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    O banqueiro Daniel conseguiu o que parecia impossível

    "Com históricas ligações com políticos (...) e apoiado por um vasto grupo de advogados que estão entre os mais bem pagos e competentes do país, o banqueiro Daniel (...) conseguiu o que parecia impossível. Aproveitou-se de excessos e equívocos (...) e de uma violenta briga interna na PF, tudo devidamente amplificado e distorcido na imprensa, para obter estrondosas vitórias no STF (Supremo Tribunal Federal) e no STJ (Superior Tribunal de Justiça)." Leia mais (09/05/2026 - 21h30)

    Folha de S.Paulo
    6 de setembro de 2026 às 00:30
    O banqueiro Daniel conseguiu o que parecia impossível
    Balões de fala com nós de marinheiro se desprendem do prédio do STF, em Brasília — Foto: Folha de S.Paulo

    Jornalista e quadrinista, é ombudsman da Folha. Já foi secretária-assistente de Redação, editora de Diversidade e editora-adjunta de Especiais e Ilustrada

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    Ilustração de Carvall para Ombudsman de 6 de setembro de 2026 - Carvall/Folhapress · Carvall/Folhapress
    Ilustração de Carvall para Ombudsman de 6 de setembro de 2026 - Carvall/Folhapress · Carvall/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "Com históricas ligações com políticos (...) e apoiado por um vasto grupo de advogados que estão entre os mais bem pagos e competentes do país, o banqueiro Daniel (...) conseguiu o que parecia impossível. Aproveitou-se de excessos e equívocos (...) e de uma violenta briga interna na PF, tudo devidamente amplificado e distorcido na imprensa, para obter estrondosas vitórias no STF (Supremo Tribunal Federal) e no STJ (Superior Tribunal de Justiça)."

    Pode não parecer, mas o Daniel e a história eram outros . O trecho, sem as pequenas edições feitas aqui, está na introdução de " Operação Banqueiro ", livro do repórter Rubens Valente publicado em 2014 sobre a Operação Satiagraha, que levou a duas prisões e à investigação do banqueiro Daniel Dantas em 2008. A operação acabaria sendo anulada posteriormente, e o delegado responsável por ela, condenado .

    Em 2022, Valente também foi condenado a pagar mais de R$ 310 mil de ressarcimento por danos morais ao ministro Gilmar Mendes, do STF, para quem a obra "atacou sua imparcialidade como juiz, distorceu sua biografia e deturpou o julgamento de um habeas corpus", segundo relato do jornal na época. Depois disso, o caso do repórter foi levado à Comissão Interamericana de Direitos Humanos .

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Assim como na Satiagraha e na Lava Jato , a atual crise com STF (Supremo Tribunal Federal), PF e o caso Master traz consigo questões também sobre o papel do jornalismo. E é esperado que isso ocorra, já que jornais e sites de notícias servem de canais para vazamentos e repercussões.

    Desta vez, os principais furos da semana ficaram a cargo da concorrência, sobretudo O Estado de S. Paulo , Metrópoles , O Globo , ICL Notícias e a newsletter Noites Húngaras , de Paulo Motoryn.

    A Folha demorou um pouco a reagir. Por outro lado, investiu em contexto, como mostrar os planos para o uso da crise no 7 de Setembro do candidato Flávio Bolsonaro. Outros foram o detalhamento de como a polícia recuperou mensagens de Vorcaro para o ministro Alexandre de Moraes mesmo com visualização única e " o que Vorcaro ofereceu a Moraes , segundo a PF" ("dois contratos de honorários que somariam R$ 180 milhões ao escritório da mulher de Moraes, cotas de jato e helicóptero, e a organização de eventos internacionais").

    Também foi importante deixar claro, no podcast Café da Manhã , o "não sei" como possibilidade de resposta para o que se passa no país. "Até o não sei, a essa altura, pode nos ajudar a dimensionar o tamanho da crise", comentou a jornalista Gabriela Mayer ao entrevistar o advogado e professor de direito Rafael Mafei em episódio da última sexta-feira (4).

    Questionado sobre a possibilidade da anulação do relatório produzido pela PF sobre conversas que envolveriam Moraes e Vorcaro e o que poderia acontecer com o ministro André Mendonça, Mafei lançou mão do recurso. "Essa é uma pergunta para a qual a resposta pode ser não sei. Porque depende de como o debate vai ser construído ali dentro, como vai ser enquadrado."

    Outras questões foram pacientemente abordadas. Uma das que importam aqui é sobre a natureza dos vazamentos e a qualidade do que sai deles. "Quando o sentido de coleta de informações de uma investigação passa a ser produzir fatos políticos e menos o trabalho sereno e técnico de elucidar a prática de crimes, aquilo é evidentemente um desvio. Neste contexto específico em que a gente está, tem, além de tudo, a gravidade de poder impactar nas eleições", disse Mafei.

    Como se fosse pouco problema, há ainda o agravante da infiltração da linguagem empolada do Judiciário brasileiro nos textos jornalísticos. Temas graves para o país inteiro acabam restritos a uma casta, sem tradução para termos técnicos ou afetados. A comunicação não pode se limitar aos poucos que se beneficiam dessa blindagem retórica, e o jornalismo precisa ser o primeiro interessado em combatê-la.

    Outro ponto opaco é a normalização de excentricidades, das mais vistosas à banal narração da briga de "alas" políticas da Corte sem nomeá-las. E uma relação com fontes que acabou arrastando o próprio jornalismo para o ringue da magistratura.

    Além do noticiário, o editorial da Folha pedindo a renúncia de Alexandre de Moraes também provocou manifestações.

    O leitor Roberto Garcia questiona se a Folha não estaria sendo desproporcional na "rapidez com que expressou seu clamor por justiça", "mesmo considerando a gravidade das últimas notícias sobre relações de ministros com o caso Master". Muitos outros, inclusive entre os mais de 500 comentários no texto, cobraram um texto para pedir a saída também de Mendonça. Não veio: editorial posterior chamou a atenção para os "relatórios de valor probatório para lá de duvidoso" e afirmou que "Moraes atingiu a República ao alvejar seu colega André Mendonça".

    Outro leitor trouxe uma dúvida. "No editorial que pede a renúncia, a Folha agradece ao ministro Mendonça a sua atuação no caso Master. Em outra notícia, analisa a heterodoxa condução do processo pelo próprio Mendonça. Estão fatiando o assunto para confundir os leitores?"

    Não foi bem "agradecer" o que a Folha fez, mas o editorial afirmou que "graças" ao ministro, à PF e à imprensa, estaria "seriamente ameaçado o pacto de impunidade que tem mantido Moraes isolado de prestar contas". Já a confusão tem raiz no fato de o jornal (seu comando) dar opinião institucional e o jornal (Redação) fazer reportagens em que pode contradizê-la. Não deixa de ser, no entanto, uma camada extra de complicação.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/alexandra-moraes-ombudsman/2026/09/o-banqueiro-daniel-conseguiu-o-que-parecia-impossivel.shtml.

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    Ilustração de Carvall para Ombudsman de 6 de setembro de 2026 - Carvall/Folhapress · Carvall/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

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