O "Brasil do Futuro" ainda espera o presente
Texto de Luiz Xavier Gama, no portal "Diário do Poder": "Em 1941, Stefan Zweig publicou ‘Brasil, País do Futuro’ e projetou para o mundo uma visão otimista sobre o destino nacional. Mais de oito décadas depois, a expressão continua atual porque traduz uma inquietação persistente. Poucas nações reúnem tantos atributos para prosperar; poucas também convivem há tanto tempo com a sensação de que suas promessas permanecem maiores do que suas realizações. Tive a oportunidade de conviver com formuladores de políticas públicas em diferentes ambientes internacionais, o que reforçou minha percepção de q

Texto de Luiz Xavier Gama, no portal "Diário do Poder":
"Em 1941, Stefan Zweig publicou ‘Brasil, País do Futuro’ e projetou para o mundo uma visão otimista sobre o destino nacional. Mais de oito décadas depois, a expressão continua atual porque traduz uma inquietação persistente. Poucas nações reúnem tantos atributos para prosperar; poucas também convivem há tanto tempo com a sensação de que suas promessas permanecem maiores do que suas realizações.
Tive a oportunidade de conviver com formuladores de políticas públicas em diferentes ambientes internacionais, o que reforçou minha percepção de que o Brasil era visto como uma potência em espera, dotada de recursos estratégicos, mercado robusto, capacidade produtiva e relevância geopolítica crescente. A dúvida nunca recaía sobre seu potencial, mas sobre sua capacidade de convertê-lo em resultados concretos para sua população. Talvez aí resida o paradoxo brasileiro.
Ao longo das últimas décadas, o Estado ampliou arrecadação, expandiu estruturas e concentrou recursos. Ainda assim, permanece a percepção de que se paga muito e se recebe menos do que o esperado. O principal desafio nacional não é a falta de recursos, mas a dificuldade de convertê-los em resultados. O Brasil sofre menos pela escassez e mais pela baixa eficiência institucional. Não se trata de uma discussão meramente técnica. Trata-se de decidir se o Estado continuará sustentando sua própria complexidade ou se concentrará esforços naquilo que realmente importa: gerar desenvolvimento e confiança.
Em diversos setores consolidou-se uma cultura excessivamente orientada para processos e formalidades. Criam-se exigências, mas raramente se formula a pergunta essencial: a vida do cidadão melhorou? O investimento realizado gerou retorno para a sociedade? Governos devem ser avaliados menos pela quantidade de estruturas que criam e mais pela qualidade das soluções que entregam. Essa lógica afeta toda a economia.
Burocracia excessiva, lentidão decisória e insegurança regulatória elevam custos, reduzem investimentos e comprometem a competitividade nacional. Por isso, reformas administrativas costumam ser mais relevantes para o futuro do país do que novas promessas de gasto. Um Estado eficiente é aquele que utiliza melhor os recursos que a sociedade lhe confia.
No Distrito Federal, essa discussão assume importância singular. Brasília concentra centros decisórios, universidades, instituições estratégicas e uma das maiores reservas de capital humano qualificado do país. Poucas regiões brasileiras reúnem, simultaneamente, capacidade de formulação, conhecimento técnico e acesso aos instrumentos que influenciam os rumos nacionais.
Publicado originalmente por TNH1. Leia a matéria completa em https://www.tnh1.com.br/noticia/nid/o-brasil-do-futuro-ainda-espera-o-presente/.
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