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    O Brasil que as urnas revelaram: o avanço do voto reacionário

    O primeiro turno das eleições de 2026 terminou com Flávio Bolsonaro e Lula disputando o posto político mais importante do país

    Metrópoles
    6 de outubro de 2026 às 12:56
    O Brasil que as urnas revelaram: o avanço do voto reacionário
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    O primeiro turno terminou, mas a eleição está longe de ter acabado. Flávio Bolsonaro terminou na frente, com 47,03% dos votos válidos, 56,1 milhões de votos. Lula ficou com 45,16%, pouco mais de 53,8 milhões. A diferença foi de aproximadamente 2,2 milhões de votos. O número mais importante, porém, não está apenas nessa distância. Está no que ela revela sobre o país. E há um dado que não pode ser ignorado: teremos um Congresso profundamente deslocado à direita. O PL terá 121 deputados, a maior bancada, e 28 senadores. Teremos uma presença reacionária sem paralelo recente na democracia brasileira. Isso significa que a disputa não estará apenas na Presidência, mas também na correlação de forças dentro do Estado e na capacidade de avançar ou barrar direitos.

    Há um Brasil profundamente insatisfeito com a política, desiludido com a esquerda, decepcionado com governos, cansado de promessas e ferido por experiências concretas de abandono. Também há um eleitorado capturado por discursos religiosos, moralistas e punitivos, movido pelo medo, pela raiva e pelo desejo de romper com aquilo que identifica como sistema. Fingir que tudo isso é apenas ignorância seria um erro político monumental.

    Mas existe algo ainda mais difícil de encarar: um Brasil que olha para o passado como se ele fosse um lugar possível de retorno. A força eleitoral do bolsonarismo expõe a permanência de uma sociedade profundamente hierarquizada, na qual alguns defendem direitos para si e aceitam sua retirada dos outros. A liberdade é celebrada quando significa liberdade econômica, mas vista como ameaça quando envolve direitos trabalhistas, liberdade religiosa, direitos das mulheres, da população negra, LGBTQIA+ ou proteção ambiental. O debate, então, deixa de ser apenas eleitoral e passa a ser histórico.

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    Eleições 2026 — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles
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    Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/colunas/rodrigo-franca/o-brasil-que-as-urnas-revelaram-o-avanco-do-voto-reacionario.

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