investigado, explica que receber presentes de 5 milhões de libras é normalíssimo. Depois, demite-se e volta a candidatar-se ao mesmo cargo.
Mesmo assim, a lata de lixo não consegue vencê-lo. Creio que a lata de lixo tem uma profunda reflexão para fazer.
Se, com estas condições, não consegue vencer a eleição, talvez esteja na altura de abandonar a política e dar lugar a candidatos mais fortes e credíveis, como uma vassoura, ou um vaso sanitário.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ricardo-araujo-pereira/2026/08/o-futuro-politico-da-lata-de-lixo.shtml.

Ilustração de Luiza Pannunzio para coluna de Ricardo Araújo Pereira de 16 de agosto de 2026 - Luiza Pannunzio/Folhapress · Luiza Pannunzio/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo
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