O corporativo precisa de oxigênio
Ninguém tem mais tempo. Não é uma metáfora. É uma realidade que atravessa empresas, lideranças e equipes. Quanto mais conectados estamos, menos tempo parece existir para pensar sobre o que realmente importa. Leia mais (08/28/2026 - 08h00)

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Idealizador do Oxigênio Ilhabela, incubadora territorial que potencializa a vocação criativa da ilha, fortalece a economia local e inspira novas relações entre territórios e marcas
Ninguém tem mais tempo. Não é uma metáfora. É uma realidade que atravessa empresas, lideranças e equipes. Quanto mais conectados estamos, menos tempo parece existir para pensar sobre o que realmente importa.
Estamos vivendo uma espécie de exaustão da disponibilidade. As pessoas querem curadoria, mas muitas vezes já não têm tempo sequer para construir o briefing do que precisam. Querem inovação, conexão, criatividade e vínculo —tudo ao mesmo tempo.

Talvez o que esteja faltando não seja mais uma solução. Talvez esteja faltando espaço. Espaço para sair do automático. Para conversar sem uma agenda de 30 tópicos. Para caminhar, ouvir ou sentir. Para fazer uma pergunta que não caberia em uma reunião.
Durante muito tempo, retiramos as pessoas de seus ambientes para colocá-las em salas, hotéis e centros de convenções, reproduzindo a mesma lógica de produtividade em outro endereço. Mas e se o território não fosse apenas o cenário do encontro? E se ele fosse parte da própria experiência?
Ilhabela oferece uma possibilidade original. Não como mais um destino para eventos corporativos que voam como ventos e logo passam, mas como um território capaz de funcionar como antídoto para o modus de trabalho que escolhemos.

Aqui, uma conversa estratégica pode acontecer velejando. Uma reunião pode começar na trilha. Uma experiência gastronômica pode aproximar pessoas que trabalham juntas há anos. Um parceiro de negócio pode deixar de ser apenas um contato e virar uma relação real.
Isso acontece porque Ilhabela não oferece apenas infraestrutura. Oferece território : natureza, mar, cultura, gastronomia, hospitalidade, comunidades tradicionais e uma rede local de serviços que conhece e vive esse lugar.
É essa perspectiva que orienta o Oxigênio Ilhabela: conectar empresas e grupos à potência do território para construir experiências que façam sentido.

Não se trata de oferecer um pacote pronto. Trata-se de construir uma experiência integrada ao lugar. Um grupo pode chegar sabendo o que precisa —ou justamente porque já não consegue formular essa resposta sozinho.
Podemos combinar encontros, natureza, movimento e para criar uma percepção diferente de tempo e espaço. Isso também nos obriga a repensar o próprio conceito de produtividade. Talvez produtividade não seja trabalhar mais horas. Talvez seja criar condições para voltar a pensar melhor.
Há pessoas trabalhando aos domingos porque acreditam que é quando conseguem produzir mais. Talvez o problema não seja trabalhar no domingo. Talvez seja termos perdido a capacidade de perceber quando estamos trabalhando e quando estamos vivendo.
E essa discussão é social. Quando o trabalho ocupa todo o espaço, não é apenas a agenda profissional que muda. Mudam as relações, a convivência, o tempo com os filhos, a capacidade de criar vínculos e até a maneira como ocupamos os territórios.
Por isso, precisamos de novos espaços de descompressão. Não para fugir do trabalho, mas para reconstruir nossa relação com ele. Ilhabela é um desses lugares.
A poucas horas de São Paulo, é possível mudar de ritmo sem desaparecer do mundo , combinando infraestrutura e conectividade com natureza, cultura e relações. Uma viagem corporativa pode também movimentar negócios locais, valorizar profissionais do território e criar novas conexões entre quem chega e quem vive aqui.
Talvez Ilhabela não precise ser apenas o lugar para onde se foge no fim de semana para descansar do trabalho. Talvez precise se tornar o lugar onde a gente se encontra —tirando a roupa do trabalho para voltar a encontrar as pessoas por trás dos cargos, as relações por trás dos negócios e a vida por trás da agenda.
E talvez seja disso que o corporativo mais precise agora: menos lugares para trabalhar e mais lugares para voltar a estar.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/papo-de-responsa/2026/08/o-corporativo-precisa-de-oxigenio.shtml.

Movimentação na praia do Curral em Ilhabela, litoral norte paulista - Avener Prado - 07.jul.2013/Folhapress · Avener Prado - 07.jul.2013/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo
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