O ajuste fiscal de ocasião
O comprometimento com a estabilidade das contas não se mede pela rigidez das regras fiscais instituídas por um governo, mas sim pela resistência às tentativas de flexibilização que surgem ao primeiro sinal de aperto no Orçamento. Leia mais (08/19/2026 - 23h00)

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Escreve sobre economia, com foco em contas públicas, Previdência e políticas sociais
O comprometimento com a estabilidade das contas não se mede pela rigidez das regras fiscais instituídas por um governo, mas sim pela resistência às tentativas de flexibilização que surgem ao primeiro sinal de aperto no Orçamento.
A gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) falhou nesse quesito, e o governo Lula (PT) exibe um desempenho igualmente aquém do necessário.

Em 2025, a equipe econômica alardeou a criação de mecanismos para conter renúncias tributárias. A LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) proíbe expressamente a criação de benefícios neste ano e ainda exige que eventuais propostas tenham estimativas de impacto. Uma segunda lei veda novos incentivos quando os benefícios já concedidos somarem mais de 2% do PIB. Como estamos bem acima disso, a aplicação foi imediata.
As mudanças reforçaram normas da LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal) que exigem medidas de compensação para criar nova despesa ou abrir mão de receitas.
Meses se passaram, e Congresso e governo descobriram que as regras travariam benesses em ano eleitoral. Solução? Aprovar um projeto que flexibiliza ou afasta tais dispositivos . De quebra, incluíram algumas despesas extras.

Postura bem diferente foi adotada semanas antes, quando o Congresso aprovou condições mais vantajosas de aposentadoria a agentes comunitários de saúde , com impacto bilionário para a União. Contrária à medida, a equipe econômica reforçou as articulações no STF (Supremo Tribunal Federal) pela aprovação de uma súmula que faça valer a exigência de cálculo prévio de impacto e medidas de compensação em caso de aumento de despesas ou renúncia de receitas. Sem isso, as propostas seriam consideradas inconstitucionais.
São princípios muito semelhantes aos que o governo, agora, julgou conveniente afrouxar.
Não se trata de discutir o mérito das medidas, nem qual deve ser a intensidade do aperto nas contas. O problema é a falta de constância, que deixa como herança uma distorção crônica: o ajuste fiscal de ocasião.

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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/08/o-ajuste-fiscal-de-ocasiao.shtml.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em evento em São Bernardo do Campo (SP) - Miguel Schincariol - 16.ago.26/AFP · Miguel Schincariol - 16.ago.26/AFP — Foto: Folha de S.Paulo
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