O cigarro pode custar uma perna: doença vascular que começa antes da dor
Falta de ar e câncer de pulmão são consequências bem conhecidas do tabagismo. Mas existe outro risco, muitas vezes ignorado: a perda da circulação nas pernas. A cirurgiã vascular Dra. Andrea Klepacz explica por que o cigarro é um dos maiores inimigos das artérias e como abandonar o tabagismo pode evitar amputações

Quando se fala em cigarro, a maioria das pessoas pensa imediatamente em câncer de pulmão, enfisema ou infarto. Poucos imaginam que o tabagismo também pode comprometer gravemente a circulação das pernas e, em casos avançados, levar até mesmo à amputação de um membro .
Essa é a realidade da doença arterial periférica, uma condição que costuma evoluir lentamente, muitas vezes sem provocar sintomas nas fases iniciais. Quando aparecem os primeiros sinais, o estreitamento das artérias já pode estar comprometendo significativamente o fluxo de sangue para os membros inferiores.
No Dia Nacional de Combate ao Fumo, vale lembrar que proteger os pulmões é apenas uma das razões para abandonar o cigarro . As artérias também agradecem.

Cada cigarro libera milhares de substâncias químicas capazes de lesar a parede interna dos vasos sanguíneos.
Com o passar dos anos, esse processo favorece a formação de placas de gordura nas artérias, fenômeno conhecido como aterosclerose. Ao mesmo tempo, a nicotina provoca contração dos vasos e reduz a oferta de oxigênio aos tecidos.
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O resultado é uma circulação progressivamente mais comprometida, especialmente nas pernas , onde o sangue precisa percorrer longas distâncias para irrigar músculos, pele e pés.
Não por acaso, o tabagismo é considerado um dos principais fatores de risco para a doença arterial periférica , ao lado do diabetes, da hipertensão, do colesterol elevado e do envelhecimento.
O sintoma mais característico da doença arterial periférica é a chamada claudicação intermitente.

A pessoa começa a sentir dor, peso, queimação ou cansaço nas panturrilhas, nas coxas ou nos glúteos ao caminhar, o que acaba forçando a pessoa a interromper a caminhada. Depois de alguns minutos de descanso, o desconforto desaparece e a pessoa retorna a andar, mas após uma certa distância a dor retorna e o ciclo se repete.
Como essa dor melhora rapidamente, muitos pacientes acreditam que se trata apenas de cansaço ou de um problema muscular.
Com a progressão da doença, porém, podem surgir sinais mais preocupantes, como pés frios, mudança na coloração da pele, perda de pelos nas pernas, unhas com crescimento lento, feridas que não cicatrizam e dor mesmo durante o repouso.

Nessa fase, existe risco de perda do tecido por falta de circulação , aumentando a possibilidade de amputação.
A cirurgia vascular dispõe hoje de diferentes recursos para tratar a doença arterial periférica.
Dependendo do caso, podem ser utilizados medicamentos, programas supervisionados de caminhada, angioplastias com balão e stent ou cirurgias de revascularização para restabelecer o fluxo sanguíneo.

Esses tratamentos melhoram os sintomas e podem salvar membros em situações graves.
Entretanto, existe uma medida que continua sendo mais importante do que qualquer procedimento: abandonar o cigarro.
Parar de fumar reduz a velocidade de progressão da aterosclerose, diminui o risco de novas obstruções, melhora os resultados das cirurgias vasculares e reduz significativamente a chance de amputações e de eventos cardiovasculares, como infarto e AVC .

Nenhum stent consegue neutralizar os danos provocados pela continuidade do tabagismo.
A doença arterial periférica costuma dar sinais apenas quando o comprometimento da circulação já é importante.
Por isso, fumantes e ex-fumantes, especialmente aqueles que também têm diabetes, hipertensão ou colesterol elevado, devem estar atentos aos sintomas e manter acompanhamento médico regular.

Quanto mais cedo a doença é identificada, maiores são as possibilidades de controlar sua evolução, preservar a circulação e evitar complicações .
Parar de fumar continua sendo a decisão mais eficaz para proteger não apenas os pulmões e o coração, mas também as artérias que mantêm as pernas vivas e funcionantes.
*Texto escrito por Dra. Andréa Klepacz (CRM/SP 128.575 | RQE 51419), Cirurgiã vascular e membro da Brazil Health

Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/saude/o-cigarro-pode-custar-uma-perna-doenca-vascular-que-comeca-antes-da-dor/.

Homem com cigarro • 11/4/2023 REUTERS/Maja Smiejkowska · • 11/4/2023 REUTERS/Maja Smiejkowska — Foto: CNN Brasil
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