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    O custo do esquecimento de ter um Bolsonaro na Presidência

    Lula ( PT ) não foi presidente da República três vezes por acaso. Pode ter cometido erros. Mas nenhum erro é maior do que o cometido durante a pandemia por Jair Bolsonaro . Leia mais (10/09/2026 - 11h01)

    Folha de S.Paulo
    9 de outubro de 2026 às 14:01
    O custo do esquecimento de ter um Bolsonaro na Presidência
    Dois homens de terno e gravata estão em foco, com o homem à frente olhando para frente com expressão séria e o segundo homem desfocado ao fundo também com expressão neutra. — Foto: Folha de S.Paulo

    Expressa as ideias do autor e defende sua interpretação dos fatos​

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    O ex-presidente Jair Bolsonaro e seu filho, Flávio, indicado por ele para concorrer em 2026 - Evaristo Sá - 4.out.22/AFP
    O ex-presidente Jair Bolsonaro e seu filho, Flávio, indicado por ele para concorrer em 2026 - Evaristo Sá - 4.out.22/AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Escritora e psicanalista, é membro da Academia Paulista de Letras

    Lula ( PT ) não foi presidente da República três vezes por acaso. Pode ter cometido erros. Mas nenhum erro é maior do que o cometido durante a pandemia por Jair Bolsonaro .

    Como o custo do esquecimento vai ser alto se o filho ganhar, rememoro o ocorrido. No dia 11 fevereiro de 2021, a Organização Mundial da Saúde alertou para "uma emergência de saúde pública de importância internacional" e informou, no dia seguinte, que era "a mais grave dos últimos cem anos". Na contramão da OMS, o governo Bolsonaro deu a entender que a contaminação no país seria baixa. "Quanto maior o calor, menos ativo é o vírus." Mentiu para adiar gastos com a prevenção. Jair Bolsonaro ousou dizer que não passava de uma "gripezinha" , saiu sem máscara e tirou selfies com a população.

    Veja o que Bolsonaro já disse sobre coronavírus
    Veja o que Bolsonaro já disse sobre coronavírus — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Depois do Carnaval, o único recurso para evitar a contaminação era o isolamento. Mas ele proibiu até a palavra "lockdown" em todo o territorio nacional, fazendo pouco da morte. "Morrer nós todos vamos. E daí?"

    Quando o então ministro da Saúde propôs que a informação sobre o número de mortos fosse exata, Jair Bolsonaro exigiu que a verdade fosse "gerenciada", e a pasta passou a anunciar somente as vidas salvas na rede hospitalar. A imprensa foi obrigada a criar um consórcio para saber o número real de contaminações e mortes. Sem a imprensa, a população ficaria completamente desinformada.

    Quando o então ministro da Saúde quis falar sobre as diretrizes para o sepultamento, Jair Bolsonaro respondeu: "Mórbido demais. Não sou coveiro ".

    Vejas cenas de 'Anatomia do Caos', de Dandara Ferreira
    Vejas cenas de 'Anatomia do Caos', de Dandara Ferreira — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Meados de abril, ele exigiu a distribuição nacional da cloroquina , apesar de não existir prova alguma da sua eficácia e nem aval científico para uso em larga escala.

    No mês de maio, uma empresa norte-americana anunciou que, no final de 2021, a vacina estaria disponível. O Ministério da Saúde ignorou o anúncio, embora a vacina tenha reduzido tanto o índice de mortalidade quanto a água potável e o saneamento básico.

    O resultado do negacionismo foram 700 mil mortos . O Brasil, que só tem 3% da população mundial, foi o segundo país com o maior número de mortos. Cem mil vidas poderiam ter sido salvas se o governo tivesse adquirido o imunizante no momento certo, em vez de atrasar a compra.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Além de fazer pouco da vida, Jair Bolsonaro fez pouco das mulheres. Ousou legitimar o estupro dizendo para uma deputada que "nunca a estupraria porque ela não merecia" . Declarou, num evento público, que tinha cinco filhos e se explicou assim: "Foram quatro homens, a quinta eu fraquejei e veio uma mulher".

    Foi Jair – preso por tentativa de golpe de Estado – que indicou o filho para ser candidato a presidente. O filho não pode ser responsabilizado pelo crimes de Jair, mas sabe-se que está ligado às milícias e já ninguém ignora a sua relação com Daniel Vorcaro –responsável pela maior fraude bancária da nossa história– e Donald Trump , que cobiça as terras raras do país.

    No segundo turno, o voto precisa, sobretudo, evitar um Bolsonaro na Presidência para que a Constituição seja respeitada e a soberania nacional defendida. O que interessa é salvar o Brasil.

    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha
    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/10/o-custo-do-esquecimento-de-ter-um-bolsonaro-na-presidencia.shtml.

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    O ex-presidente Jair Bolsonaro e seu filho, Flávio, indicado por ele para concorrer em 2026 - Evaristo Sá - 4.out.22/AFP — Foto: Folha de S.Paulo

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