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    O celular de Vorcaro o traiu e o seu também pode fazer o mesmo

    Dr. Álvaro Machado Dias, neurocientista e colunista do OD, explica como arquivos temporários do iPhone registraram exatamente o que Vorcaro tentou apagar – e o que isso revela sobre privacidade digital O post O celular de Vorcaro o traiu e o seu também pode fazer o mesmo apareceu primeiro em Olhar Digital .

    Olhar Digital
    3 de setembro de 2026 às 20:02
    O celular de Vorcaro o traiu e o seu também pode fazer o mesmo
    Foto: Olhar Digital

    O banqueiro Daniel Vorcaro , dono do Banco Master , montou um esquema para não deixar rastros no WhatsApp. Escrevia mensagens no bloco de notas do celular, tirava print e enviava como imagem de visualização única. A ideia era clara: se não fica no WhatsApp, não fica em lugar nenhum.

    O problema é que ficou. No próprio iPhone.

    “Ele se protegeu contra o aplicativo e acabou caindo nas garras do próprio celular”, disse o dr. Álvaro Machado Dias, neurocientista, professor da Unifesp e colunista do Olhar Digital , em entrevista ao Olhar Digital News . “A cada nota que ele gerava, era produzido um PDF temporário com o mesmo texto, numa pasta chamada Temp – e ela ficava lá.”

    Layse Ventura
    Layse Ventura — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Vorcaro foi preso pela Polícia Federal e seu iPhone 17 Pro foi apreendido. As mensagens reveladas pela perícia incluem conversas com o ministro do STF Alexandre de Moraes. O caso ganhou repercussão nacional após o ministro André Mendonça retirar o sigilo do inquérito.

    A perícia forense digital não lê o celular. Ela copia. “O aparelho é isolado da rede para que ninguém apague nada à distância”, explicou Álvaro. Em seguida, uma ferramenta – no caso da Polícia Federal, o Cellebrite – faz uma cópia integral dos arquivos.

    Depois entra o IPED, software próprio da PF, que indexa e organiza esse volume gigantesco de dados, cruzando horários, registros e arquivos. No caso de Vorcaro, o relatório contém mais de 30 mil logs e mais de 40 mil registros de uso de aplicativos.

    As três etapas da extração forense de dados: isolamento, cópia integral e indexação. – Layse Ventura via Gemini / Olhar Digital
    As três etapas da extração forense de dados: isolamento, cópia integral e indexação. – Layse Ventura via Gemini / Olhar Digital — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    “É esse cruzamento, e não uma mensagem ou outra específica, que determina ou orienta as conclusões”, disse o neurocientista.

    O ponto central da análise do dr. Álvaro é que a maioria das pessoas desconhece as camadas invisíveis do smartphone.

    “A gente tende a achar que o celular é um sistema que funciona simplesmente pela anotação – aquilo que a gente registra é o que fica, aquilo que não está mais registrado não está nele. Isso não está correto”, afirmou. “Abaixo dessa camada visível para o usuário, existem muitas outras camadas que servem para que a tecnologia funcione direito.”

    Cinco tipos de dados que seu celular coleta o tempo todo, mesmo sem você perceber – Layse Ventura via Gemini / Olhar Digital
    Cinco tipos de dados que seu celular coleta o tempo todo, mesmo sem você perceber – Layse Ventura via Gemini / Olhar Digital — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Registros de aplicativos abertos, tempo de uso por tela, capturas de tela automáticas, arquivos temporários gerados por cada ação – tudo isso é gravado pelo sistema operacional, independentemente da vontade do usuário.

    “Reconstruiria muito mais do que a gente imagina e até gostaria”, disse Álvaro ao ser perguntado o que uma perícia conseguiria reconstruir da vida de qualquer pessoa.

    Por exemplo: onde você estava, com uma precisão de metros, mês a mês. Com quem você falou, por quanto tempo, com que frequência. Quem você não respondeu. (…) A que horas você foi dormir. O que você procurou no Google naquela noite de insônia. As mensagens que você escreveu e não enviou.

    As três etapas da extração forense de dados: isolamento, cópia integral e indexação.
    As três etapas da extração forense de dados: isolamento, cópia integral e indexação. — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Uma dúvida frequente em casos como esse é se as mensagens extraídas podem ter sido adulteradas. Álvaro foi categórico: “A autenticidade é o tema mais bem resolvido de todos. Não há debate.”

    Quando uma cópia forense é feita, é gerado um hash – um código matemático único. Se um único caractere for alterado, o hash muda e a adulteração é imediatamente detectada. “É uma impressão digital matemática”, resumiu.

    O neurocientista encerrou com um alerta que vai além do caso Vorcaro. Com o avanço da IA, conversas com chatbots como ChatGPT e Claude também podem ser requisitadas por autoridades – e já foram, em casos documentados.

    Cinco tipos de dados que seu celular coleta o tempo todo, mesmo sem você perceber
    Cinco tipos de dados que seu celular coleta o tempo todo, mesmo sem você perceber — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    “Tem gente que vai lá e faz a mesma coisa no ChatGPT ou no Claude, achando que está numa caixinha oculta. Mas as inteligências artificiais também registram as suas informações, e a gente vem acompanhando casos em que essas informações são repassadas para a polícia”, disse Álvaro.

    O próximo passo, segundo ele, são os modelos de IA embarcados nos próprios celulares. “Eventualmente, o sujeito fala: ‘Não vou falar uma coisa sensível com o Gemini porque não quero que tenha relação com o Google.’ Só que você fala com o minimodelo do seu celular – e essa coisa termina registrada do mesmo jeito que os arquivos em TXT que viraram PDF do Vorcaro.”

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    Publicado originalmente por Olhar Digital. Leia a matéria completa em https://olhardigital.com.br/2026/09/03/pro/o-celular-de-vorcaro-o-traiu-e-o-seu-tambem-pode-fazer-o-mesmo/.

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