Brasil

    O desafio de menstruar com dignidade no Brasil

    Enquanto aguardava a abertura do semáforo numa cidade-satélite de Brasília, a travessia de uma menina que tentava esconder a enorme mancha de sangue na roupa me chamou a atenção para uma violação de direitos que impacta as mulheres mundo afora: a pobreza menstrual . Leia mais (08/23/2026 - 12h00)

    Folha de S.Paulo
    23 de agosto de 2026 às 15:00
    O desafio de menstruar com dignidade no Brasil
    Jornal 'The Star' com manchete e imagem de mancha vermelha que lembra sangue. Ao lado, frase em inglês: 'A newspaper can absorb the blood, but not the shame.' Fundo cinza claro. — Foto: Folha de S.Paulo

    Jornalista especializada em comunicação pública e vice-presidente de gestão e parcerias da Associação Brasileira de Comunicação Pública (ABCPública)

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    Campanha da organização sul-africana Menstruation Foundation para conscientização sobre a pobreza menstrual - Reprodução · Reprodução
    Campanha da organização sul-africana Menstruation Foundation para conscientização sobre a pobreza menstrual - Reprodução · Reprodução — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Enquanto aguardava a abertura do semáforo numa cidade-satélite de Brasília, a travessia de uma menina que tentava esconder a enorme mancha de sangue na roupa me chamou a atenção para uma violação de direitos que impacta as mulheres mundo afora: a pobreza menstrual .

    O conceito define um fenômeno complexo, transdisciplinar e multidimensional suportado por milhões de pessoas que não têm acesso a recursos, infraestrutura e conhecimento para cuidar da menstruação. Além da falta de produtos de higiene (como absorventes), inclui a ausência de saneamento básico, de água encanada e de informação sobre o ciclo menstrual.

    Carências que transformam um processo natural em um problema global de saúde pública e de violação de direitos humanos . Coisa que aqui no Brasil, vale referir, tem cor e classe social bem definidas, pois a pobreza menstrual impacta especialmente as jovens negras e periféricas.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A situação se reflete também na educação. Pelo menos 15% das adolescentes de 13 a 17 anos deixaram de ir à escola no mínimo um dia por falta de absorvente higiênico em 2024, segundo a quinta edição da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE/IBGE).

    E, por incrível que pareça, o papel-jornal ainda é um dos recursos utilizados para impedir que o fluxo menstrual vaze e manche a roupa feminina, causando constrangimento e vergonha. Para além da questão de higiene, a prática pode provocar doenças como alergias, infecções e irritações na pele. Sem falar que o papel-jornal, além de sujo, é áspero e machuca.

    Lembrei do slogan de uma campanha veiculada este ano em jornais da África do Sul por ocasião do Dia Internacional da Dignidade Menstrual , celebrado no final de maio: "O jornal pode absorver o sangue, mas não absorve a vergonha".

    Voltando ao Brasil, a despeito do Programa de Promoção e Proteção da Saúde e da Dignidade Menstrual (regulamentado pelo decreto 11.432/2023 ), que foi um avanço, menstruar com dignidade ainda é um desafio.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ana-cristina-rosa/2026/08/o-desafio-de-menstruar-com-dignidade-no-brasil.shtml.

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    Campanha da organização sul-africana Menstruation Foundation para conscientização sobre a pobreza menstrual - Reprodução · Reprodução — Foto: Folha de S.Paulo

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