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    O diploma deve ser obrigatório para o exercício da profissão de jornalista? SIM

    O diploma deve ser obrigatório para o exercício da profissão de jornalista? Para a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) , sim. Defender essa posição não significa defender censura, controle sobre a opinião ou restrição à liberdade de expressão. É reconhecer que jornalismo é uma profissão, com responsabilidades próprias, e que informação de qualidade é um direito da sociedade. Leia mais (08/21/2026 - 22h00)

    Folha de S.Paulo
    22 de agosto de 2026 às 01:00
    O diploma deve ser obrigatório para o exercício da profissão de jornalista? SIM
    Dois homens vestidos com trajes formais pretos conversam próximos a uma parede de pedra clara. Um deles é careca e o outro usa óculos, ambos sorriem durante a interação. — Foto: Folha de S.Paulo

    Expressa as ideias do autor e defende sua interpretação dos fatos​

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    Os ministros do STF Alexandre de Moraes e Flávio Dino em sessão no tribunal - Pedro Ladeira - 22.fev.24/Folhapress
    Os ministros do STF Alexandre de Moraes e Flávio Dino em sessão no tribunal - Pedro Ladeira - 22.fev.24/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Jornalista, é presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj)

    O diploma deve ser obrigatório para o exercício da profissão de jornalista? Para a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) , sim. Defender essa posição não significa defender censura, controle sobre a opinião ou restrição à liberdade de expressão. É reconhecer que jornalismo é uma profissão, com responsabilidades próprias, e que informação de qualidade é um direito da sociedade.

    O debate voltou à cena depois de manifestações dos ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino no Supremo Tribunal Federal ( STF ). Empresas jornalísticas reagiram em seus editoriais , afirmando que reabrir esse tema representaria um retrocesso autoritário, e lembraram que a corte derrubou a obrigatoriedade do diploma em 2009 .

    Liberdade de imprensa e censura no Brasil
    Liberdade de imprensa e censura no Brasil — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O jornalismo no século 21 não será salvo decidindo quem pode ou não entrar nele; solução é criar mecanismos para garantir a qualidade da informação

    Afinal, por que a formação profissional de quem trabalha com informação de interesse público seria incompatível com a democracia?

    O primeiro equívoco é confundir liberdade de expressão com exercício profissional do jornalismo. Todo cidadão tem o direito de falar, criar um blog, manter um perfil nas redes sociais ou expressar suas opiniões. Liberdade de expressão é um direito individual que não depende do exercício do jornalismo.

    Evento no Insper discute futuro do financiamento do jornalismo profissional
    Evento no Insper discute futuro do financiamento do jornalismo profissional — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Jornalismo é apuração , checagem, contextualização, confronto de versões, busca por fontes, responsabilidade na divulgação e compromisso ético com o interesse público. Jornalistas entregam à sociedade elementos para que ela possa formar seu próprio juízo. Por isso, não faz muito sentido dizer que exigir formação profissional equivale a impedir que alguém se manifeste. O que se exige é formação específica de quem pretende exercer profissionalmente o jornalismo e gozar das prerrogativas e responsabilidades correspondentes.

    Também é frágil o argumento de que jornalismo não exige conhecimento técnico. Quase todo mundo já tomou um remédio por conta própria, mas isso não transforma ninguém em farmacêutico. Da mesma forma, ter acesso a uma câmera, a um microfone ou a uma rede social não faz de alguém um jornalista.

    A regulamentação do jornalismo começou em 1938, quando o Estado reconheceu a atividade e determinou a criação de escolas de preparação. Em 1943, foi criado o curso superior de jornalismo; em 1961, já havia previsão de diploma e registro profissional. A obrigatoriedade para a maioria das funções foi estabelecida em 1969. Portanto, reduzir toda a luta do diploma a uma suposta herança da ditadura militar é tão simplificador quanto imaginar que sua defesa surgiu agora por causa de uma questão envolvendo ministros do Supremo.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    É curioso, inclusive, que alguns dos mesmos veículos que hoje invocam a liberdade de expressão em tom solene para condenar a exigência de formação profissional tenham uma história menos confortável quando se trata de defender a democracia.

    A Fenaj defende a formação profissional há anos. E há uma razão objetiva para isso: durante décadas, a exigência do diploma coexistiu com o direito à livre manifestação do pensamento e não impediu que especialistas, pesquisadores e cidadãos colaborassem com os meios de comunicação.

    É possível discordar da posição de Moraes e Dino sobre rediscutir o tema. Mas isso é diferente de afirmar que defender diploma seja, por definição, autoritário.

    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha
    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Em uma época de inteligência artificial, conteúdos manipulados e produção massiva de informação sem apuração, devemos tratar a formação jornalística como parte da solução para a desinformação em massa .

    Defender o diploma, portanto, é defender um jornalismo mais preparado para proteger justamente aquilo que a democracia mais precisa: o direito da sociedade de receber informação plural, apurada e responsável.

    E talvez seja justamente esse o ponto que alguns editoriais prefiram não enfrentar: liberdade de expressão é direito de todos. Jornalismo profissional é responsabilidade de quem escolhe fazer dele uma profissão. Uma coisa não ameaça a outra. TENDÊNCIAS / DEBATES Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/08/o-diploma-deve-ser-obrigatorio-para-o-exercicio-da-profissao-de-jornalista-sim.shtml.

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    Os ministros do STF Alexandre de Moraes e Flávio Dino em sessão no tribunal - Pedro Ladeira - 22.fev.24/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

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