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    O Brasil da castração química não quer saber do diesel caro ou dos juros nos EUA

    Em uma semana, o Brasil deve estar discutindo ideias brilhantes como castração química , "prendeu, matou", a lotação de prisões com adolescentes para alimentar tropas do PCC ou as maneiras pelas quais o governo federal vai impedir roubo de celular aí na sua calçada. Leia mais (08/18/2026 - 20h25)

    Folha de S.Paulo
    18 de agosto de 2026 às 23:25
    O Brasil da castração química não quer saber do diesel caro ou dos juros nos EUA
    Foto: Folha de S.Paulo

    Jornalista, foi secretário de Redação da Folha. É mestre em administração pública pela Universidade Harvard (EUA)

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    Bandeira dos EUA hasteada em frente a um posto de gasolina na Califórnia - Mario Tama - 11.mai.26/Getty Images via AFP · Mario Tama - 11.mai.26/Getty Images via AFP
    Bandeira dos EUA hasteada em frente a um posto de gasolina na Califórnia - Mario Tama - 11.mai.26/Getty Images via AFP · Mario Tama - 11.mai.26/Getty Images via AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Em uma semana, o Brasil deve estar discutindo ideias brilhantes como castração química , "prendeu, matou", a lotação de prisões com adolescentes para alimentar tropas do PCC ou as maneiras pelas quais o governo federal vai impedir roubo de celular aí na sua calçada.

    Vai começar a campanha eleitoral na TV; vai aumentar a torrente de mentiras e burrice nos grupos de zap e outras mídias atrozes. Ou melhor, apenas talvez as pessoas se ocupem disso já na semana que vem. Segundo marqueteiros políticos, está grande o desânimo de "nós, o povo", com a eleição .

    Ainda que assim seja, é difícil que assuntos como altas de taxas de juros nos mercados do centro do mundo, superendividamento de governos ou superinvestimento no complexo de inteligência artificial possam concorrer com castração química ou com o próximo escândalo de corrupção que vai ser anunciado, vazado ou manipulado.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    No entanto, há sinais de febres econômicas e financeiras, que vão e voltam faz uns cinco anos. São sintomas de doenças que talvez demorem para aparecer e causar dano maior. Mas convém prestar atenção, pois essas febres afetam nossa vidinha.

    O preço do galão do diesel foi a US$ 5,47 , na média dos Estados Unidos . A média do mês de abril foi de US$ 5,50, a mais alta desde a guerra de Donald Trump contra o Irã. A gente se esqueceu do diesel, até porque no Brasil o combustível é subsidiado pelo governo. Mas o diesel não se esqueceu de nós.

    O preço aumenta mais rápido do que o do petróleo , dados estoques baixos e gargalos de refino. O barril do Brent subiu para uns US$ 90, por causa da guerra malparada ou sem fim pelo estreito de Hormuz. Diesel mais caro nos EUA é pressão sobre empresas ou preços aqui.

    O repique do preço dos combustíveis deve ter ajudado a elevar as taxas de juros de financiamento de déficits e dívidas dos governos do mundo rico por estes dias —essas taxas costumam ser o piso do custo do dinheiro em uma economia.

    Diz-se também que essa alta é facilitada pelos déficits enormes dos governos, pela dívida que cresce sem controle (como nos EUA), governos que de resto disputam dinheiros, financiamentos, com empresas do complexo de IA. E daí?

    Para começar pelo problema mais caseirinho, juros mais altos nos Estados Unidos dificultam a queda das taxas por aqui, assim como pressionam o câmbio (o dólar fica mais caro) , tudo mais constante. Para continuar, uma alta contínua de juros nos EUA pode causar acidentes financeiros: derrubar o preço das ações ora na estratosfera, encarecer ou cortar o financiamento e refinanciamento dos investimentos brutais em IA ou criar outros meios de detonar a euforia, que é o que tem levado adiante o PIB dos EUA .

    Ninguém sabe quando os donos do dinheiro vão começar a cobrar muito mais para emprestar a governos com endividamento crescente.

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    Ninguém sabe quando esses ciclos de superinvestimento (ou, talvez, bolhas) em novas tecnologias murcham ou explodem. Pode ser em outubro. Pode levar anos. Depois dos primeiros alertas, a bolha "ponto.com", de internet, levou quase meia década para explodir, em 2000 .

    O que temos visto são ondas curtas de febres, sintomas de problemas ruins nas economias, no caso sintoma de dívidas enormes, que aumentaram muito no pós-crise de 2008 e na pandemia e não foram contidas. O que se vê nessa febrinha de agora é que o fenômeno tem afetado ao mesmo tempo EUA, Europa e Japão. O Brasil vai junto.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/viniciustorres/2026/08/o-brasil-da-castracao-quimica-nao-quer-saber-do-diesel-caro-ou-dos-juros-nos-eua.shtml.

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    Bandeira dos EUA hasteada em frente a um posto de gasolina na Califórnia - Mario Tama - 11.mai.26/Getty Images via AFP · Mario Tama - 11.mai.26/Getty Images via AFP — Foto: Folha de S.Paulo

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