O crime de André Mendonça foi romper a omertà no STF
BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto. André Mendonça não cometeu abuso de autoridade, ao contrário do que publicam os porta-vozes dos políticos do STF.O crime do ministro foi romper a omertà com a qual o Supremo pretendia enterrar a verdade sobre a relação promíscua entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro.A omertà tinha como cúmplices o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.Foi para cumprir a sua obrigação como relator do caso Master, função para o qual foi sorteado depois do espetáculo indecente protagonizado por Dias Toffoli, outro envolvi

André Mendonça não cometeu abuso de autoridade, apenas rompeu a omertà com a qual o STF pretendia salvar Alexandre
André Mendonça não cometeu abuso de autoridade, ao contrário do que publicam os porta-vozes dos políticos do STF.
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O crime do ministro foi romper a omertà com a qual o Supremo pretendia enterrar a verdade sobre a relação promíscua entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro.
A omertà tinha como cúmplices o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Foi para cumprir a sua obrigação como relator do caso Master, função para o qual foi sorteado depois do espetáculo indecente protagonizado por Dias Toffoli, outro envolvido com Daniel Vorcaro, que André Mendonça determinou que a PF investigasse quem era o destinatário das mensagens cabulosas do maior fraudador do sistema financeiro do país.

A investigação se tornou necessária, lembre-se, porque Alexandre de Moraes mentiu deslavadamente quando parte das mensagens veio à tona, no início de março, ao negar ser o interlocutor do banqueiro do Master.
Se não era o ministro, quem era ele? Essa informação era vital para o andamento do processo.
Ao constatar que Alexandre de Moraes havia faltado com a verdade, assim como fez em relação ao contrato de Daniel Vorcaro com o escritório de advocacia da mulher, André Mendonça cumpriu a obrigação de encaminhar ao presidente do STF, Edson Fachin, o pedido de permissão para incluir o mentiroso no processo.

Tudo o mais é infâmia: da inclusão do ministro no inquérito das fake news mediante um relatório apócrifo e ilegal produzido sob encomenda para Alexandre de Moraes à história de que André Mendonça recebeu dinheiro de Daniel Vorcaro e à lorota de que ele teve um terno pago por um cupincha do fraudador.
A infâmia visa a criar uma falsa equivalência criminosa entre um ministro que agia como funcionário regiamente pago por Daniel Vorcaro e outro que seguiu o dever funcional. Mas que, ao fazê-lo, rompeu com a omertà com o qual se queria salvar Alexandre de Moraes do cadafalso.
André Mendonça está praticamente isolado no Supremo, mas todos os brasileiros honestos estão ao seu lado. Eles não o veem como herói e sim como um ministro honesto, que não compactua com quem quer jogar a Justiça brasileira no lixo apenas para manter-se no cargo do qual se mostrou indigno.

Esses brasileiros não são poucos, a repulsa aumenta em todas as camadas da população, e é importante que Edson Fachin tenha isso em mente antes de tomar qualquer decisão que implique a falsa e ultrajante equivalência entre quem comete o crime e quem o denuncia.





Publicado originalmente por Gazeta de Alagoas. Leia a matéria completa em https://www.gazetaweb.com/noticias/brasil/o-crime-de-andre-mendonca-foi-romper-a-omerta-no-stf-934210.

BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto. — Foto: Gazeta de Alagoas
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