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    O futuro da energia solar no Brasil

    O crescimento exponencial da geração solar conectada à rede de distribuição deve arrefecer com a eliminação gradual dos subsídios cruzados. Leia mais (10/14/2026 - 14h15)

    Folha de S.Paulo
    14 de outubro de 2026 às 17:15
    O futuro da energia solar no Brasil
    Extensa área coberta por painéis solares sob céu azul com nuvens. Ao fundo, várias turbinas eólicas alinhadas em terreno plano com vegetação baixa. — Foto: Folha de S.Paulo

    Engenheiro, foi professor da Coppe-UFRJ e dirigente de ANA, Aneel, Light, Enersul e Sabesp

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    Painéis solares em Casa Nova (BA) - Rubens Cavallari - 29.mai.26/Folhapress · Rubens Cavallari - 29.mai.26/Folhapress
    Painéis solares em Casa Nova (BA) - Rubens Cavallari - 29.mai.26/Folhapress · Rubens Cavallari - 29.mai.26/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O crescimento exponencial da geração solar conectada à rede de distribuição deve arrefecer com a eliminação gradual dos subsídios cruzados.

    A exceção a essa desaceleração poderá vir de um cenário prospectivo: uma queda drástica no custo das baterias que torne viável, em regiões de menor densidade, a desconexão total da rede. Fora dessa possibilidade, a expansão solar continuará onde a vantajosidade for determinada pela sua adequação aos diferentes usos, não mais pela subvenção tarifária.

    No Brasil, adaptação climática significa, em grande medida, a expansão do uso do ar-condicionado. Em áreas carentes, esse aumento do consumo de energia, somado à alta demanda do chuveiro elétrico, impõe um duplo desafio às distribuidoras: reforçar a rede e receber pelo serviço de famílias sem renda suficiente para pagar a conta de luz.

    China instala placas solares no deserto para gerar energia limpa
    China instala placas solares no deserto para gerar energia limpa — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Nesse cenário, é recomendável que as distribuidoras ampliem a instalação de aquecedores solares de água —que custam menos do que os painéis fotovoltaicos—, com o amparo do Programa de Eficiência Energética da Aneel, reduzindo a sobrecarga no horário de pico e permitindo que as famílias direcionem recursos para o indispensável conforto térmico.

    Nas comunidades isoladas da amazônia, hoje dependentes do fornecimento a diesel custeado por todos os consumidores via Conta de Consumo de Combustíveis (CCC), os sistemas fotovoltaicos isolados mantêm relevância estratégica. A maioria das instalações atuais limita-se a atender cargas domésticas mínimas e iluminação.

    Contudo, redirecionar uma fração do dispêndio anual em combustível fóssil para o reforço da capacidade solar e de armazenamento dessas microrredes permite viabilizar atividades produtivas locais —como refrigeração de pesca e processamento agrícola—, convertendo um subsídio assistencialista contínuo em investimento com retorno socioeconômico permanente.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Na agricultura irrigada afastada da rede elétrica, a energia solar encontra plena vocação, mas exige escolha adequada de projeto. Como a irrigação é predominantemente noturna ou realizada em horários de menor insolação para evitar o estresse térmico das culturas e as perdas por evapotranspiração, o produtor precisa armazenar a energia produzida durante o dia.

    Em propriedades com topografia favorável e disponibilidade de vazão, o bombeamento diurno para reservatórios elevados apresenta custo de capital e manutenção menor do que o uso de bancos de baterias eletroquímicas.

    Por fim, no segmento das grandes usinas centralizadas, o futuro da expansão solar enfrenta o desafio do corte sistemático de geração (curtailment). O excesso de oferta simultânea nas horas de maior insolação, associado a gargalos no sistema de transmissão, tem forçado o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) a descartar volumes crescentes de energia limpa, reduzindo a rentabilidade dos empreendimentos.

    Para que os novos projetos centralizados continuem viáveis, a expansão fotovoltaica terá de ocorrer integrada a sistemas de armazenamento por baterias ou associada a usinas hidrelétricas reversíveis. Somente assim a fonte solar poderá ofertar ao Sistema Interligado Nacional não apenas energia em momentos de abundância mas também a potência e a flexibilidade operacionais exigidas para a segurança da transição energética.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/jerson-kelman/2026/10/o-futuro-da-energia-solar-no-brasil.shtml.

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    Painéis solares em Casa Nova (BA) - Rubens Cavallari - 29.mai.26/Folhapress · Rubens Cavallari - 29.mai.26/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

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