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    O Brasil não cabe no quintal de ninguém?

    No seu discurso na ONU , o presidente Lula soltou a frase: "O Brasil não cabe no quintal de ninguém!" e foi interrompido por aplausos. Fiquei honrado com o fato de ele ter recorrido ao título de um livro meu , de 2019. A frase parece estar se tornando um slogan da campanha eleitoral . Leia mais (09/24/2026 - 14h13)

    Folha de S.Paulo
    24 de setembro de 2026 às 17:13
    O Brasil não cabe no quintal de ninguém?
    Homem de cabelos grisalhos e barba curta veste terno escuro e gravata listrada, falando em púlpito com símbolo da ONU. Fundo verde escuro e microfone visível. — Foto: Folha de S.Paulo

    Expressa as ideias do autor e defende sua interpretação dos fatos​

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    O presidente Lula durante discurso na 81ª sessão da Assembleia Geral da ONU - Spencer Platt - 22.set.26/Getty Images via AFP
    O presidente Lula durante discurso na 81ª sessão da Assembleia Geral da ONU - Spencer Platt - 22.set.26/Getty Images via AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Economista, é autor do livro 'O Brasil Não Cabe no Quintal de Ninguém' (ed. LeYa)

    No seu discurso na ONU , o presidente Lula soltou a frase: "O Brasil não cabe no quintal de ninguém!" e foi interrompido por aplausos. Fiquei honrado com o fato de ele ter recorrido ao título de um livro meu , de 2019. A frase parece estar se tornando um slogan da campanha eleitoral .

    Mas é muito mais do que um slogan. Alude, primeiramente, às dimensões do nosso país: o quinto maior território, a sétima maior população e a oitava economia do mundo. O Brasil faz parte de um grupo de apenas cinco países, juntamente com China, Índia, Rússia e Estados Unidos , que integram a lista das dez maiores nações em termos territoriais, demográficos e econômicos. Temos, também, imensas reservas de terras raras e minerais críticos, urânio, petróleo, minério de ferro e outros minerais. Temos a maior biodiversidade do planeta. Temos, além disso, uma belíssima tradição cultural nacional, que suscita a admiração de outros países. E, como se não bastasse, temos os brasileiros, um povo admirável em muitos sentidos, entre os quais humanidade, simpatia, cordialidade, criatividade e capacidade de trabalho.

    Lula na campanha eleitoral de 2026
    Lula na campanha eleitoral de 2026 — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    No entanto, o leitor ou leitora há de ter reparado que eu coloquei um ponto de interrogação no título deste artigo. Por quê? É que a soberania e a integridade nacionais estão ameaçadas como nunca. Primeiro, porque concorre à Presidência um Flávio Bolsonaro . E com chance de vencer, a julgar pelas pesquisas. Trata-se de um político que, entre muitos defeitos graves, se apresenta, sem nenhuma vergonha, como candidato a vassalo dos Estados Unidos de Donald Trump ! Basta lembrar que ele ofereceu generosamente criar, em caso de vitória eleitoral, "uma equipe de transição à disposição do governo americano"!

    Há um agravante –a fase em que se encontram os EUA, que seguem um imperialismo agressivo e intervencionista, que tem sido referido por alguns analistas, entre eles Vijay Prashad, como hiperimperialismo. Basta lembrar o que aconteceu na Venezuela , transformada em protetorado dos EUA.

    O governo Trump não esconde, antes proclama, as suas intenções. Afirmou em documentos oficiais e diversos pronunciamentos do presidente e seus ministros que o hemisfério Ocidental, da Groenlândia à Patagônia, é sua área de influência exclusiva. Essa hegemonia sobre o hemisfério não estará completa sem a submissão do Brasil, o maior país da América Latina .

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A forma mais fácil de alcançar esse objetivo é eleger um Flávio Bolsonaro. O Brasil será conquistado sem a necessidade de disparar um tiro sequer!

    Caso Lula se eleja, o problema não estará resolvido. A verdade é que não estamos bem preparados para enfrentamentos militares. O problema é antigo.

    Suponho que Lula e sua equipe estejam totalmente conscientes da urgência de reforçar a Defesa nacional. Imagino que o esforço já tenha começado, ao menos em 2026, depois do que vimos na Venezuela, em Cuba e no Irã. Com base em nossos próprios recursos, reforçados por cooperação militar e tecnológica com países como França, Turquia, Irã, Rússia e China, e com um esforço concentrado do governo e do país, teremos condições de superar essa vulnerabilidade estratégica.

    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha
    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    E retirar o ponto de interrogação da frase.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/09/o-brasil-nao-cabe-no-quintal-de-ninguem.shtml.

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    O presidente Lula durante discurso na 81ª sessão da Assembleia Geral da ONU - Spencer Platt - 22.set.26/Getty Images via AFP — Foto: Folha de S.Paulo

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