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    'O Céu da Língua' celebra a palavra

    Está em cartaz, viajando pelo Brasil, "O Céu da Língua" , um monólogo poético interpretado por Gregorio Duvivier com direção de Luciana Paes. Estreou originalmente em novembro de 2024, em Lisboa, e chegou ao Brasil em fevereiro de 2025, celebrando a nossa língua portuguesa . A peça é uma mistura de linguagens, utilizando humor ácido e poesia cotidiana, além de homenagear grandes autores e relembrar anedotas históricas. Leia mais (08/12/2026 - 22h00)

    Folha de S.Paulo
    13 de agosto de 2026 às 01:00
    'O Céu da Língua' celebra a palavra
    Homem com barba veste roupa azul renascentista com gola de babado clara, gesticulando com as mãos em fundo preto. — Foto: Folha de S.Paulo

    Expressa as ideias do autor e defende sua interpretação dos fatos​

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    Gregorio Duvivier em cena do monólogo 'O Céu da Língua' - Priscilla Prade/Divulgação · Priscilla Prade/Divulgação
    Gregorio Duvivier em cena do monólogo 'O Céu da Língua' - Priscilla Prade/Divulgação · Priscilla Prade/Divulgação — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Doutor em educação, membro da Academia Brasileira de Letras (ABL) e doutor honoris causa da Universidade Santa Úrsula

    Está em cartaz, viajando pelo Brasil, "O Céu da Língua" , um monólogo poético interpretado por Gregorio Duvivier com direção de Luciana Paes. Estreou originalmente em novembro de 2024, em Lisboa, e chegou ao Brasil em fevereiro de 2025, celebrando a nossa língua portuguesa . A peça é uma mistura de linguagens, utilizando humor ácido e poesia cotidiana, além de homenagear grandes autores e relembrar anedotas históricas.

    O texto abusa da comédia numa linguagem popular que prende o público enquanto transita por universos linguísticos, como etimologia, fonética e gramática de forma lúdica. Proporciona ao espectador "uma divertida viagem" por diversas situações cotidianas que todos já vivenciamos alguma vez na vida, seja por mal-entendidos, diferenças de sotaques ou formas de linguagem.

    Veja cenas do monólogo 'O Céu da Língua', com Gregorio Duvivier
    Veja cenas do monólogo 'O Céu da Língua', com Gregorio Duvivier — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A comédia defende que a poesia tem vocação popular, aproximando-se do cotidiano e mostrando como o idioma conecta diferentes épocas e sentimentos, discorrendo sobre a origem de palavras e sobre como a língua é viva, transformando-se continuamente.

    O espetáculo é sucesso de crítica por vários motivos, como a comicidade refinada, o texto primoroso e, também, a grande atuação de Duvivier, um mestre da oratória e excelente comediante, com um preciso tempo de comédia e presença de palco.

    A peça é uma grande celebração da nossa língua ("inculta e bela"), sendo uma formidável aula de língua portuguesa mesmo sem que o público perceba.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O autor transita desde as reformas ortográficas que amputaram letras e acentos ao reaparecimento de termos arcaicos com novas interpretações, como as gírias juvenis que ressuscitaram e ressignificaram diversas palavras. É o caso de "brutal", que nada mais tem a ver com seu sentido violento, rude, cruel ou desumano, tornando-se sinônimo de algo muito intenso, espetacular. Nas rodas de adolescentes, é fácil ouvir algo como: "O show de hoje foi brutal!", no sentido de ter sido maravilhoso.

    Discorre sobre letras de música como os decassílabos de Caetano Veloso : "Onde queres resolver sou coqueiro / Onde queres dinheiro sou paixão". Também aborda Orestes Barbosa e Silvio Caldas: "Minha vida era um palco iluminado / Eu vivia de dourado / Palhaço das perdidas ilusões."

    O palco é despojado, permitindo que o público se concentre na performance do ator, que é acompanhado por música ao vivo (com o músico Pedro Aune) e projeções visuais operadas por Theodora Duvivier, irmã de Gregorio.

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    Merecem destaque a iluminação inteligente de Ana Luzia de Simoni e os belos figurinos vitorianos de Elisa Faulhaber e Brunella Provvidente.

    "O Céu da Língua" devolve a percepção do humor e da beleza que residem em cada sílaba, em cada verbete, em cada vocábulo, reafirmando a grandeza da nossa língua como nossa pátria, como nos ensinaram Luís Vaz de Camões e Fernando Pessoa, presentes em todos os momentos.

    Entre novembro de 1997 e janeiro de 2000, produzi a coluna "Na ponta da língua", veiculada pelo jornal O Dia (Rio de Janeiro), aos domingos. Foram publicadas milhares de notas de esclarecimento, provocando um saudável debate a respeito da nossa língua portuguesa. Dessa coluna surgiu a coleção "Na Ponta da Língua", uma série de quatro livros sobre dúvidas cotidianas, curiosidades e regras gramaticais. Editada por Edições Consultor, nos anos de 2000, 2003, 2005 e 2007, a coleção tornou-se uma referência por sua linguagem clara e simples ao alcance de todos os públicos.

    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha
    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/08/o-ceu-da-lingua-celebra-a-palavra.shtml.

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    Gregorio Duvivier em cena do monólogo 'O Céu da Língua' - Priscilla Prade/Divulgação · Priscilla Prade/Divulgação — Foto: Folha de S.Paulo

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