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    O agro envergonhado e a esquerda sertaneja

    Um fenômeno curiosíssimo acontece nos jingles das campanhas de Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) para o governo de São Paulo deste ano. Enquanto um abraça a música sertaneja com força, outro parece ignorá-la. Leia mais (09/18/2026 - 16h30)

    Folha de S.Paulo
    18 de setembro de 2026 às 19:30
    O agro envergonhado e a esquerda sertaneja
    Tarcísio e Haddad durante debate da Band — Foto: Folha de S.Paulo

    Doutor em história, é autor de 'Cowboys do Asfalto: Música Sertaneja e Modernização Brasileira' e 'Simonal: Quem Não Tem Swing Morre com a Boca Cheia de Formiga'

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    Tarcísio e Haddad durante debate da Band - Miguel Schincariol - 9.ago.26/AFP · Miguel Schincariol - 9.ago.26/AFP
    Tarcísio e Haddad durante debate da Band - Miguel Schincariol - 9.ago.26/AFP · Miguel Schincariol - 9.ago.26/AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Um fenômeno curiosíssimo acontece nos jingles das campanhas de Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) para o governo de São Paulo deste ano. Enquanto um abraça a música sertaneja com força, outro parece ignorá-la.

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    Era de se esperar que a candidatura do PT negasse o gênero, enquanto os Republicanos abraçassem a estética sertaneja. Mas o que acontece é o inverso.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Diante do crescimento de Tarcísio nas pesquisas de opinião, muitos comentaristas já se apressam em opinar que a possível vitória no primeiro turno deve-se à força do agronegócio do interior sertanejo. Mas o curioso é que não se vê tal estética sertaneja nos jingles de campanha do governador divulgados no YouTube.

    Tarcísio sempre se colocou bastante subserviente ao bolsonarismo. Em agosto passado, levou Flávio Bolsonaro para a arena sertaneja de Barretos, onde discursou para a multidão: "É uma emoção forte estar aqui nesta arena. Embora a gente faça isso todo ano, a perna treme, é uma emoção forte! Essa é uma festa muito significativa, faz parte da nossa tradição, da nossa história. Faz parte do orgulho de quem é do interior do Estado de São Paulo". Se o principal palco sertanejo do país é fonte de odes do candidato, isso não se vê nas escolhas musicais de sua campanha.

    Se ouvirmos atentamente os jingles de Tarcísio lançados em suas redes nesta campanha, nenhum deles é uma música sertaneja. O principal jingle, " Com Tarcísio que eu vou ", apostou na pop music moderna. " Ainda bem que é Tarcísio ", também chamado de "Oh Tarcísio", mistura uma levada de axé com cantos de arquibancada de estádio de futebol. "Aperta 1, aperta 0 e confirma" mistura rap e música eletrônica. O jingle "Esse é Tarcísio" é um xote, espécie de forró mais lento e cadenciado, famoso desde os tempos de Luiz Gonzaga.

    Por outro lado, a campanha de Haddad mergulhou de cabeça na seara sertaneja. O jingle " Abra seus olhos e o coração ", que está nas redes sociais do candidato, tem uma levada sertaneja bem dançante, com cara de produção feita por inteligência artificial. O jingle " Time Lula/Haddad ", usado para apresentar os candidatos a cargos eletivos da legenda, tem ainda mais cara de hit sertanejo de IA, com refrão pegajoso e repetitivo, bateria evidente e dançante. Enquanto a música sertaneja rola solta na campanha da TV, o companheiro José Dirceu levanta o punho louvando a resistência.

    É curioso ver o PT incorporando a música sertaneja aos 45 do segundo tempo. Petistas passaram anos estigmatizando os sertanejos sem matizar sutilezas, chamando todos de alienados, na melhor das hipóteses, e fascistas, na pior.

    Mas quando chega a eleição, tenta-se criar desesperadamente uma ponte com o Brasil que ouve sertanejo. Não espanta que muitos vejam nessa atitude uma prática eleitoreira oportunista. Afinal, já vimos diversas vezes, os sertanejos serão os primeiros a serem abandonados após as eleições. Por outro lado, o candidato Tarcísio diz ter orgulho de Barretos, mas é incapaz de encampar uma boa música sertaneja na campanha. Será vergonha da estética interiorana?

    Enquanto isso, durante quatro anos os sertanejos e seus opositores ficam brigando por políticos de carreira que, na hora decisiva de suas campanhas, ou abandonam seus aliados estéticos ou os aparelham de forma oportunista.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/gustavo-alonso/2026/09/o-agro-envergonhado-e-a-esquerda-sertaneja.shtml.

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    Tarcísio e Haddad durante debate da Band - Miguel Schincariol - 9.ago.26/AFP · Miguel Schincariol - 9.ago.26/AFP — Foto: Folha de S.Paulo

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